Os povos têm a sua história feita de muito passado e de algum presente. Assim é com os madeirenses.
São portugueses insulares porque foram os portugueses que a povoaram. Dizem os historiadores que este povoamento foi constituído por minhotos, transmontanos e algarvios. A observação no terreno de costumes e religiosidade apontam mais para a hipótese de nortenhos. Mas a culinária deixa entender influências algarvias. Em todo o caso, Portugueses do Norte e do Sul.
Mas a Madeira poderia ter historicamente sido outra. Se os tempos das Descobertas a dessem como espanhola. Ou depois, no século XVI/XVII, se os reinados dos Filipes não caíssem abruptamente, em Portugal, 'distraídos' com a secessão da Catalunha. Poderia ter sido britânica se o dote de Catarina de Bragança confirmasse a Ilha da Madeira na sua oferta aos britânicos (esteve incluída no 'menu' inicial, conforme diversas fontes históricas, do casamento com Carlos II). Ou, de novo, quando os ingleses ocuparam militarmente a Madeira, durante as invasões francesas. Mas poderia, antes, ter sido de um dos povos mediterrânicos se as navegações anteriores às Descobertas tivessem ocupado estas ilhas à saída do Mediterrâneo.
Produto das circunstâncias históricas, aqui estamos: portugueses insulares.
Portugueses da Madeira construímos um território e uma cultura. Fizemos História.
Visto nesta perspectiva tem pouco sentido a oposição recente e demagógica entre uma Madeira Velha e uma Madeira Nova. Nós somos nós e as nossas circunstâncias. Nós somos o que fazemos hoje e também o produto da nossa história.
Por isso nos deve honrar o trabalho hercúleo da construção da nossa paisagem. Por isso devemos apostar intensamente na manutenção e no melhoramento das nossas levadas para fins agrícolas mas também turísticos. Elas são um activo diferenciador da Madeira. Não são os túneis e as vias rápidas que nos valorizam face aos visitantes do exterior. Para o turismo valem pouco. Para um estrangeiro, pouco vale um percurso do Funchal ao Porto Moniz rápido e em túneis (quase uma viagem de Metropolitano!). Por isso é uma pena ver a estrada deslumbrante do norte, entre São Vicente e o Seixal, totalmente fechada à usufruição de madeirenses e visitantes. E nenhum argumento técnico ou de custos é aceitável quando existem soluções e quando se vêem recursos aplicados em Cotas 500 desnecessárias e Marinas inutilizáveis. Como também é uma pena ver os poios da nossa paisagem abandonados por toda a Ilha. Esse é uma trabalho heróico dos nossos antepassados que não estamos a honrar.
Estude-se. Recupere-se as lindas estradas secundárias madeirenses que nos levam do mar às serras. Com portagens, se necessário. Aposte-se nas levadas. Pagas, se útil. Ocupe-se de novo os poios de toda a vertente sul da Madeira. Por razões paisagísticas e ambientais. Deixemo-nos de velhas e novas Madeiras. Honremos a Madeira e os madeirenses.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...


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