Após alguma reflexão sobre a polémica menção da Chanceler Angela Merkel à Madeira, quero dar o meu contributo ao debate que se instalou sobre a matéria. Muita tinta correu, diversas afirmações foram veiculadas, e interessantes abordagens atropelaram-se nas horas que se seguiram ao episódio em questão. Reunindo essas vias de informação bem como ideias expressas em foruns online é possível vislumbrar uma perspectiva interessante sobre certas tendências opinativas sociais.
A assustadora facilidade com a qual a sociedade regressa a fantasmagóricos padrões do negro passado europeu coloca em cheque todo o investimento que se tem feito na educação para o sonho europeu. Quando se condenam as afirmações do executivo alemão actual sobre a ética de trabalho portuguesa, deve-se também suster de cair na perigosa tentação de rotular Merkel com referências à 2ª Guerra Mundial ou até à ex-República Democrática Alemã. A ignorância alheia não é carta branca para uma reacção similar. E ignorância e intolerância são ambas características que não se coadunam com uma terra hospitaleira e turística como a Madeira.
Analisando as palavras originais de Merkel, constata-se que a Chanceler não questionou directamente a aplicação correcta dos fundos comunitários na Região, mas colocou antes em causa a política comunitária enquanto melhor forma de fomentar a competitividade. De facto, enquanto lider europeia, é desnecessário fazer uma menção específica a uma região, quando o único destinatário possível desta mensagem é de facto a caixa postal das instituições europeias.
Mas, pior que os 42 segundos que Merkel dedicou à Madeira, é sem margem de dúvida o aproveitamento mediático desta frase por parte de terceiros, pois estas afirmações não são só facilmente descontextualizadas como extrapoladas.
Numa comunicação social nacional que precipitadamente dedica rios de caracteres à tolerância de ponto do Carnaval na Madeira (quando a mesma situação concedida pelas Câmaras Municipais de Lisboa e Porto têm muito menor destaque), é óbvio que a palavra “Madeira” saída da boca de Angela Merkel será manobrada ad extremum.
E porque imagens poupam dissertações, a foto em anexo sintetiza esta discrepância entre a realidade e a interpretação nacional: por um lado as legendas directas e ao lado a coluna descritiva da análise mediática da mesma. Aproveitemos este episódio para subinhar que grande parte do investimento no sonho europeu deveria consistir na promoção do conhecimento de línguas e mentalidades europeias.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...


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