Alberto João Jardim não aceita governar sem maioria. Independentemente de juízos de valor democráticos a esta exigência aos eleitores, o que AJJ quis dizer é que não está disponível, nem sabe governar sem liberdade financeira.
Até este momento, as eleições regionais na Madeira têm sido uma consagração e uma chancela popular a um líder incontestado.
Diga-se, a bem da verdade, que AJJ tem lugar assegurado na História pela dinâmica que imprimiu ao desenvolvimento social neste arquipélago.
Certo que, de forma inteligente e comunista, assegurou eterno voto de parte significativa da população ao distribuir propriedade agrária após expropriação das grandes fortunas coloniais e das famílias inglesas.
Certo, também, que soube fazer crescer uma teia de dependências transformando o Estado numa máquina de favores, de influências e de emprego em que a lealdade partidária é um factor muito mais importante do que a valia, o empenho ou a competência.
Óbvio que usufruiu durante décadas de uma oposição política incapaz, de uma comunicação social amiga e de um argumento de peso bem aceite pelos eleitores: obra.
No presente o desafio de AJJ é ciclópico.
O crédito acabou.
A fonte de Bruxelas está seca.
A dívida pública regional é gigantesca.
Os deputados da Madeira nada acrescentam a uma maioria de dois partidos na AR.
A troika será implacável com os desmandos financeiros e surda a ameaças.
Passos Coelho dificilmente esquecerá a "amizade" de AJJ e a chapelada eleitoral nas recentes primárias partidárias.
Paulo Portas dificilmente esquecerá os piropos que lhe foram dirigidos durante anos, mesmo quando ali se deslocava em férias com Manuel Monteiro.
Os amigos de sempre no PSD-Madeira estão longe dos tempos de ajuda cega a um líder idolatrado, feridos de morte no desprezo e desconsideração a que foram progressivamente votados, ao sabor de humores demasiado voláteis, não aceitando a troca com arrivistas sem escrúpulos e com incompetentes protegidos por factores que só encontram resposta no mais íntimo da vida de AJJ.
Sem dinheiro, mais boçal, mais isolado, mais desconfiado, menos seguro, mais frágil, mais velho e mais previsível, estou certo que não será suficiente a AJJ aumentar a tiragem do "seu" jornal, ameaçar com a independência (como se isso não fosse desejado por muitos "cubanos"), esticar explicitamente o dedo médio ou premiar o autor duma mijadela política no capot da autoridade.
As sociedades democráticas de hoje exigem mais.
A democracia na Madeira, mais do que nunca, deve defender-se com honestidade, com ética, com moral e, acima de tudo, com transparência e com humildade.
* Secretário-Geral do Sindicato Independente dos Médicos
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...


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