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Promoção da 'Madeira nova'

Populariza-se o turismo político, mas a ditadura de fidel continua a mais procurada

 
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Como sair mais fortes da crise? - bicuda questão para os 400 agentes de viagens e turismo de Portugal em congresso na Região a partir de hoje. A visita da APAVT conclui a prometida solidariedade após as enxurradas de Fevereiro. Mas arriscamos pedir segunda ajuda. Afinal, a Madeira precisa de sair não de uma, mas de duas crises: a geral, comum a todos os povos, e a da mentalidade cimentada pelo regime libertino 'Madeira nova'.

O segundo favor seria os agentes dedicarem ao turismo local algum do tempo previsto para os seus assuntos. De modo a deixarem duas palavras motivadoras aos inexpugnáveis cérebros dos chefes nativos, para quem parece não haver dificuldades paroquiais a tratar. Quarta-feira, a comissão política do PSD-M, onde se acoitam os políticos com poder, os empresários do regime e os que acumulam, limitou-se a blasfemar sobre as eleições para Belém (nacionais), greve geral (nacional), Orçamento (nacional) e governo PS (nacional). Sobre a profunda crise insular, apenas as denúncias da ordem sobre os almoços misteriosos de uns subalternos de frágil confiança.

Como se sabe, os problemas do nosso turismo começaram com a descoberta da Madeira, em Março de 1978. Alentados por dinheiro fresco dos 'cubanos', os pioneiros amassaram autonomia com cimento e desenvolvimento, e desataram a escaqueirar paisagem para propagar o novel regime, a fé e os novos-ricos da construção. Projecto que se agravou às primeiras chuvas dos milhões europeus.

Bananeiras? Canaviais? Batatais? Toca a cimentar, que o bucolismo agrícola é terceiro mundo, decretou-se nos arraiais da governança. Sus! Derramar alcatrão campos fora, esventrar montanhas, arquear viadutos sobre as ribeiras, betonar até ao último centímetro quadrado. Os barões grudaram-se ao maná e o chefe à cadeira.
A 'Madeira nova' vicejou enquanto o dinheiro supriu a inconsciência do pato-bravismo saloio. Crescendo por dentro, inchou como a rã e os escombros visíveis hoje por todo o lado pressagiam triste fim. Como saírem os madeirenses "mais fortes da crise"? Nem com essas paisagens dantescas a fazer de atracções turísticas. Uma réplica do Colosso de Rodes nos destroços do Lugar de Baixo? Uma Cidade Perdida à moda Inca nas ossadas de cimento em plena Estrada Monumental? Falta qualidade arquitectónica. Quando muito, daqui a um milénio virão turistas contemplar as ruínas faraónicas das ilhas e fotografar a múmia que ainda governe as Angústias, na altura. 

Turismo político? Ora, para conhecer uma das derradeiras ditaduras do Globo, o cliente prefere o interessante Fidel ao 'maestro português do insulto'. Nem o Bar do Henrique se impõe como o chamariz de outrora, mau grado a persistência das gaiteiras e ventrudas barrigas da lacaiada nos festins diários de marisco e cerveja. Vêm uma, duas centenas de 'cubanos' por Verão, não mais.

No pós-jardineirismo, isto é, num futuro ainda longínquo, talvez a história da inacreditável política de hoje caiba num pacote para turismo de congressos. 'Saiba como um regime que não tosquiava as vítimas sem as esfolar se aguentou 50 anos, recebendo o voto dos tosquiados e esfolados'. Um roteiro de memórias cuja receita ajudaria os vindouros a serenar os juros da dívida que a trampolineira 'Madeira nova' lhes deixará por herança. Calote com mais algarismos do que militantes o fossilizado PSD-Madeira contará, nesse futuro.

Os congressistas já ouviram doutos alertas para o perigo de 'matar a galinha dos ovos de ouro' da economia regional, o turismo. Quarta-feira, nestas páginas, João Welsh abordava os impactos negativos da construção excessiva no destino Madeira, "por via da perda de exotismo, do património edificado e do desrespeito pela paisagem". Defendia Welsh um modelo económico regional assente num 'cluster do turismo' envolvendo o 'vinho Madeira', o bordado, o vime, o mar, a cultura, os negócios, o ambiente, a ecologia e a 'terceiromundista' enxada. Pedia também o fim da prioridade habitualmente dada à construção, o que "não só é uma perversão económica como é arrasador para o único sector exportador da Região, o turismo".

