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Sinais dos tempos: O elogio da diversidade

Faz falta dar o salto e proclamar a unidade na diversidade

 
José Luís Rodrigues, Padre
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João Bénard da Costa nos seus discursos, nas comemorações da República, agora reunidos em livro, cantou a divisão e a unidade. A divisão de opiniões («Divididos - bendito seja Deus! - por diversas opções religiosas, ideológicas e políticas») e a unidade de cidadãos («...é bom que haja adversários. Mas não há inimigos»).
Nesta senda pretendo enaltecer a diversidade e a pluralidade do pensamento que devia acompanhar a nossa sociedade. Contra o perigo de uma hegemonia cruel centrada no poder de alguns apenas, ousou o povo português encetar os caminhos da República há cem anos. As celebrações levadas a cabo foram dignas deste acontecimento - pena que na Madeira esta memória tenha passado muito ao de leve. Porém, ficou alguma conversa e um chamar de atenção para os valores que a República encerra, que devem ser preservados e ensinados às gerações mais novas. É óbvio que não se deseja enaltecer exaustivamente a República como o melhor dos mundos, mas entre tudo o que já foi experimentado, é o melhor possível para a diversidade. Nela estão as suas manchas, por exemplo, os excessos da Lei da Separação (Abril de 1911) e a desqualificação das mulheres como não aptas para votarem. 

Porém, a República permite essa pluralidade, cujo seu sentido não nega. É a «coisa pública» ou a «comunidade dos cidadãos» ou a «forma de governo em que o povo exerce a sua soberania por intermédio dos seus delegados e representantes e por tempo fixo». Muitos não gostam desta «coisa». Preferem formas de governo mais afuniladas, mais fixas no «pensamento único» que arrebanhem o povo ou que o mantenha na passividade silenciosa para se fazer imperar a bel-prazer o domínio de uma cor só (como se a sociedade toda pudesse ser daltónica) e o bem-estar dos amigalhaços. Abomino esta república. E eis uma das razões da nossa crise permanente.
Neste caminho do comodismo do pensamento único, faz falta pensar no seguinte, como lembra o pensador Henry Tisot: «estamos no caminho de Cristo? Esta é a questão que temos de nos colocar em todas as circunstâncias da vida», porque, também os cristãos, frequentemente, caiem nesta tentação do pensamento num sentido único. Quantas figuras nacionais têm sido enxovalhadas nos últimos tempos entre nós, só porque ousaram pensar pela sua própria cabeça e expressar entre nós esse seu pensamento? E todas as outras guerras contra tudo o que se move fora do alcance de um determinado pensamento?

Por isso, faz falta dar o salto e proclamar a unidade na diversidade. Esta é a maior riqueza da humanidade. Eis, os caminhos que conduzem à actualização no mundo o reinado de Deus a favor da humanidade inteira, sobretudo dos mais pobres e abandonados. Quer a Igreja quer todos os dinamismos sociais, quando enveredam pelo pensamento único, sublinham acima de tudo a instituição, hierarquizada e poderosa. No campo da Igreja quando tal acontece, quem congrega - cito professor Anselmo Borges - «é menos Jesus do que a hierarquia, e a fé está mais dirigida ao dogma do que à pessoa de Jesus e ao Deus salvador».   
Pois, então, quem terá medo da diversidade? - «Bendito seja Deus!» pelo dom da diversidade.

Nota: Agradeço o convite do Director do DN pela confiança na minha pessoa para participar nesta rubrica. Espero corresponder às expectativas.

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Comentários

Este espaço é destinado à construçăo de ideias e à expressăo de opiniăo.
Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.

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Sim, Sr. Padre, interroguemo-nos: estamos no caminho de Cristo?
Esta é a questão que temos de nos colocar em todas as circunstâncias da vida, incluindo AJJ e certas figuras gradas da sua Igreja, porque, também os cristãos, [eu diria certos católicos] frequentemente, caiem na tentação de impor o pensamento deles num sentido único durante décadas.
E pode-se perguntar, Sr. Padre, quantas pessoas simples e figuras regionais e nacionais têm sido enxovalhadas nos últimos 35 anos, só porque ousaram deixar de dar ouvidos ao AJJ e pensar pela sua própria cabeça e expressar esse seu pensamento?
E, perante isso, que têm feito e fazem os Srs. Bispos na Madeira? Calam-se, consentem!

