último comentário

Uma Madeira nova?

Não são os túneis e as vias rápidas que nos valorizam face aos visitantes do exterior. Para o turismo valem pouco

 
Maximiano Martins
20 comentários
Ferramentas
Interessante
Achou este artigo interessante?
 

Os povos têm a sua história feita de muito passado e de algum presente. Assim é com os madeirenses.
São portugueses insulares porque foram os portugueses que a povoaram. Dizem os historiadores que este povoamento foi constituído por minhotos, transmontanos e algarvios. A observação no terreno de costumes e religiosidade apontam mais para a hipótese de nortenhos. Mas a culinária deixa entender influências algarvias. Em todo o caso, Portugueses do Norte e do Sul.

Mas a Madeira poderia ter historicamente sido outra. Se os tempos das Descobertas a dessem como espanhola. Ou depois, no século XVI/XVII, se os reinados dos Filipes não caíssem abruptamente, em Portugal, 'distraídos' com a secessão da Catalunha. Poderia ter sido britânica se o dote de Catarina de Bragança confirmasse a Ilha da Madeira na sua oferta aos britânicos (esteve incluída no 'menu' inicial, conforme diversas fontes históricas, do casamento com Carlos II). Ou, de novo, quando os ingleses ocuparam militarmente a Madeira, durante as invasões francesas. Mas poderia, antes, ter sido de um dos povos mediterrânicos se as navegações anteriores às Descobertas tivessem ocupado estas ilhas à saída do Mediterrâneo.

Produto das circunstâncias históricas, aqui estamos: portugueses insulares.
Portugueses da Madeira construímos um território e uma cultura. Fizemos História.
Visto nesta perspectiva tem pouco sentido a oposição recente e demagógica entre uma Madeira Velha e uma Madeira Nova. Nós somos nós e as nossas circunstâncias. Nós somos o que fazemos hoje e também o produto da nossa história.

Por isso nos deve honrar o trabalho hercúleo da construção da nossa paisagem. Por isso devemos apostar intensamente na manutenção e no melhoramento das nossas levadas para fins agrícolas mas também turísticos. Elas são um activo diferenciador da Madeira. Não são os túneis e as vias rápidas que nos valorizam face aos visitantes do exterior. Para o turismo valem pouco. Para um estrangeiro, pouco vale um percurso do Funchal ao Porto Moniz rápido e em túneis (quase uma viagem de Metropolitano!). Por isso é uma pena ver a estrada deslumbrante do norte, entre São Vicente e o Seixal, totalmente fechada à usufruição de madeirenses e visitantes. E nenhum argumento técnico ou de custos é aceitável quando existem soluções e quando se vêem recursos aplicados em Cotas 500 desnecessárias e Marinas inutilizáveis. Como também é uma pena ver os poios da nossa paisagem abandonados por toda a Ilha. Esse é uma trabalho heróico dos nossos antepassados que não estamos a honrar.

Estude-se. Recupere-se as lindas estradas secundárias madeirenses que nos levam do mar às serras. Com portagens, se necessário. Aposte-se nas levadas. Pagas, se útil. Ocupe-se de novo os poios de toda a vertente sul da Madeira. Por razões paisagísticas e ambientais. Deixemo-nos de velhas e novas Madeiras. Honremos a Madeira e os madeirenses.

20

Comentários

Este espaço é destinado à construçăo de ideias e à expressăo de opiniăo.
Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.

0
updown

Decididamente, perdi a pachorra para a madeira nova e , principalmente, para os apoiantes e "comentadeiros" dessa (ma)Madeira nova! A sua cegueira é tal que nem as simples sugestões que visam tentar salvar alguma coisa da Madeira, são encaradas como validas e bem intencionadas e apenas reagem com uma torrente de ofensas e má-criação! São os exemplos que vêm dos seus chefes e da falta de educação que os caracteriza. Não compreendo como podem ter a desfaçatez de se dizerem madeirenses mas apoiar a destruição da sua ilha. Preferem ver a Madeira irremediavelmente perdida, com a sua paisagem e beleza ferida de morte, a reconhecerem que o caminho em que se meteram nem é sustentável como é suicida! Todos os dias mais um pouco da ilha é saqueado, a todas as horas uma parcela é destruída e alguém lucra com isso, mas de certeza que não o povo da Madeira. Esse apenas vai vendo o seu património a ser deslapidado e nem assim dá mostras de se importar. Nem a real possibilidade de estarem a condenar os próprios filhos a uma vida de miséria e de mão estendida à caridade vos faz pensar. Por isso estou farto. Querem destruir a Madeira? Acham que o sonho que se transformou em pesadelo da (ma)Madeira nova vale o sacrifício? Preferem o autismo a olharem por uma vez para a realidade? Então façam favor. Destruam a Madeira à vossa vontade. Serão apenas um exemplo de irresponsabilidade e cobardia nos livros de historia!

18
updown

Comentário aos comentários: aprendi com a vida a não falar com a boca cheia nem falar coma cabeça vazia... de ideias. É lamentável o estado desta 'democracia' virtual. Bem hajam aqueles que contribuem com ideias e críticas (mesmo as mais duras). Mas muito mal andam aqueles que nada discutem e só insultam.

