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Criatividade

Ouvimos todos os dias o mesmo tipo de informações, num diálogo cada vez mais oco e desinteressante

 
Manuela Parente
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Manuela Parente, Psicóloga
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Hoje mais do que nunca urge ser criativo, isto é, permitir pensar e sentir para além do óbvio ou socialmente aceite.
Ser criativo está na nossa essência, e quem na infância teve a possibilidade de se exprimir usando quanto possível a sua imaginação, recordar-se-á da fluidez dos seus pensamentos. Um imaginário fértil e gratificante.
Infelizmente desde cedo nos ensinam a conter o nosso imaginário. "ser sonhador", "andar com a cabeça na lua", "descer à Terra", … Um sem número de comentários que inibem a capacidade criativa, tornando-a inativa ou simplesmente útil nos contextos em que a sua utilidade obedeça a necessidades específicas. Ou seja, uma criatividade orientada.

Se queremos progredir e reconstruir uma sociedade com um novo paradigma, temos que começar, pelo menos a questionar, a falta de espaço para a originalidade.
Não é necessário voltar atrás e começar tudo de novo. A evolução da ciência, da tecnologia, da organização social, da própria economia é e será uma eterna mais-valia, desde que enquadrada num movimento de expansão criativa.
O discurso atual que nos chega diariamente, por diferentes meios de comunicação, e que nos rodeia no nosso círculo socioprofissional, é redutor e limitativo. Praticamente ouvimos todos os dias o mesmo tipo de informações, num diálogo cada vez mais oco e desinteressante.
A vontade cada vez mais abrangente de evoluir noutro sentido, perde-se no dia-a-dia dos assuntos e temas comuns, que se estivermos atentos, têm na base um registo de funcionamento circular, independentemente das áreas discursivas: vinganças, invejas, ajustes de contas, ciúmes,…
Muitos querem competir com muitos e muito poucos pensam em competir consigo próprios.

É nesta competição interna que podemos atingir estados evolutivos e sair deste marasmo social em que nos encontramos.
A chave está então na criatividade, na tal possibilidade de nos elevarmos a níveis superiores de interesses e gratificação. Para isso não é preciso ser mais rico, mais poderoso ou mesmo mais dotado intelectualmente, não é preciso ser mais nada. Basta apenas ACREDITAR. Acreditar que dentro de cada um de nós existe espaço de criação e transformação para alterarmos a nossa vida, e consequentemente, em rede, a do meio a que pertencemos.
UTÓPICO? De todo. Do mesmo modo que nos fizeram acreditar durante séculos e séculos que precisávamos de matar a nossa criatividade e seguir condutas elaboradas por alguns. Hoje a experiência mostra-nos o contrário, pois de tanto acreditarmos nos outros, anulamos a nossa capacidade de resolução do que também a nós pertence.

E atualmente pedem-nos isso, não é verdade? Agora cada um por si! Salve-se quem puder. Quem tiver mais imaginação para os negócios, para novas ideias, para soluções alternativas… avance!
Se nos pedem, temos que aproveitar esta possibilidade de libertar o que ficou para trás, algures na infância de cada um de nós e que nos permitiu, através de uma catapulta de ideias, encontrar cenários facilitadores ao nosso crescimento. As princesas, os cowboys, os domadores de leões, as viagens a países inexistentes… O eterno mundo do Peter Pan que permitia enfrentar os medos, suportar a dor das perdas e acreditar no poder da construção. A força da criação.
Expandir, libertar e explorar pode não ser a solução para a resolução dos problemas imediatos, que cada vez mais parecem não ter solução imediata, mas é decerto o caminho do futuro.

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Comentários

Este espaço é destinado à construçăo de ideias e à expressăo de opiniăo.
Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.

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"...infelizmente desde cedo nos ensinam a conter o nosso imaginário ..."

Nunca se falou tanto em crise , tanto em falta de dinheiro , em problemas, daqui e dali , eis que surge na baixa de Lisboa um grupo de homens "sem eira nem beira " ...julgo que do outro lado da Mancha ... a pedir para o ..whisky..para a resaca..para a erva ...para o vinho etc ..e as pessoas pela originalidade lá vão dando umas moedas ...GIRO !!!!??

Do exterior continua a chegar "coisas doidas" , como aquele adepto inglês que se "trancou " num poste para protestar , em pleno jogo , ou como a ideia dum Estado Europeu que quer pagar aos deficientes para fazerem " sexo seguro " !!!
A falta de imaginação portuguesa pode ser um dos "calcanhares " para tanta depressão , uma espécie de roda , em que todos procuram o mesmo e ninguém quer arriscar !!

Os homens "pobres" querem uma mulher "rica" , as mulheres "pobres " querem um homem com dinheiro , ninguém "cria " nada de novo ...andámos num "roda viva " à espera do Euromilhões...a dormir tardes de Domingo , a passear sem dinheiro nos Shopings , olhando para nada , uns para os outros ALHEIOS à CRIATIVIDADE !!!!!!

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Manuela Parente usou o imaginario para impulsionar o presente de uma forma simples e feliz. Gostei e gosto sempre que alguem nos incentiva a criacao e a progredir sem esconder motiuvos demagogicos tipicos dos comentadores afiliados a Partidos Politicos. Parabens.

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