Pregar aos peixes. Os rebates soam de há muito e ninguém os escuta. O ano passado, durante o Congresso da APAVT no Algarve, as preocupações de João Welsh chegaram à Madeira, com apelos para "travar o fortíssimo lóbi da construção civil". Aliás, "o maior causador da degradação da qualidade do produto turístico madeirense", segundo o delegado da APAVT e líder da Top Atlântico. Nada. A Madeira não se afirma como o 'destino de excelência' declarado pelo senhor governo. Pelo contrário, o rev-par desce ao preço da chuva, acompanhando a degradação do produto e o desequilíbrio oferta-procura.

Agradecemos aos congressistas a solidariedade da escolha do Funchal. Perguntam...? Não, senhores, ainda não chegou dinheiro à Reconstrução. E quem recebeu alguma ajuda obrigou-se a cenas públicas humilhantes para satisfazer o farisaísmo mais despudorado. Há três ou quatro dias, a desconcertante Assembleia da República deu autorização ao GR para utilizar como e onde quiser o empréstimo destinado às obras. O presidencialato das Angústias, perante o escândalo, tornou a jurar que o dinheiro é da recuperação. Todavia, pressente-se o esvoaçar da rapina.  Afinal, a reconstrução que lhes interessava verdadeiramente está consumada. O regime que no dia 19 de Fevereiro, antes das chuvas, jeremiava de malas aviadas na fuga ao desgaste e a uma dívida pública descomunal, recuou quando ouviu promessas sonantes. Ao lado das torrentes de lama que levavam gente e casas, suspirou: íamos embora, mas agora não podemos voltar as costas à tragédia!
Um mal nunca vem só.

Aos congressistas em busca de saber como "sair mais fortes da crise", pedimos que deixem na ilha uma cópia da receita que descobrirem, a ver se o turismo melhora. Termos um turista frequente a mandar nada tem valido, mas insistir não custa. 

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1."..os pioneiros amassaram autonomia com cimento e desenvolvimento, e desataram a escaqueirar a paisagem para propagar o novel regime , a fé o os novos- ricos da construção ..." É IMPORTANTE SABER QUEM SÃO ???
2.".....NO PÓS JARDINEIRISMO, isto é ,num futuro ainda longínquo.......um pacote para turismo de congressos..." A Madeira será apenas a geografia dos navegadores solitários !! Digo eu !!
3..."....Ao lado das torrentes de lama que levavam gente e casas, suspirou : íamos embora, mas agora não podemos voltar as costas à tragédia ..Um mal nunca vem só " Na depressão de um povo , sempre renasce das cinzas um lídere afundado pela erosão do Atlântico !!?? Acrescento eu ...!!

A receita?? Escrever livros com os computadores das agências de viagem para " apagar" as mágoas de infância...!! Destino Madeira ?? Não é interessante !!

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Como usualmente...simplesmente brilhante.
O orçamento foi aprovado, e por coincidencia, pela mesma altura, a "Lei de Meios" ficou desonerada da sua finalidade...ou seja, as vitimas da enxurrada, afinal já serviram para outros fins.
Na politica vale tudo, por isso estou cada vez mais do lado de Pedro Passos Coelho, responsabilidade civil e criminal de imediato, para todos aqueles que no exercicio da coisa publica, enganam o pobre do Zé.

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Quando será que o GR, apresenta as contas dos subsidios privados recebidos de todo o mundo e a sua aplicação...ou esta realidade ficará no segredo dos Deuses, leia-se benefeciados com tais actos de significativo altruismo.

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Sabe o problema de cá, de não se enfrentar o "Galo Chefe" é que todos os galinhos pelo poder e pelas benesses que esse poder lhes dá preferem ser vassalos e acéfalos dinossauros a vida toda, políticos apenas de nome e interventivos quanto baste em nome da satisfação total dos desejos e azeites do chefe...a nossa democracia é destemperada e sem graça nenhuma...uma politica de cócoras e agachada...que se lixem os eleitores, o que interessa é garantir tacho e boa vida para todos os bobos da corte ao serviço do Rei...não se cortam cabeças, mas cortam-se e guilhotinam-se subsídios, contratos e apoios...

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Uma visão clara e realista, como sempre, do jornalista L.Calisto sempre atento à realidade desta "pequena quinta" administrada por um regime que continua a fazer estragos no turismo, na saúde, no desporto, no ensino, na orla marítima, no planeamento urbano, na contrução desregrada e até na mentalidade de grande parte do povo madeirense que têm deixado isto chegar a um ponto sem retorno. Não sei como não conseguem ver uma realidade que se vê sem olhar. Penitenciem-se!!!

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O lóbi da construção civil não é só responsável pela eventual destruição das condições turísticas mas também de todo este sobressalto meteorológico. Por trás disto não estão só as alterações climatéricas mas a impermeabilização dos solos...

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Uma visão com a qual me identifico plenamente. Muito bem. De resto como sempre!

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