As perspectivas de ocupação para os hotéis madeirenses no próximo Verão são boas. Há mercados a responder muito bem, nomeadamente o francês e o britânico, e as primeiras indicações apontam para níveis de reservas semelhantes aos do ano passado. Juntam-se também intenções de subida na Polónia e na Rússia e, se houver transporte aéreo, chegarão mais turistas da Letónia e da Ucrânia. Serão achegas importantes num conjunto de pequenos contingentes, porventura emergentes, mas que no futuro poderão ter contribuições mais expressivas.
Mas o Verão na Madeira conta, tradicionalmente, com uma percentagem importante de turistas portugueses. Como será este ano? Há alguma curiosidade em ver como o mercado se comporta, face à situação de empobrecimento nacional e às dificuldades que estão criadas para a manutenção do mercado de férias no nosso País. Se é verdade que numa terra arquipelágica como a nossa os seus habitantes sentem necessidade de sair e irão fazer o possível para viajar para o exterior, por mais pequena que seja a distância, o certo é que não temos a mesma certeza em relação aos nossos compatriotas do continente que ficarão pelo território nacional, por onde há muito espaço para se espalhar. Aí não sentem os naturais constrangimentos de espaço ou esta fobia que um ilhéu habituado a sair sente quando paira muito tempo no seu pedaço de pedra, onde as vistas sempre lhe mostram o mar, por onde perscruta incessantemente muitas viagens e adivinha as cidades que a televisão mostra e que ambiciona alcançar um dia. Agora está tudo mais difícil por uma razão muito simples: não há dinheiro e os que têm também pensam que será melhor poupar ou precaver-se face a uma crise prolongada.
Como será então a nossa campanha de Verão em Portugal. O dinheiro da promoção é pouco. O próprio governo está em dívida para com a Associação de Promoção da Madeira. Noutras campanhas conjuntas com entidades do sector, nomeadamente transporte aéreo, também há contas para regularizar. Alinha tudo pela mesma sorte de atrasos e de compromissos não satisfeitos, porque tudo falhou: o planeamento das acções, talvez sem cabimento e as receitas que não existem, porque nem sequer foram orçamentadas.
É nesta dança, pouco engraçada e desanimada, que iremos andar este ano. Fala-se de tudo ou de quase tudo. Todos falam. Somos todos especialistas, todos treinadores de bancada, mas sem soluções concretas ou ideias geniais. Para mal dos nossos pecados tomamos a árvore pela floresta quando nos referimos ao rectângulo que alguns agora querem promover a potência colonizadora… E sabemos bem que os colonizadores se dão mal com as colónias, quando os colonos esboçam sinais de revolta. Demorámos 30 anos a voltar a desembarcar na África, com menos vergonha e mais livres do pecado original.
Será que querem fazer crer aos nossos conterrâneos portugueses que todos os recebem bem, não obstante os dislates da desesperada governação regional quando enfrenta qualquer situação menos cómoda. Essa a questão que, infelizmente se começa a colocar. E na verdade sem razão, já que os madeirenses recebem bem todos os que visitam esta terra, e nenhum dos visitantes encontra o eventual confronto que se apronta nas televisões e na imprensa. O que parecerá a alguns um escarnecido ódio - a imagem subsiste na mente dos menos esclarecidos – acaba sempre por tornar-se numa hospitalidade de coração derretido e agradecido. Só precisam de cá chegar. A Madeira espera-os de braços abertos, como o ‘slogan’ da agora marca registada da TAP dos novos tempos que potenciam o triângulo da ex-colonização portuguesa. Lisboa num vértice. Brasil e África nos outros dois que conferem e completam a forma geométrica, que não é equilátera, porque as linhas não são iguais. É escalena, porque as distâncias que determinam as três rectas se configuram nas rotas que se ajeitam de vez em quando para nos juntar.
Mas para ajudar neste Verão é preciso outras coisas, e quem trabalha em turismo sabe de que falo. Poupo-lhes a descrição, porque o texto já está grande e o tempo é de ouro… A retórica, por vezes, baralha dados e complica o entendimento. Vamos por partes.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...


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