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Velhos

03/02/2012 10:18
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 (...) os discursos de falsa preocupação dessa gente que sorri diante de nós mas que pensa que é assim mesmo, afinal, estamos velhos e temos de morrer, um primeiro e o outro depois e está muito bem. Sorriem, umas palmadinhas nas costas, devagar que é velhinho, e depois vão-se embora para casa e esquecem as coisas mais aborrecidas dos dias. Onde ficamos nós, os velhinhos, uma gelatina de carne a amargar como para lá dos prazos. Que ódio tão profundo nos nasce. Como incrivelmente nos nasce alguma coisa num tempo que já supúnhamos tão estéril. (...)”

valter hugo mãe, a máquina de fazer espanhóis

Na semana em que se soube que mais de 900 idosos – este eufemismo é ridículo depois de se ler o livro em questão, por isso chamamemos os seniores (este ainda é mais absurdo) pelos nomes. Velhos são velhos, assim como adolescentes são novos. O problema não está na terminologia. O desrespeito não vem daqui. A pior falta de consideração é o esquecimento.

Mas recomecemos. Mais de 900 velhos vivem sós. Sem ninguém para os apoiar, a não ser a Segurança Social. Só na Madeira. Outros tantos são abandonados nos hospitais ou depositados em lares de terceira idade, para que fiquem, longe da vista, à espera da morte. Tem-se a ilusão que a morte é mais inevitável quando se é velho, mais uma falácia...

E isto num país onde não há idade que escape aos problemas sociais - não é para velhos, nem para novos - deixa os que têm mais idade secundarizados na escala das preocupações e prioridades.

É uma faixa onde não vale a pena investir, porque o retorno é diminuto, pensa-se. Num hospital público do continente, um médico escandalizava-se há dias com a atribuição de uma pulseira vermelha (urgência máxima) a um velho de mais de 90 anos. Não há pressa para viver nesta idade, terá pensado o doutor. “Esse velho é o meu pai”, disse a filha preocupada ao doutor desumanizado.

Não há dúvida que não sabemos lidar coma velhice. Aumentou-se a esperança média de vida ao longos dos anos, mas não se aprendeu a ser velho e a viver com os velhos. A demência, os quadros clínicos associados à idade avançada não são pêra doce para encaixar no quadro familiar dos dias que correm.

Mas se não vamos deixar os nossos filhos perante cólicas difíceis, choros compulsivos e noites impossíveis à porta do vizinho, porque cedemos tão facilmente a essa tentação quando se trata dos nossos pais ou avós?

A tendência é mais uma vez atirar as culpas para os governos, que, efectivamente, têm responsabilidade pelas magras pensões, pelo pouco investimento em infraestruturas para esta faixa. Mas cada vez que oiço a estória de mais uma pessoa de larga idade encontrada morta sozinha, sem que ninguém se aperceba do seu desaparecimento, não consigo deixar de pensar que os culpados somos todos nós, a sociedade.

Que ainda não percebeu que a prazo será também ela velha. Ou se preferirmos idosa.

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Comentários

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Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.

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Senhroa SANDRA CARDOSO, receba os meus simples cumprimentos deste idoso, me considero antigo, de 79 amos e deficiente visual. Embora me chamem de academico, gosto de prestigiar tudo aquilo que vem a favor de pessoas que devem ser respeiradas pela sociedade, embora esse respeito deixa a desejar. A sociedade deveria lutar pelo bem-estar dos idosos dar-hles o devido carinho e compreensão nos anos final de vida. Saber atendder os seus anseios e seus prazeres, assim sendo a sociedade que vier a faze isso, nada mais é do que a dignidade pelo ser humano, dando-lhe assim auto-estima que é a qualidade de vida que merece um idoso.

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Uma velhota de 80 anos ( cerca de ) tropeça no passeio da 1 º de Maio, em Alcântara, em plena Lisboa, perto do meio - dia , de um dia de semana , fica mal tratada a sangrar do nariz , sangue em "bica " !! Alguém telefona para o 112 , a resposta , da médica que atendeu foi : " ....aqui é tudo urgente.... " !! Vinte minutos depois a ambulância não aparece , a senhora está consciente , mas a sangrar ! Outro telefonema , a resposta ,: " ...já saiu a ambulância .." !! ...Mas por favor
não demorem , a senhora não está bem !!

Em plena capital uma ambulância demora quase trinta minutos a chegar ..a um sinistrado..!!??
Já não é a primeira vez que assisto com os meus olhos !!
O país "morre " lentamente !!!!

A sociedade tornou - se egoista e SEM VALORES !!!

( António Bexiga )

Infelizes os que tropeçam !!!

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´`o SANDRA PARABENS PELO SEU ARTIGO, ESTÁS A COMUNGAR COM OS PENSAMENTOS DA MINHA UNICA FILHAM EU NEM PENSO EM FICAR VELHINHO POIS COM OS MEUS 81 ANOS, FAÇO TUDO QUE UM HOMEM ALMEJA? NEM TUDO. fIQUEI FELIZ EM LER SEU ARTIGO POIS ULTIMAMENTE SÓ APARECE TRISTEZAS NA NOSSA TERRA COISAS QUE VOCES QUE AI VIVEM NÃO MERECIAM,MAS ISSO E UMA OUTRA HISTORIA. uMRANDE ABRAÇO DESTE LADO DO ATLANTICO jOSE LUIZ V. FERNANDES SP. BR.

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A sociedade tornou-se egoista e sem valores.
Mas cabe a cada um de nós minimizar estas situações começando por olhar para o seio do seu próprio núcleo familiar.
No meu caso tenho os meus progenitores vivos e quase octogenários, vivem os dois sozinhos por opção.
Nós os filhos todos os dias ligamos no minimo uma vez por dia para saber se está tudo bem.
Uma vez por semana jantamos todos juntos na casa dos meus pais.
Durante a semana alternadamente cada um de nós faz uma vista para falar um pouco e ver se está tudo bem.
O meu filho por sua iniciativa , vai pelo menos uma vez por semana a casa dos avós.
Acho que o mal da nossa sociedade esta no facto de nos termos tornado egoístas ,tão egoístas que nem olhamos para além do nosso umbigo.
Em vez de cuidarem dos seus preferem andar nas ponchas , nas tascas, nos centros comercias.
Esquecendo-se que ao abandonarem os seus estão a dar o exemplo e a instruírem os seus filhos para procederem assim quando se tornarem adultos.

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Parabéns Sandra pelo seu artigo.

E mais, eu próprio já sou velho, mas ainda não sou "velhinho", porém, o seu artigo é precisamente o que oiço, vejo e sinto na triste sociedade humana atual.

Desde há milhares de anos que os humanos abandonam os seus velhos para morrerem sós ou acabados pelas bestas animais. Ainda hoje isso acontece, de uma maneira ou de outra. No fundo, muito pouco ou quase nada, foi alterado para diferente.

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Parabéns pelo seu artigo e espero que o mesmo sirva de alerta para um retomar de valores éticos e morais que se foram perdendo nestes últimos anos de consumismo e individualismo que assolou a sociedade. A Crise, neste aspecto, - e tudo tem o seu lado positivo – servirá para tomarmos consciência da nossa imortalidade e necessidade de viver e saber viver em comunidade, onde o bem dos outros é também o nosso bem.
Parabéns, também, por ter feito um artigo de opinião, apolítico.

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