Ainda nem era primeiro-ministro quando Pedro Passos Coelho afirmou, falando da equidade social e contributiva, num comício em Viana do Castelo, que "não pode haver filhos e enteados" do Estado, que essa figura paternalista tem de tratar os portugueses iguais como iguais e os desiguais como desiguais, em matéria de direitos e de deveres.
Sem qualquer tipo de preconceito de inferioridade ou de desprimor pelos portugueses de Trás-os-Montes, do Algarve ou dos Açores, creio que se há enteados do Estado em Portugal, eles vivem na Madeira e estão há demasiado tempo entregues para adopção a um indivíduo que é inimputável, imune à responsabilidade dos seus actos, mesmo tendo se apropriado da autonomia, entretanto falida, mesmo servindo-se da nossa condição de orfandade para extorquir dinheiro, qual abono de família ou rendimento social de inserção, predispondo-se a um peditório humilhante execrável, do tipo imigrante de Leste de criança ao colo, para depois ferir a dignidade, insultar a inteligência e penhorar agora, por 21 anos, o futuro dos nossos filhos, deixando-lhes como herança um passivo de 1,5 mil milhões de euros.
Acho que devemos honrar os nossos compromissos, assumir as nossas faltas e contribuir em matéria de obrigações. Mas a pergunta tem de ser feita: em que outra zona do país um povo é condenado com uma dupla austeridade pagando duas facturas fiscais? Seremos cidadãos ao quadrado? Será uma regalia usufruir de taxas de IVA ou de ISP abaixo das praticadas no Continente quando isso se consubstancia em bens mais caros porque a isso acresce a soma dos custos de transporte? Porque raio alguém que é alvo de uma insólita dupla penalização (pagamos os devaneios do governo de José Sócrates e as loucuras do governo de Alberto João Jardim) por viver cá, tem de ser arrolado no catálogo de caloteiros-chupistas-despesistas, na espiral de histeria nacional anti-Madeira que toma a parte pelo todo e confunde o povo com a fauna indígena que comanda o poder? A resposta está, mais uma vez, naquele inimputável pai adoptivo que, de filho ao colo, passou a vida a insultar a coesão nacional e a semear o separatismo.
E agora que a autonomia atingiu o limite da sua maturidade e já não cresce mais, temos de questionar se vale a pena manter esta ‘criança’ de 35 anos, nestas condições, sob a tutela de um ser inimputável, de alguém que nunca assume as responsabilidades pelo que de mal fez de forma consciente e deliberada, como se não estivesse na posse das suas faculdades mentais para poder avaliar os próprios actos. É que por actos de menor negligência, já vimos o chefe do Estado intervir. O tal pai que não distingue filhos de enteados.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...


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