Nas sociedades como na nossa vida pessoal ou profissional é colocada a questão da mudança.
Na vida das organizações, em geral, segue-se a velha máxima de que 'em equipa que ganha não se mexe' mas... Mas quando a organização entra em perda ou em dificuldades a mudança impõe-se.
Em política estes princípios conduzem, em regra, as sociedades democráticas à alternância na governação. Todos os países democráticos experimentam a mudança de governos. Mesmo governos ganhadores são susceptíveis de escrutínio e forçados à derrota. Que melhor exemplo do que Churchill derrotado após levar os britânicos à resistência e à vitória na 2ª Grande Guerra!
A alternância governativa é, sem dúvida, um sinal claro de maturidade democrática. É um selo de vida cívica superior.
Por estas razões, não se encontram maiorias de 30 ou 40 anos nos países europeus ou ocidentais. A África e a Ásia reservam para si estes tristes recordes. E todos sabemos da velha regra: "se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe ainda mais".
Isto é também verdade para as regiões da Europa e do Mundo. Mesmo sendo mais frequente maiorias longas nas regiões o princípio geral mantém-se: quanto mais evoluída é uma sociedade menos tolera períodos de governação de uma só cor durante tempos muito longos preferindo 'refrescar' o poder e dar a oportunidade a novas maiorias.
O que exigem as sociedades que assim apostam na alternância? E o que esperam como resultado da sua opção?
Para que a alternância seja possível as sociedades têm como pressuposto o crédito que atribuem às hipóteses alternativas em presença. Ninguém aposta para conduzir os interesses colectivos em alguém que não seja minimamente credível. Acreditar que a mudança é possível, que é serena, confiável e segura, é um atributo indispensável.
Com a alternância as sociedades esperam provocar a renovação, o espírito de reforma, o rejuvenescimento na abordagem aos problemas complexos da vida colectiva. Esperam ganhar em transparência e quebrar interesses particulares instalados em torno dos dinheiros públicos e contra o interesse público. Querem reforçar o escrutínio popular, questionar atitudes e abrir a possibilidade de auditar contas públicas. Querem, muitas vezes, 'limpar' a imagem exterior dos países ou regiões, normalizar a percepção externa que outros têm sobre as suas realidades (Mikhail Gorbachev referiu-se desta forma à sua Perestroika). Entendem que, desta forma, estão, no seu próprio interesse, a melhorar a sua capacidade de negociação no mundo global e complexo dos nossos dias.
Se isto faz sentido, não será a altura de também nós na Madeira reflectirmos seriamente sobre a nossa própria realidade? Na Madeira está na hora!
Tarde nem para a missa, diz o ditado.
http://carlosgoncalvesps.blogspot.com/2012/02/por-minha-culpa-minha-tao-grande.html


62 comentários



