Alguns centros de saúde vão deixar de ter urgências nocturnas, para poupar um milhão de euros ao ano. Várias dezenas de enfermeiros não viram os seus contratos renovados e muitos terão de emigrar, porque a Saúde tem de poupar 20 milhões. O plano de ajustamento prevê cortes nos apoios sociais, porque a despesa pública tem de diminuir várias centenas de milhões. As equipas madeirenses dão faltas de comparência nos jogos no continente, porque não há dinheiro para as deslocações. A isto juntam-se muitos ‘etcs’, como o aumento do IRS, do IRC, do IVA, do imposto sobre combustíveis, sobre o tabaco...
É tudo a apertar. Tudo, não, há excepções. No meio de uma enorme austeridade, o ‘jackpot’ dos partidos políticos, se a vontade da maioria não mudar, vai continuar a levar cinco milhões de euros, vindos directamente do orçamento de uma Assembleia que custa, ao ano, mais de 15 milhões. Há austeridade, mas não é para todos.
É justo lembrar que há propostas da oposição para reduzir substancialmente a despesa, que estranhamente ainda não foram agendadas, mas quem manda no parlamento e no Governo já disse que não corta nada. Não é uma questão de lata, é a total ausência de vergonha na cara.
Provavelmente estas questões ficarão à margem das explicações que, à moda das campanhas eleitorais, o presidente do Governo vai dar, à porta das igrejas. Vai explicar porque é que temos de pagar mais impostos, porque é que o desemprego vai aumentar e a razão para que as obras fiquem paradas a ganhar mato. Mas não vai dar todas as explicações. Não vai explicar porque é que o seu partido vai receber mais de dois milhões e meio ao ano, porque é que continua a gastar quatro milhões no seu jornal de propaganda, nem a lógica de ser um dos raros portugueses que acumulam reformas e vencimentos. E mesmo que alguém pergunte, a resposta não deve ser a mais educada.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...


31 comentários
