O desporto representa, na Região, cerca de 7.500 empregos directos. Atletas, treinadores, massagistas, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários das instalações e muitos mais, são esses que, neste momento, estão em sério risco de engrossar a longa lista de desempregados madeirenses. Sim, porque a maioria são madeirenses, embora a ignorância de quem só olha para o futebol leve a confundir tudo e chamar ‘brasileiros’ a jogadores e técnicos nascidos em Santo António ou em Santana.
Vão para o desemprego, porque a fonte vai secar, ou já secou. Não há dinheiro, o Governo ardeu tudo em obras e festas, algumas com utilidade e outras perfeitamente inúteis - na mesma proporção - e agora vai ter de cortar. Não porque tenha novas políticas ou reconheça o desastre que foram os investimentos sem qualquer base lógica mas, apenas, porque a isso é obrigado.
E como não vai cortar em aberrações como o ‘jackpot’ da Assembleia, que custa cinco milhões ao ano, metade deles só para o PSD, nem reduzir os quatro milhões para o jornal gratuito mais caro do mundo, só lhe resta apertar com os outros que também vivem da subvenção pública. E nesse caso, cortar no desporto até parece ser simpático, porque a própria oposição há muito que defende essa solução. Uns com critério, outros só porque soa bem.
É mais do que óbvio que teria de haver redução da despesa com o desporto, o que não se admite é o abandono a que parece que serão votados clubes e associações que, ao longo dos anos, cumpriram um papel que deveria ser do Estado, na formação e no enquadramento de jovens.
Mais uma vez, também no desporto se aplica a teoria de George Orwell. Todos os clubes e modalidades são iguais, mas há uns mais iguais que outros. Traduzindo, há uns clubes e modalidades que dão mais votos que outros. É por isso que, além de não pagar calotes com anos que estrangularam a maioria dos clubes e vão provocar desistências e encerramentos, o Governo Regional vai fazer tudo para sufocar os moribundos.
Como em todas as catástrofes, serão os mais fracos a sofrer. Os que promovem a formação de crianças, que garantem que centenas de miúdos têm uma actividade desportiva, vão ficar pelo caminho. Porque não dão votos, nem têm poder de reivindicação. Vai acabar o mini-basquete, o mini-andebol, o mini-vólei, a natação e muito mais.
Nos últimos tempos sucederam-se as faltas de comparência, ausências de competições e outras situações que eram impensáveis, apenas porque não há dinheiro. Dirigentes dos clubes mais modestos, mas dos que mais apostam na formação, multiplicam-se em esforços para conseguir arranjar dinheiro para viagens, luz e gás, mas pouco mais poderão fazer. O barco está mesmo a afundar.
Dirigentes corajosos, reconheça-se, mas que também podem ser acusados de pactuar com um sistema que há muito se sabia podre e sem futuro, mas que era apoiado, eleição atrás de eleição e em relação ao qual se demitiram de protestar e exigir o que era um direito e não uma dádiva. Aos governos não se agradece, exige-se, porque é para isso que lá estão, ou deveriam estar.
O mesmo sistema que afastou todas as soluções alternativas, que gozou da oposição que apresentava propostas - André Escórcio fez um trabalho completo sobre o desporto regional que acabou no lixo - e continuou, cantando e rindo até ao desastre final.
O desporto madeirense dificilmente continuará como é, vai andar para trás, regressar ao século passado. Provavelmente voltar às competições regionais, aos jogos só com madeirenses, sem perspectivas de títulos nacionais e internacionais. Mas será aí, também, que se verá quem são os verdadeiros adeptos e dirigentes.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...


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