Hoje mais do que nunca urge ser criativo, isto é, permitir pensar e sentir para além do óbvio ou socialmente aceite.
Ser criativo está na nossa essência, e quem na infância teve a possibilidade de se exprimir usando quanto possível a sua imaginação, recordar-se-á da fluidez dos seus pensamentos. Um imaginário fértil e gratificante.
Infelizmente desde cedo nos ensinam a conter o nosso imaginário. "ser sonhador", "andar com a cabeça na lua", "descer à Terra", … Um sem número de comentários que inibem a capacidade criativa, tornando-a inativa ou simplesmente útil nos contextos em que a sua utilidade obedeça a necessidades específicas. Ou seja, uma criatividade orientada.
Se queremos progredir e reconstruir uma sociedade com um novo paradigma, temos que começar, pelo menos a questionar, a falta de espaço para a originalidade.
Não é necessário voltar atrás e começar tudo de novo. A evolução da ciência, da tecnologia, da organização social, da própria economia é e será uma eterna mais-valia, desde que enquadrada num movimento de expansão criativa.
O discurso atual que nos chega diariamente, por diferentes meios de comunicação, e que nos rodeia no nosso círculo socioprofissional, é redutor e limitativo. Praticamente ouvimos todos os dias o mesmo tipo de informações, num diálogo cada vez mais oco e desinteressante.
A vontade cada vez mais abrangente de evoluir noutro sentido, perde-se no dia-a-dia dos assuntos e temas comuns, que se estivermos atentos, têm na base um registo de funcionamento circular, independentemente das áreas discursivas: vinganças, invejas, ajustes de contas, ciúmes,…
Muitos querem competir com muitos e muito poucos pensam em competir consigo próprios.
É nesta competição interna que podemos atingir estados evolutivos e sair deste marasmo social em que nos encontramos.
A chave está então na criatividade, na tal possibilidade de nos elevarmos a níveis superiores de interesses e gratificação. Para isso não é preciso ser mais rico, mais poderoso ou mesmo mais dotado intelectualmente, não é preciso ser mais nada. Basta apenas ACREDITAR. Acreditar que dentro de cada um de nós existe espaço de criação e transformação para alterarmos a nossa vida, e consequentemente, em rede, a do meio a que pertencemos.
UTÓPICO? De todo. Do mesmo modo que nos fizeram acreditar durante séculos e séculos que precisávamos de matar a nossa criatividade e seguir condutas elaboradas por alguns. Hoje a experiência mostra-nos o contrário, pois de tanto acreditarmos nos outros, anulamos a nossa capacidade de resolução do que também a nós pertence.
E atualmente pedem-nos isso, não é verdade? Agora cada um por si! Salve-se quem puder. Quem tiver mais imaginação para os negócios, para novas ideias, para soluções alternativas… avance!
Se nos pedem, temos que aproveitar esta possibilidade de libertar o que ficou para trás, algures na infância de cada um de nós e que nos permitiu, através de uma catapulta de ideias, encontrar cenários facilitadores ao nosso crescimento. As princesas, os cowboys, os domadores de leões, as viagens a países inexistentes… O eterno mundo do Peter Pan que permitia enfrentar os medos, suportar a dor das perdas e acreditar no poder da construção. A força da criação.
Expandir, libertar e explorar pode não ser a solução para a resolução dos problemas imediatos, que cada vez mais parecem não ter solução imediata, mas é decerto o caminho do futuro.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...


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