0
updown

E quanto a escrever, o que aprendeu com a vida você, Max ?
O parágrafo final da sua 'crónica' é pura e simplesmente desastroso e estéril de objectividade. Uma vacuidade.
'Ocupe-se os poios' diz ? Grande ideia para não ter a sua cabeça vazia ! Quer privatizar os poios para os 'boys' socialistas ? Por razões ambientalistas põe lá de plantaão eco-socialistas à procura do primeiro emprego ? Na vertente sul para ficarem mais moreninhos ?
Se quer ser o primeiro a honrar os madeirenses, diga lá como realizaria essas 'ideias' e contribua com soluções sensatas, em vez de comentar os comentários !
Muito mal anda quem assim ocupa inoquamente este espaço de opinião facultado pelo DN.

1
updown

Desculpe mas essas suas teorias de uma ilha "nacionalizada" não serão ideias comunistas da linha dura? Porque essa obsessão pela destruição da natureza? Será que a "ana tureza" é uma daquelas "meninas" da selva urbana? Para quem o "mato" é "horrível" e "insuportável"? Sente-se mais confortável nas esquinas da cidade do que nas arribas dos montes? É natural, não quer nada com a natureza...

0
updown

Existe um ditado alemão que se aplica como uma luva a Tureza.
Nunca discutas com um idiota. Ele arrasta-te até ao fundo e bate-te com experiência.

-2
updown

Nestas páginas deste Diário muitíssimas vezes não publicam os meus comentários, assim como os seus jornalistas não aceitam muitos pedidos de amizade de meus amigos no Facebook! Parece e certamente serão todos uns preconceituosos e sectários, pois vejo que no Funchal e em toda a Ilha da Madeira, TUDO, DESDE A POLÍTICA À RELIGIÃO CATÓLICA, É UM FOLCLORE GERAL! E O QUE INTERESSA PARA TODA A GENTE BEM INSTALADA, É QUE A ILHA DA MADEIRA SEJA UM FOLCLORE ETERNO, PARA MANTER O POVO SEMPRE ALIENADO, IGNORANTE, ESCRAVIZADO E INFANTILIZADO, POIS ATÉ OS ESCRITORES SÓ SABEM ESCREVER PARA CRIANÇAS E NÃO PARA FORMAR ADULTOS, À EXCEPÇÃO DE UM SÓ ESCRITOR QUE EU CONHEÇO, E NÃO SERES HUMANOS LIVRES PARA PODEREM EVOLUIR E SEREM MAIS FELIZES! Mas, DIGO-VOS, ATÉ POR UMA QUESTÃO DE LÓGICA DA LEI CÓSMICA DE CAUSA E EFEITO - O SNR. DR. ALBERTO JOÃO JARDIM, NATURALMENTE VAI MORRER COMO PRESIDENTE DO GOVERNO REGIONAL DA MADEIRA, QUEIRAM OU NÃO ENTENDER ISTO QUE VOS AFIRMO!

4
updown

Não concordo.... eu nunca foi censurado neste Diario DN , e até agora sempre tem sido publicados os meus comentarios !!! pode culpar o Dn de estar apontando mais para esquerda que para direita, pode até culpar o DN de passar mais informações do coelho que do cavaco, mas não pode criticar a parte dos comentários. Até agora nunca tive problemas .... Eu sou Jardinista , e até me chamam de laranja, mas nunca me foi rmeovido um comentário sem uma justa causa ( so quando perco a paciencia e chamo nomes feios ás mães dos vermelhos)

-17
updown

Mais uma vez censuraram o meu comentário a este artigo de opinião.Parece que o corpo redactorial do DN está infestado de "sucialistas" inúteis e castradores do tipo do autor deste artigo de opinião.Não acontece o mesmo com o DN/Nacional onde os comentários são postados na hora (...).
Respira-se liberdade de expressão meste matutino.Nota-se quando se vagueia na Fernão de Ornelas.

17
updown

Caro leitor

Experimente fazer comentários sem ofensas nem insunuações, por mais dura que seja a crítica, e vai ver que estes "sucialistas", como o senhor educamente refere, serão úteis para tornar públicas as suas ideias.
Já agora, experimente também substituir o pseudónimo, a que tem direito, por um nome verdadeiro. Vai ver que não custa nada.

Miguel Silva
Coordenador

6
updown

O disco duro de Tureza infectado com dois programas de distorcem a sua capacidade de análise, o vírus “socialismo” e o vírus do “eco-fascismo”, uma vez mais produziu um texto violento e redutor, já que o exercício da análise equilibrada impunha a valorização de fundo das ideias do autor ressalvando contudo alguma crítica e discussão pertinente ao modelo de financiamento das suas propostas. Aspecto que apontou e onde pode ter alguma razão.
Nem do divã é possível fazer “reset”. Talvez “Passionária” com pastilhas.

O nome que será apresentado como autor do comentário.
O conteúdo deste campo é privado e não será exibido publicamente.

Outras relacionadas...

  • Cultura e espectáculos

    DIÁRIO 2007-05-24 | Relevo histórico de Levadas e Poios entre 'As Maravilhas da Madeira'

  • Do Bugio até à Madeira

    por Francisco Leite Monteiro

    31/10/2010 02:00 | Perante a insensatez, vai sendo tempo, para que o bom senso retorne  9 comentários

  • Vai um joguinho de poker?

    por Lilia Bernardes, jornalista do DN-Lisboa, na Madeira

    13/10/2010 02:00 | O país está mal. Pois está. Há muito tempo. Não há líderes. Nem na política, nem na sociedade civil  25 comentários