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Supermercado Medicinal

Toda a gente, percebe, fala, discute e comenta a medicina regional e nacional

 
José Manuel Ramos
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Não passa um dia nesta cidade tropical, sem que não haja uma "encenação medicinal", "cerzida" na praça pública. É verdade que, na origem da nossa história e do nosso reino, se descreve ter havido, um caso de violência doméstica, entre o nosso bem-amado primeiro Rei de Portugal D. Afonso I, exímio combatente dos indesejados e infieís sarracenos, e sua altíssima mãe a Rainha Dona Teresa - com a existência de alguns tabefes aristocráticos pelo meio - mas não é caso para continuar a usar esse mesmo tipo de método ou estilo, no actualmente.

Pelos vistos, toda a gente, percebe, fala, discute e comenta a medicina regional e nacional, como se do carapau ou da espada da lota do Mercado dos Lavradores, se tratasse. Qualquer dia, vão também querer saber decifrar e interpretar aquela gatafunhada em forma de "escrita chinesa", que consta no traçado do electrocardiograma! Já pouco falta para isso acontecer!

E fala-se dos medicamentos genéricos, apregoando que os  médicos não gostam,... e também se fala de fantásticas viagens às Caraíbas, com um despudor geral, como se de crimes públicos se tratassem. Acerca dos medicamentos genéricos - vamos tocar outra vez a mesma canção com o mesmo arranjo musical - não há qualquer dúvida ou discussão com a sua introdução no mercado - na Europa já existem em percentagens de 50 a 70% de utilização - o que até porventura, peca por tardia, ... com a pequena nuance de aqui se ter colocado à venda mais de quarenta marcas diferentes do mesmíssimo produto original. Que levantou à partida este problema: quem escolhe o laboratório, qual deles é melhor ou mais aconselhado? São mesmo todos iguais? Se o são para quê tantos? E então, na continuidade do problema, se for o médico a escolher,... será para ir depois às tais viagens das Caraíbas! Se for o farmacêutico, como é ele quem faz o negócio, é também ele que conhece quem lhe dá mais lucro e vai tentar vender o "dele"! O que é lógico! Se for o utente a decidir, pode não saber o que está a escolher e até irá perguntar: porquê ser eu a decidir, aquilo que os técnicos me deviam estar a informar! Mas vejamos do ponto de vista figurativo o tal problema: há no supermercado 40 marcas diferentes de "OMO para lavar á mão"! Todas iguais com rótulos diferentes! Qual é que você escolhe? Fecha os olhos  leva uma ao "calhas", e fica tudo resolvido! Vai ser a mesma coisa com os medicamentos genéricos? Qualquer um serve porque são todos iguais? Se assim é, digam-no de uma vez por todas, porque passam a ser os próprios pacientes os responsáveis pela medicação e pela cura das suas doenças e teremos os consultórios médicos transformados em balcões de supermercados. E com esta livre escolha, nem necessitam prescritores de receitas.

Quanto às viagens para as Caraíbas, ainda não lá fui e não me importo nada com isso. Não está nos meus objectivos primordiais. Uma conversa junta a uma suspeita, quando tratadas desta forma, é muito baixo e reles, e não merece qualquer comentário. Mas há uma reacção engraçada que aqui queria relembrar: Um belo dia, passa um tipo dentro dum Mercedão vermelhão e na paragem dos autocarros, há logo um comentário: vou trabalhar bastante, para um dia poder ter um carro daqueles; e diz um outro: ainda vou viver suficiente, para ver aquele gajo com as patas na cadeia!  E pronto! Nós somos aquilo que somos!

PS: Li algures que a enfermagem quer começar a receitar! Não há problema mas convém exibir antes, o documento de licenciatura em Medicina!

