Os medos que nos perseguem

O medo tomou conta de toda a gente. resultou de anos e anos de um trabalho muito bem pensado para dominar e tomar conta de toda a realidade

 
José Luís Rodrigues, Padre
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Anossa terra está enferma, não só por causa de uma dívida astronómica, mas por causa dos medos. O medo tomou conta de toda a gente. Este estado de coisas resultou de anos e anos de um trabalho muito bem pensado para dominar e tomar conta de toda a realidade. As circunstâncias materiais permitiam que assim fosse, mas chegados à escassez de dinheiro (as condições para fazer empréstimos apertaram), a educação cívica anda pelas ruas da amargura, a perda do poder hegemónico parece ser uma hipótese plausível, então, entra-se pelo caminho do descontrolo da linguagem e os valores da Democracia que até permitiram alimentar os medos e todos os vícios são enviados às urtigas. O medo tomou conta da razão.

Autor Ralph Waldo Elerson, filósofo e poeta, disse: «faz aquilo que receias e a morte do medo será certa». A sociedade madeirense precisa de enveredar por este caminho, enfrentar o medo passa por aqui, permitir que aquilo que receia avance e venha, mesmo que nos façam crer que seremos dominados pelos piores diabos. Sem coragem não nos libertaremos do medo da perda das pensões, o medo da perda do emprego, o medo de ser marginalizado, o medo de passar fome, o medo de ser perseguido no trabalho, o medo de ser enxovalhado na rua, o medo de qualquer género de perseguição… E sem esta libertação, não ganharemos dignidade. A indiferença perante estes medos deve ser logo o caminho a seguir. A seguir devemos ter compaixão de quem mete medo e de quem se deixa intimidar.
Porém, o medo normal é bom. O medo anormal, isto é, o medo criado pelos outros e pela «louca da nossa imaginação» (Santa Teresa de Jesus), é mau e destrutivo. Deixar-se dominar por este medo acarreta sempre a embriaguez das obsessões e complexos que conduzem à indignidade.
Dizem os pensadores da pessoa que nascemos com dois medos, o medo de cair e o medo do barulho. Todos os outros medos são tomados pelas circunstâncias, por isso, livremo-nos deles. Não precisamos de outros medos para levar a vida para diante.

Entre nós, os medos adquiridos são muitos, individualmente e colectivamente. Ambos precisam de uma luta dura para que sejam vencidos. Neste sentido, é preciso que a nossa sociedade cresça e toda junta comece a libertar-se e a não ter medo de ser marginalizada, insultada e eventualmente sofrer as piores represálias. Por esta via, basta que se considere que quem se alimenta do medo dos outros, tem mais medo do que todos nós juntos e que a dignidade perante todos os interesses é o bem maior que a vida nos deu. Assim, amemos a dignidade com todas as nossas forças e não permitamos que nos verguem ao medo.
E dado que entramos pelo caminho do calão e da ofensa brejeira para continuar com o medo, seria importante que consideremos tais palavreados, vindos de quem vem, como pérolas preciosas. O medo não merece outra coisa senão que cada um tenha a coragem de enfrentar tais os medos com firmeza ou então com a maior das desconsiderações ou indiferença absoluta.

A sociedade madeirense precisa desta libertação. Mas, cada um individualmente deve fazê-lo. O colectivo faz-se com o contributo de cada um. Assim, deixe que a razão fale mais alto e deixe-se conduzir pelo amor-próprio, concentre-se no desejo de libertação, aquilo que é o oposto dos nossos medos. Este é o amor que há-de expulsar todo o medo. Vamos acender a luz da razão e aprender a sorrir dos temores. Este é o melhor remédio para a mudança de vida na nossa terra e da vida pessoal de cada um individualmente. O melhor remédio está aí, não temerei o que virá e venha o que vier, não virá por mal. E se eventualmente vier o mal, logo encontraremos forças para o vencer, porque o medo deixou de nos ensombrar a razão.

