Desde muito novo que ouvia as duas frases: ‘vou levar o meu filho ao colégio’ e ‘o miúdo foi para a escola’. Há 40 anos, era a diferença entre ricos e pobres, entre quem tinha dinheiro para colocar os filhos nas escolas privadas, quase todas ligadas à Igreja Católica e de quem, a maioria, utilizava a escola pública. Foi assim até ao Liceu, quando havia a malta da Jaime Moniz e da Industrial e os que iam para a APEL. Só se ‘juntavam’ nos exames e aí as coisas eram mais democráticas. Por alguma razão, até hoje, o Liceu tem os melhores resultados da Madeira...
Vem tudo isto a propósito da discussão do momento, o financiamento público das escolas privadas e todo o barulho que a oposição nacional de direita tem vindo a promover.
Como contribuinte, nunca percebi qual a razão de usarem o meu dinheiro para entregar a empresas privadas, em zonas onde a oferta pública de escolas é até excedentária. Por muito meritório que seja o trabalho das escolas privadas, e é justo reconhecê-lo como tal, esta é uma situação clara de utilização do dinheiro de todos para benefício de alguns.
Com o fim das verbas para as escolas privadas - creio que vão manter-se contratos onde a escola pública está ausente - o direito de escolha nunca estará posto em causa. É o mesmo nos transportes: uns optam por andar de transportes públicos ou a pé e outros compram um carro. Mas compram!
Há ainda a questão da concorrência desleal. Parece-me injusto que todos paguem impostos que são usados para financiar escolas privadas onde a maioria não tem meios para colocar os seus filhos. O termo ‘privado’ tem de ser sinónimo de autofinanciamento, ou então estamos no meio de um logro, em que o tal ensino de excelência só existe porque é financiado pelo Estado.
Colocar os filhos em colégios é uma opção, válida como qualquer outra, mas deve ser assumida por quem a toma. Ainda mais num tempo de crise generalizada. O esforço do Estado deve ser dirigido para o benefício da totalidade dos cidadãos. Neste caso, para a escola pública.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...


31 comentários