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Comentários

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Oficial é oficial, Sargento é sargento. Dúvidas ? Quem quer desempenhar funções de médico e não o é, é porque fez uma opção errada. Não venham agora dizer que não sabiam ao que iam ! Na próxima reencarnação corrijam a vossa opção que pelos vistos só agora perceberam que não foi a melhor para as vossas aspirações. É a vida !....Sempre a aprender...e deixem de andar armados em trepadores e em bicos de pés ! Quanto ao argumento que em certos aspectos poderão ser mais capazes e mais habilitados do que os médicos, não pega ! Com essa lógica, daqui a pouco o cozinheiro de um navio, só porque cozinha melhor do que o comandante vai querer que lhe sejam atribuídas tarefas, até agora exclusivas do comandante. Um bocadinho mais de humildade só lhes ficava bem !...

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O problema de fundo tem que ver com a distorção do sistema de remuneração da função pública em que os médicos pela exigência da sua qualificação deviam ganhar pelo menos duas a três vezes mais do que os técnicos superiores mais qualificados.
Ficando em exclusividade. Sem a “maminha” da privada.
Ficando sob um regime de um contrato renovável. Se a “maminha” da vaga eterna da função pública.
E ao abrigo de uma gestão empresarial em que o mérito da produtividade traduzir-se-ia em objectivos remuneratórios.
Um médico começa por ser dos melhores alunos do País.
6 anos de um curso dos mais difíceis.
Uma licenciatura com validade zero do ponto de vista do exercício.
Um estágio que é apenas o princípio.
Uma pós graduação obrigatória ( 3 a 6 anos ), a especialidade.
Que é também um princípio onde é preciso conseguir um lugar na sub-especialidade.
Dificílimo. Quantos não estão a fazer aquilo que gostavam.
Uma vida a aprender na profissão mais “stressante” do mundo onde o preço de um erro pode ser a morte. Todos os dias, em cada decisão.
Só pelo aparato do tamanho, por exemplo, e isto é só um exemplo, se pode comparar o grau de conhecimento e perícia necessária entre conduzir o maior avião do mundo e a categoria extrema de fazer um transplante hepático.

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pelos os vistos o Senhor Doutor, sente-se incomodado!..assim como é legítimo muita gente nao entender, o porquê dos Senhores , nao terem de obtar pela exclusividade de publico ou privado, para quando entramos nas urgencias se ter um tratamento digno e nao comercial, isto é conforme a gravidade de haver intervençao ,nao há vaga aqui no Hospital , mas na Clinica ...xxxx .é possivel!.....Assim menos pessoas falariam de uma classe que luta pelas regalias adquiridas e nao as quer perder a qualquer custo.

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Aspectos éticos, técnicos e sobretudo de responsabilidade civil tornam inviolável a prescrição médica, sem prejuízo do desenvolvimento de políticas favoráveis à prescrição de genéricos de marca visando aproximar a região da média nacional e a média nacional da média europeia.
A proliferação de genéricos de marca de um determinado princípio activo tem que ser objecto de racionalização sem prejuízo dos mecanismos de redução do preço final.
As marcas são desejáveis tornando a farmacolovigilância clínica, da responsabilidade médica, operacional.
O comportamento da classe médica em congressos não tem nada de distintivo da prática comum que se verifica com outras profissões a não ser a distorção resultante daqueles que a analisam sob o prisma da mesquinhez e inveja.

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Leu bem Sr. Doutor foram os enfermeiros especialistas em obstetrícia, alguns bem melhores a fazer um parto que o Senhor Doutor e aquilo que eles querem prescrever o senhor não sabe..., prescrições de enfermagem não são prescrições de medicamentos, mas alguns já dispensam receita médica e alguns podem ser aconselhados por enfermeiros, mas o ciclo vital é uma área de domínio total da enfermagem, não tenha disso duvidas e a sua consequente prescrição de "cuidados e tratamentos" uma área só da enfermagem...conheço muitos doentes acamados que dependem muito mais da intervenção/prescrição de enfermeiros que da intervenção do médico, que apenas se traduzem em visitas de cortesia ou num faz de conta ignóbil que tudo é um acto médico, mesmo quando sem se aperceberem só fazem m*** ou dizem asneirada...