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A sociedade madeirense não é diferente da sociedade lisboeta , portista , algarvia , madrilena ou parisiense. Vivo em Lisboa quase ha vinte anos , com um intervalo de três , e nunca vi tanta gente a chorar no metro , nos transportes , nunca vi tanta mulher alcoolizada, nunca vi tanta revolta no trânsito , nunca vi tanta confusão nos supermercados na hora de pagar a factura . Nunca vi tanta gente a pedir , nunca vi tantos velhotes muribundos a pedir um dedo de atenção nos cafés da M Soares ou de Telheiras !! Sem dinheiro para medicamentos !!! O Mundo é global !! No cruzamneto da Gomes Freire com o Conde Redondo dorme na rua uma mendiga de origem alemã !!! As famílias estão " pela hora da morte " e a Igreja Católica , perdeu muito tempo com discursos vazios e ocos , com" tretas " como a PREPARAÇÃO PARA O MATRIMÓNIO que em 1990 eu classifiquei de "tanga " e que hoje se prova que tinha razão !!! Ou seja , para a Igreja , sexo é para trazer filhos ao Mundo e aí está o resultado !!?? Preservativo ?? Não ?? A maior parte das interperlações nas missas de Domingo são " achas para a fogueira " do CARTEL : ESTADO/ IGREJA/ PODER , como de resto eu testemunhei há meses , quando o Padre Feitor Pinto se dirigia para o altar numa missa e sussurrou ao ouvido de Maria Barroso ...........!!!

Nota : Sou católico praticante !! Mas frequente de quando em vez as igrejas vizinhas , onde sou bem acolhido !!!!

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Com este artigo de opinião, algumas criaturas estão com medo neste momento na Rua dos Netos e na Quinta das Angústias! Não tenhamos medo de uma Igreja verdadeiramente agitadora de consciências. Que esta esteja do lado dos fracos e não dos poderosos.

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o mesmo medo esta em todo o mundo amigo porque o ceu esta bravo

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Neste momento em que a toxicidade das palavras proferidas pelos nossos políticos cria receios, medos e dúvidas em muitos madeirenses, surge a mensagem do Sr. Padre José Luís, com um conteúdo de coragem, esperança e ânimo na mudança de rumo destes últimos 30 anos. A doutrina social da Igreja é assumida em plenitude nesta mensagem aos madeirenses. Precisamos mais Padres e responsáveis da Igreja Madeirense mais equidistantes do Poder, para assim poderem assumir o seu verdadeiro papel na sociedade, com liberdade de criticar e denunciar as injustiças dos "homens do Poder". Bem haja pela suas palavras, os católicos e os madeirenses continuam a contar com o seu contributo pastoral e cívico.

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O mal é a negação do bem! Isto é filosofia...Mas, cá para nós, quais as alternativas credíveis propostas por outras áreas de "pensamento" político para benefício da população? Será que não se consegue mudar alguma coisa em ambiente democrático? O homem tem a ânsia de Liberdade, isso é parte da condição humana! Como dizem no Brasil, "dar um boi para não entrar numa briga...mas dar uma boiada para não sair dela!..."Quem se habilita?

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Quem tem medo de papagaios de papel? O sr. AJJ já anda medroso há muito tempo.Pena que os madeirenses de fibra não se lembrem dos tempos de antanho. Como conseguiram vencer o medo, emigrando para o desconhecido, formando uma equipa de bons exemplos. Somos das ilhas mais pequenas do mundo que mais emigrates produziram, o medo nunca lhes bateu à porta.
Vamos todos cerrar fileiras e, afundar os espantalhosdo medo.

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que análise tão clara da nossa triste realidade...é preciso continuar a esclarecer este Povo.

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Parabéns senhor padre José Luis.
Excelente texto e grande reflexão.

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Tomara haver muitos de nós a pensar assim e não estariamos agora na situação que estamos.
Bem haja Sr. Padre Josè Luis

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[...] «O medo tomou conta da razão.» Muito bem observado, Sr. Pe. José Luís Rodrigues.

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