Numa ocasião em que se lêem os mais diversos comentários sobre a franqueza da chanceler alemã sobre o que ela (Angela Merkel) considera ser uma boa e uma má aplicação dos fundos estruturais, lembrei-me de uma frase frequente de um dos meus professores de Português no velho liceu, que para ilustrar a importância da escrita, do bem escrever em Português, dizia que uma palavra era como uma pedra. Quando se a pronuncia ou se a escreve, devemos ter cuidado, porque depois de lançada é como uma pedra fora da mão… se apontada e certeira poderá ser mortal!
Não haja dúvida que tinha razão. Lembro-me muito da imagem que nos transmitia e da preocupação que tinha em incutir nos seus alunos essa preocupação. E nestes últimos tempos temos assistido, com muita frequência, a essas “tentativas de homicídio”, que resultam em grande parte da falta de cuidado, da leviandade e da falta de clareza na aplicação das palavras. Depois lá aparece o esclarecimento, que é pior que a primeira arremetida, que resvala para o desentendimento, para a polémica e para o escândalo…
Temos vivido neste cenário de constrangimentos constantes e parece que a asneira não poupa ninguém, porque não se medem as palavras, nem se sabem interpretar as frases ouvidas ou se toleram os eventuais deslizes e “lapsus linguae” (expressão latina que significa o erro inconsciente ou involuntário de um pretensioso que utilizou o termo menos adequado) de alguns menos letrados metidos a doutores…
E vem isto a propósito de tudo o que se tem ouvido nestes últimos tempos, em que a insatisfação e a revolta não permitem melhores pensamentos, nem a reflexão necessária e comedida sobre os assuntos que se colocam para apreciação. Somos muito rápidos a analisar (sem qualquer base) e a condenar (sem matéria de facto) tudo o que, aparentemente, se apresenta a desfavor. Ao menor sinal, que pareça contrário, reage-se por impulso e julga-se pela bitola do pior inimigo, de quem não nos quer bem.
As reacções da classe política às declarações de Angela Merkel, a chanceler que pretende mandar na Europa, pessoa que não aprecio muito, são de um ridículo atroz. Todos produziram reacções, todos fizeram juízes de valor sobre o significado das declarações que pretenderam apenas apontar um exemplo, porventura de uma aplicação de fundos europeus, que, eventualmente, pode não ter sido a melhor. Mas daí até a Sra. Merkel colocar tudo em causa, inclusivamente poder ter contribuído para uma má propaganda turística da Madeira na Alemanha vai uma distância muito grande. Os erros que, eventualmente, apontou à gestão dos fundos na Madeira, ou às opções dos projectos adoptados, que foram também da responsabilidade de Portugal e dos comissários europeus – é bom que se o diga, já que devem ter sido tema de conversa entre ela e alguns governantes portugueses – têm sido, desde há muitos anos, e repetidamente, apontados pelos turistas e pelos operadores turísticos. Os mesmos que têm vindo menos à nossa ilha por esses motivos. A conversa da Sra. Merkel, agora, é um “fait-divers”. Os políticos agradecem esta manobra de distracção dos verdadeiros problemas do país…
Em resumo: não aprendemos e ficamos sempre à espreita de uma boa bilhardice para acrescentar conversa e, de caminho, culpar sempre os mesmos, que se tornaram os tambores da festa. Se possível acrescentar mais alguma coisa, do género do fim do mundo.
Contudo, não será despropositado, lembrar que alguém está a provar do veneno que tanto distribui. Que tal?!... Quando o feitiço se vira contra o feiticeiro não há calma que controle a raiva…
Palavras ditas e escritas…
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Comentários
Este espaço é destinado à construçăo de ideias e à expressăo de opiniăo.
Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.
A verdade é que nenhum europeu ( eu ..lá vou falando com alguns , por inerência duma determinada tarefa comercial .. em Lisboa ) nenhum.. ( !!?? ) diz bem dos seus politicos !! Também é verdade que os germânicos são pouco comunicadores , e eu não sei falar alemão , mas certamente os telhados de vidro da Sra Merkel deixam passar pouco SOL !! Vamos esperar !!!
Há um velho ditado que também diz que em casa de ferreiro espeto de pau, o DN lança títulos absolutamente polémicos sem esclarecê-los na íntegra com o propósito de deixar os leitores fazerem todos os comentários precipitados, incoerentes e mal fundamentados, apenas porque sim. Veja-se e analise os títulos usados na questão do abandono da Naviera Armas, até chegaram ao ponto de deixar precisamente essas notícias em aberto (sem necessidade de assinatura digital) para criar a confusão, a má língua e a inveja.
Não foram Lapsus linguae, mas a intenção foi a mesma- criar falatório e conseguiram mas a ética jornalistica ficou pelo caminho.....
A Merkel vê o dinheiro formecido em grande parte pela Alemanha à Madeira mal gasto e não tem o direito de comentar?
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