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Olá, Padre! Se todas as rosas fossem vermelhas, que graça teriam? O sr. "falou" com muita propriedade mas, além da diversidade, não esqueçamos que o patriotismo é "conditio sine qua non" para a arte de bem governar e, infelizmente, a República nos deve isso! Parabéns pelo seu artigo.
P.s. Estou seguindo o seu blog

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Diversidade, igualdade, paridade. Três palavras que no quotidiano ainda não fazem sentido. Porque ganha menos a mulher do que o homem? Porque a idade da reforma é igual para um e outro quando é a Mulher a que mais diversidade de vida tem, na casa, na maternidade, no trabalho, nas tarefas e responsabilidades acumuladas. É bom que haja sensibilidades que recordem a diversidade, os direitos.É bom que tracem um paralelismo sob o conceito evangélico.Num Mundo em conflito a aceitação da opinião mesmo se diversa, é uma riqueza.

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As respostas às suas questões está na diversidade. Não há igualdade onde ela não existe, nem paridade onde ela não pode existir, por natureza. O homem é o homem e a mulher é a mulher. São diferentes. Desde sempre há milhões de anos. Não faz sentido apelar às responsabilidades supostamente agravadas de maternidade da mulher. Como não faz sentido justificar tais diferenças só porque a mulher não tem a responsabilidade da paternidade. Isso são argumentos demagógicos tão a gosto de uma classe progressita balofa. Não queira a mulher achar-se superior em responsabilidades acumuladas (??) para alcançar lugar de privilégio. Você chama a isso paridade ? Que estranho humanismo defende você !!!

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O Sr. Padre José Luís Rodrigues ou é amnésico ou finge ignorar que foi a Igreja, através de séculos, que, em nome de Deus, deu os maiores exemplos de intolerância e de "pensamento único". A humanidade não esquece os crimes da Inquisição nem a cumplicidade da Igreja com regimes criminosos, ditatoriais. Mesmo na Madeira. É curioso que venha agora, novamente em nome de Deus, professar a diversidade. Acho bem, mas comece por dar o exemplo e pedir perdão a todas as vítimas do vosso poder.

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Amigo Anonimus o seu comentário é desajustado!
Repare que o tema que o Sr. Padre abordou "intolerância e pensamento único" é um assunto pertinente que cpode ser uma crítica velada ao jardinismo. Folgo e estou grato com isso. Se AJJ praticasse a tolerância daseada no pensamento pluralista a nossa terra estaria muito melhor. Mas também é óbvio que qualquer um de nós pode inspirar-se nas palavras do Sr. Padre e redimir-se na medida do possível.
Os crimes da Inquisição e a cumplicidade da Igreja com regimes criminosos e ditatoriais são questões que o amigo enfia por enfiar neste debate...
Acha bem, professar-se a diversidade, mas exige que o Sr. Padre comece por dar o exemplo e peça perdão a todas as vítimas do poder da Igreja...
Recorde os termos e condições de utilização deste espaço: Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.
Sr. Padre, por favor, vá escrevendo na certeza que corresponde às expectativas.

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Em primeiro lugar quero dizer que respeitei as condições de utilização deste espaço para exprimir a minha opinião que visivelmente vos desagrada. Penso ter usado do meu direito com a preocupação de não ofender quem quer que seja, e muito menos o Sr. Padre J.L. Rodrigues que não conheço mas me parece simpática. O que pretendo dizer é que a Igreja seria o último exemplo a seguir na luta contra a opressão tanto no presente como no passado, na Região ou fora dela. A bom entendedor... Espero que me tenham compreendido.
Quanto à sua reacção confesso que não me surpreende.

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Acho bem que respeitemos as condições de utilização deste espaço.
Afirmar que uma pessoa sofre de amnésia ou finge ignorar... é uma ‘carga’ bastante negativa!...
Acha que devemos pedir perdão a todas as vítimas de faltas cometidas por outras pessoas?
Releia o seu primeiro comentário e comente por baixo: Mea culpa, Sr. Padre!

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Foi como porta-voz da Igreja que o reverendo se exprimiu neste jornal. É esta que deve dar o exemplo daquilo proclama e pedir desculpa dos crimes que cometeu contra a humanidade em nome Deus. Se o Sr. Padre tivesse falado em seu nome próprio, sem se referir à Igreja, o meu comentário não faria sentido.

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Como assim!?
Foi como porta-voz da Igreja que o reverendo se exprimiu neste jornal?
No texto do Sr. Padre pode ler-se:
"Quer a Igreja quer todos os dinamismos sociais, quando enveredam pelo pensamento único, sublinham acima de tudo a instituição, hierarquizada e poderosa. No campo da Igreja quando tal acontece, quem congrega - cito professor Anselmo Borges - «é menos Jesus do que a hierarquia, e a fé está mais dirigida ao dogma do que à pessoa de Jesus e ao Deus salvador»."
Releia o artigo todo e confirme, nada de porta-voz . Muito pelo contrário.Eu desisto. O Anonimus estagnou...

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