Há quem pense que o silêncio, que não o dos inocentes, é o melhor remédio. Para fugir às responsabilidades, evitar a polémica, não alimentar o debate, esconder a informação e não prestar contas.
Nos últimos dias, com os efeitos da austeridade, do desleixo e da má gestão da coisa pública a vir ao de cima, tem sido evidente a estratégia seguida por algumas personalidades de não abrirem a boca quando confrontadas com questões essenciais.
Basta ler a edição de hoje do DIÁRIO para perceber que sendo o silêncio “o mais puro dos sons”, alguns continuam a dar música ao abrigo do refúgio efémero.
Olhemos para o que se passa com a suspensão da comparticipação dos medicamentos por parte das farmácias à conta do incumprimento do Governo Regional. Quase todos falaram menos quem tem culpa no cartório. Não foi por falta de iniciativa jornalística. Os secretários dos Assuntos Sociais e do Plano e Finanças nunca atenderam telefones. Só hoje, já com os madeirenses a pagar por inteiro o valor dos medicamentos, é que Francisco Jardim Ramos dirá o que pensa em conferência de imprensa. Que diga tudo. Afinal, o executivo tem que “assumir os compromissos para os quais foi eleito e as necessidades das famílias madeirenses é também da sua responsabilidade”, lembrou ontem a vice-presidente da ANF.
Mas há mais silêncios. Atente-se na reacção ao que decidiram os trabalhadores da RTP-M que, entre outras críticas, consideram haver "crescente esvaziamento de conteúdos", "ausência de um serviço público" e "politização das emissões", em detrimento da cultura regional. Contactado pelo DIÁRIO, o director de Antena e Canais, Gil Rosa, não quis prestar declarações.
Veja-se o que pensa a Dioceses da comprometida recuperação do convento de S. Bernardino agora em risco por falta de empenho de quem tem a obrigação de preservar o património. Contactamos o responsável pelo gabinete de comunicação da Igreja Madeirense, mas este rejeitou prestar esclarecimentos. "A Diocese do Funchal não tem nenhum comentário a fazer", foi a resposta do padre Marcos Gonçalves. Aliás, por norma é esta a resposta pronta da Diocese para questões diversas e incómodas.
Muitos destes e de outros protagonistas reclamam e bem ser parte a quem se deve por norma ouvir. Quando chamados a dar respostas, calam-se. É um direito até porque tudo o que disserem pode ser fatal.
Todos têm remédio. Sugeriram-me pentotal sódico, conhecido por ‘soro da verdade’. Tem uma contra-indicação. Dizem que configura tortura.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...


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