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Filhos e enteados

01/02/2012 03:03
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Ainda nem era primeiro-ministro quando Pedro Passos Coelho afirmou, falando da equidade social e contributiva, num comício em Viana do Castelo, que "não pode haver filhos e enteados" do Estado, que essa figura paternalista tem de tratar os portugueses iguais como iguais e os desiguais como desiguais, em matéria de direitos e de deveres.

Sem qualquer tipo de preconceito de inferioridade ou de desprimor pelos portugueses de Trás-os-Montes, do Algarve ou dos Açores, creio que se há enteados do Estado em Portugal, eles vivem na Madeira e estão há demasiado tempo entregues para adopção a um indivíduo que é inimputável, imune à responsabilidade dos seus actos, mesmo tendo se apropriado da autonomia, entretanto falida, mesmo servindo-se da nossa condição de orfandade para extorquir dinheiro, qual abono de família ou rendimento social de inserção, predispondo-se a um peditório humilhante execrável, do tipo imigrante de Leste de criança ao colo, para depois ferir a dignidade, insultar a inteligência e penhorar agora, por 21 anos, o futuro dos nossos filhos, deixando-lhes como herança um passivo de 1,5 mil milhões de euros.

Acho que devemos honrar os nossos compromissos, assumir as nossas faltas e contribuir em matéria de obrigações. Mas a pergunta tem de ser feita: em que outra zona do país um povo é condenado com uma dupla austeridade pagando duas facturas fiscais? Seremos cidadãos ao quadrado? Será uma regalia usufruir de taxas de IVA ou de ISP abaixo das praticadas no Continente quando isso se consubstancia em bens mais caros porque a isso acresce a soma dos custos de transporte? Porque raio alguém que é alvo de uma insólita dupla penalização (pagamos os devaneios do governo de José Sócrates e as loucuras do governo de Alberto João Jardim) por viver cá, tem de ser arrolado no catálogo de caloteiros-chupistas-despesistas, na espiral de histeria nacional anti-Madeira que toma a parte pelo todo e confunde o povo com a fauna indígena que comanda o poder? A resposta está, mais uma vez, naquele inimputável pai adoptivo que, de filho ao colo, passou a vida a insultar a coesão nacional e a semear o separatismo.

E agora que a autonomia atingiu o limite da sua maturidade e já não cresce mais, temos de questionar se vale a pena manter esta ‘criança’ de 35 anos, nestas condições, sob a tutela de um ser inimputável, de alguém que nunca assume as responsabilidades pelo que de mal fez de forma consciente e deliberada, como se não estivesse na posse das suas faculdades mentais para poder avaliar os próprios actos. É que por actos de menor negligência, já vimos o chefe do Estado intervir. O tal pai que não distingue filhos de enteados.
 

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Comentários

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Do artigo de RDF retiro uma frase: "Será uma regalia usufruir de taxas de IVA ou de ISP abaixo das praticadas no Continente quando isso se consubstancia em bens mais caros porque a isso acresce a soma dos custos de transporte?"
Faço-o porque me parece que apesar da lucidez que RDF demonstra, acaba por não ir ao cerne da questão. Os madeirenses em vez de se queixarem da vida têm que começar a perguntar porque é que, por exemplo, apesar do isolamento têm um dos portos mais caros do mundo? Sim do mundo! Para logo se perguntarem porque é que durante estes anos todos nenhum, outro, operador portuário foi autorizado a operar na Madeira? Como referi antes, isto só a título de exemplo, porque há muitas outras perguntas, do género, a fazer!

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Esse Sr. Coelho, Primeiro-Ministro aquando da campanha para liderar Portugal, prometeu mundos e fundos, irei acabar com os filhos e enteados, aos boys, Municípios, Freguesias, Departamentos, por outras palavras, acabava com tudo. Já se passaram alguns Meses e ainda não vi nada. Só vejo o Ministro das Finanças a falhar de austeridade atras de austeridade. O Ministro da Economia vai em reboque do Primeiro-ministro, nada diz. E para não comentar todos os Ministros, reforço este Sr. Dr. Paulo Portas, Ministro dos Negócios Estrageiros, tá que nem pode "gordo", mesmo com as viagens à custa do nosso dinheiro tinha que ficar gordo, para a próxima viajem sugiro que compre com o nosso dinheiro, um casaco de 2 números acima, terá que provar primeiro a ver se não necessita outro número.