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O que o médico tem de fazer é de analisar os sintomas dos queixosos, detectar se existe doença, e receitar o medicamento que lhe parece mais apropriado para a cura. Para definir o remédio, basta-lhe apenas e só saber o princípio activo. Nada do outro mundo ! Se dantes bastava 'encornar' (como se dizia em tempos na instrução primária) o nome comercial, agora basta 'encornar' um nome químico. Se existem 50 deles, não é da sua conta ! Tanto melhor, haverá mais competividade de laboratórios, e quem ganhará no fim é o consumidor. O consumidor não é parvo e decerto aconselha-se no que for melhor para ele. Porque é que os médicos estão tão encarniçados julgando que vai haver aproveitamento dos farmaceuticos ? Sai-lhes alguma coisa do bolso, provavelmente. Deixam de ter aquela comissãozita que vinha disfarçada de 'um saltinho' às Caraíbas e à Patagónia ? Deixam de serem gerentes de 'franchising' medicinal ?
Façam os médicos o que têm a fazer, que é cuidar dos doentes, coisa que frequentemente é encarada prioritária-a-seguir-ao-cifrão. Neste ponto tem vocês, médicos, a triste fama: "somos o que somos" !!!

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É suposto que o médico saiba aquilo que prescreve e, para esse fim, é suposto que leia artigos científicos e se mantenha actualizado em relação às melhores opções terapêuticas. Mas depois os relatórios do Infarmed em relação à bioequivalência dos diferentes genéricos (que não são obrigatoriamente 100% iguais) ficam no segredo dos deuses... Porque carga de água não pode um médico prescrever o genérico com melhor bioequivalência ou então haver uma escolha através de concurso público de apenas um genérico para cada princípio activo que combine melhor bioequivalência com bom preço?

E, desculpe lá, se acha que as farmácias não recebem ainda mais dos laboratórios dos genéricos, está muito enganada. Acha que são só os médicos que recebem coisinhas da indústria farmacêutica? Acha que são só as empresas com medicamentos de marca que fazem marketing? As marcas de genéricos são exactamente como as outras, não estão propriamente no negócio para serem a Madre Teresa. Já ouvi várias histórias de farmácias que recebem imensas caixas grátis nas encomendas de determinadas marcas de genéricos (às vezes até mais do que aquelas que encomendaram) e que depois as vendem exactamente ao mesmo preço obviamente. Veja lá o lucro que isso dá ao fim do mês, porque pagamos o mesmo por essas caixas e as comparticipações também são iguais, apesar de a farmácia ter tido custo zero. Não lhes oferecem a viagem às Caraíbas directamente, mas até deve dar para mais do que uma cada ano.

Quem ganha no fim são as farmácias e o laboratório de genéricos que tiver capacidade para produzir mais, mais barato e oferecer mais caixas gratuitas (para que a farmácia compre mais da marca deles - acha que têm 50 marcas diferentes de genéricos na farmácia? óbvio que não). Não é a saúde dos doentes que ganha e isso é que é fundamental.

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......e quantos enfermeiros/enfermeiras seriam capazes de receitar e muito melhor do que "certos médicos". E qual será a diferença de uma licenciatura em enfermagem e/ou medicina??? Não me façam rir...certamente que existirá diferença, mas apenas no "Status" nada mais. Julgam-se os médicos melhores que os enfermeiros???:) :(

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Licenciatura em Enfermagem - 4 Anos
Mestrado Integrado em Medicina (a antiga licenciatura) - 6 Anos + 2 anos de exercício de medicina não-autónoma obrigatórios (ou seja, com um tutor responsável) = 8 Anos

A diferença é "só" o dobro...

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quantas vezes somos nós enfermeiros que aconselhamos os srs drs quanto ao que devem prescrever........quantas vezes somos nós que dizemos deixe um pedido de analises, peça este ou aquele exame .......sim porque quem passa 24 horas com os doentes somos nos, la porque a nossa licenciatura é apenas de 4 anos não quer dizer que vós srs drs saibam mais que nós...........tratar de doentes sabemos nós...sim porque ate pode prescrever um certo medicamento ao doente mas n´s se acharmos que esse medicamento até não esta bem prescrito podemos nos recusar a administrar......o dobro a que se refere é igual a zero tendo em conta o tempo que passam no hospital........quando nao estao de urgencia e se nao tiverem consulta nem uma manha la ficam mas têm as 35 horas semanais para comprir como todos nós.........

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