De uma coisa não podemos acusar o presidente do Governo Regional: de não nos ter avisado do que aí vinha. Discretamente e indirectamente, é verdade, mas avisou. No último dia de Setembro do ano passado, mesmo antes das eleições regionais que o reelegeram, ele esforçou-se bastante, foi claro, advertiu, ameaçou e tudo. A maioria dos eleitores que foram votar no domingo de eleições é que fez ouvidos de mercador e pensou que o presidente estava a brincar. Não, não estava. Disse numa frase, direccionada, é certo, aos jornalistas, o resumo do quadro negro que estava para vir. E que já veio. E que abrange praticamente toda a sociedade madeirense e não apenas os jornalistas.
"Preocupem-se com a vida de vocês, que vão ter um futuro mais negro do que o meu", disse o homem que nessa altura era presidente do Governo Regional de manhã e candidato a presidente do Governo Regional à tarde. "Preocupem-se com a vida de vocês", "vão ter um futuro mais negro do que o meu", avisou num raro momento de verdade política. Eu, pela minha parte, pensei ter entendido o recado e denunciei-o nestas páginas. Critiquei o presidente por achar que brincava com coisas sérias e que mesmo assim me assustava como jornalista. Vejo agora, como cidadão, que estava errado e penitencio-me por isso. Afinal, o presidente estava mesmo a falar a sério. E, digo eu agora, via na comunicação social o espelho da sociedade madeirense. Era como se estivesse a dizer aos madeirenses aquilo que dizia aos meus colegas que o ouviam numa dessas centenas de acções de campanha misturada com actos oficiais: "Preocupem-se com a vida de vocês, que vão ter um futuro mais negro do que o meu", disse ele.
A verdade é que o presidente tinha razão. O meu futuro, o futuro de quem faz o favor de ler este texto será, quase de certeza, mais negro do que o futuro de quem nos tentou alertar. Até porque se contam pelos dedos os madeirenses que, em idade de gozar da merecida reforma, gozam mas é com os outros acumulando essa reforma com um 'part-time' que inclui todas as mordomias e despesas pagas.
Entretanto, sabe-se que o futuro negro que nos espera este ano pode ser ainda mais agravado se as autoridades regionais não cumprirem o apertado plano que temos de garantir. Entretanto, sabe-se que há despedimentos na função pública; que falta dinheiro para gás nas escolas; que faltou dinheiro para pagar a comparticipação nos medicamentos; que foram encerrados serviços de urgência à noite em três Centros de Saúde; que vai acabar o tribunal de São Vicente; que acabou a ligação marítima por 'ferry' entre Canárias, Madeira e Portimão; que o número de desempregados não pára de aumentar; que os custos com a educação vão subir; que os subsídios de insularidade já eram; que os impostos vão ser agravados brutalmente; que se criam taxas sobre tudo; que há taxas moderadoras na saúde, embora com outro nome; que acaba a convenção com os médicos que nos garantia consultas mais baratas; que no lugar das portagens vai aumentar o imposto sobre os produtos petrolíferos; que parece ter aumentado a criminalidade violenta; que há famílias inteiras em desespero...
Confirma-se: o nosso futuro vai ser mesmo muito mais negro do que o do presidente. E também se confirma que para a História vai ficar um presidente que deixa como herança um monte de obras, algumas perfeitamente inúteis, e uma montanha de dívidas. Tantas que até as crianças de hoje vão ser chamadas a pagar quando forem adultas.
"Preocupem-se com a vida de vocês, que vão ter um futuro mais negro do que o meu", disse Jardim em Setembro. Tinha razão!
5
Comentários
Este espaço é destinado à construçăo de ideias e à expressăo de opiniăo.
Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.
O problema deste País, bastamente analisado e criticado pelas nossas iluminadas cabeças pensantes, radica exclusiva e unicamente na inercia do "inexistente" Ministério Público, pelo que nem me falem na permissividade do nosso sistema penal, mas sim e tão só, no efectivo "laxismo" do identificado MP, na qualidade de responsavel pelo seu observatório nacional do cumprimento do sistema...!
Aos anos de "pontes" feriados , primeira e segunda oitava de Natal , a semana entre Natal e Fim de Ano com quase tudo parado ( O RESTO DO PAÍS SEMPRE A TRABALHAR ) , inaugurações e inaugurações de" luxo " festas e mais festas , todo o ano , Caranval , Festa da Flor , Festa da Castanha , do Pêro , dos Compadres e das Comadres , "bocas e mais bocas para o Continente " , a esses anos todos "DO OUTRO MUNDO " vividos pelos madeirenses , residentes , vamos agora descontar os que se seguem de " apertar o cinto " !! No total : VALEU A PENA !! Trinta de Luxo, Dez de "miséria " !!!!????
Caro Miguel Silva:
Na "mouche". Foi, é, e será tal como diz - infelizmente -.
Mas descansem, ao contrário do que afirma o A.J.J., o dele será muito e muito mais negro, quando
estiver fechado entre "quatro tábuas".
NInguém fica cá para semente. Ainda bem.
Fechados em quatro tábuas também nós seremos, a não ser que ele seja fechado nessas quatro tábuas ainda vivo. Já agora o articulista tem mesmo razão. O futuro dele será mesmo risinho, Quem se lixará é mesmo o mexilão - os nossos filhoa, os nossos netos porque os dele já devem ter o seu bom "pé de meia.
Foi mais um desincentivo à natalidade,pois os futuros pais para não ficarem com cargos de consciência pura e simplesmente não procriam,para que esses filhos que nascessem não ficassem com aversão aos seus próprios pais por terem deixado esta triste herança.Infelizmente à cada uma!!!!!!!!!
Como iremos suportar tamanho escândalo?
Os mais...
-
Site do PSD alvo de ataque informático
4 comentários
-
SESARAM vai dispensar enfermeiros a recibo verde
35 comentários
-
"Vamos vencer Lisboa", promete Jardim
58 comentários
-
SESARAM vai dispensar enfermeiros a recibo verde
35 comentários
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...