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A esta distancia poder-se-a referir o UI como um despesista e irresponsável. Mas se quisermos analisar este problema de uma forma séria teremos de ir um pouco mais atrás. É verdade que houve despesismo. Inegável. Alguma coisa desnecessária que o vislumbre do dinheiro fácil toldou as capacidades de descernimento nos momentos da decisão? Verdade e indesculpável. As pessoas em causa estavam lá colocadas para decidirem com ponderação e com ajuizamento adequado e baseado em estudos. Pelo menos assim deveria ser. Mas a questão é outra. Onde estavam os macanismos de fiscalização deste país para que ninguém tivesse visto atempadamente este despesismo? O que é isso do Tribunal de Contas, que de tribunal nada tem e sem poder para alterar seja lá o que for nas contas públicas? Onde estava o Governo da Répública para fiscalizar os dinheiros que diz ter enviado se tinham sido aplicados naquilo a que se destinavam? Onde andou a Assembleia Regional e a Assembleia da República que têm o dever de fiscalizar o andamento dos Governos? Agora todos se demitem das suas responsabilidades. Até os fiscalizadores. Típico em Portugal. Mas se este vai ser o comportamento daqui para o futuro, até porque há uns pruridos para introduzir as regras de tectos de despesa nos orçamentos nacionais e regionais, para que servem então estes órgãos fiscalizadores das República? A verdade é que não funcionam, e se não funcionam, então não são necessários! Acabe-se com o despesismo. (E ainda há gente que defende que os políticos deveriam ser profissionais...ía ser lindo! Eram sempre os mesmo, e como saberiam que dali ninguem os tirava, aquilo é que seria um cozinhar de coisas nas costas do povo...)
Simples, faça-se um verdadeiro Tribunal de contas e que tenha poderes de instituir a justiça como outro qualquer tribunal, implemente-se os tectos orçamentais em termos de Constituição, impute-se criminalmente qualquer político que não os cumpra, e vermos se Portugal não será mais económico e mais legal...
A dupla tributação? Não me parece que exista, acho que é uma falsa questão. Eu não posso considerar que sou duplamente tributado quando mesmo com o aumento do IVA ainda pago abaixo dos escalões nacionais, por exemplo.
Se vou ser mais penalizado? Sim, definitivamente, e através da tributação indirecta. Mas não posso dizer que estou a ser duplamente tributado e que seja um cidadão português de segunda... depois, há que tomar em consideração o seguinte: o U.I., o AJJ, está novamente no poder, porque o povo nele votou , e isto nunca poderá ser esquecido, porque se se quiser agora branquear esta situação será o mesmo que querer branquear a democracia.´Ele é mau? Bem, ele está lá porque lá o pusemos, não todos mas a maioria o pôs lá.
Queremos mudar as coisas? Peçam ao Presidente da República para o destituír, o único Órgão nacional capaz de o fazer, legalmente.
Todo o resto, quer queiramos ou não , é só pagamento.

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Bem verdade Ricardo,

Gostei porque não tocou apenas no tratamento desigual, mas também a origem do problema, falta alguém de bom senso que traga a justiça: certo o governo da região tem sido desafiador e um agitador à paz e coesão política nacional, e por isso todo o povo da região vai pagar tão amargamente?

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Eu pergunto: quem tem elegido AJ Jardim? Penso que tenham sido os portugueses madeirenses, porque se fosse por vontade dos portugueses continentais esse senhor já não estaria no poder há muitos anos...portanto cabe aos madeirenses questionarem-se ou então revoltarem-se e correrem com Jardim, uma coisa se tem percebido, os madeirenses não gostam muito de manifestações e parecem-me demasiado conformistas...está na hora de mudarem de atitude e em vez de se acharem "povo superior" (felizmente é só uma parcela que tem a mania) façam alguma coisa pela ilha, ou seja deixem de ataques ridiculos a Portugal Continental e tratem mas é dos problemas de governação da ilha, pedindo da exoneração do cargo do eterno presidente regional...

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