Parece existir um largo consenso na sociedade madeirense sobre o mau estado da nossa economia e, ao mesmo tempo, sobre a debilidade do governo liderado pelo Dr. Jardim.
Mas não deixa de ser curioso que este resultado surpreendente não corresponde a um desejo proporcional de mudança. Uma mudança política que arraste consigo alterações consistentes no modelo de desenvolvimento económico, tornando-o mais justo, mais empreendedor e mais competitivo.
Há como que uma armadilha na democracia madeirense em que o regime perante o desnorte e o descalabro encontra mecanismos para se auto-proteger.
Sabemos bem que o governo do PSD embatucou perante os desafios e, sobretudo, perante o confronto factual com o resultado catastrófico das suas políticas e promiscuidades.
Se juntarmos esta realidade à incapacidade de financiamento da Região, decorrente do excesso de endividamento e da descredibilização galopante da política financeira da RAM, estamos perante um cenário de deixar qualquer cidadão responsável e sensato com os nervos à flor da pele.
Quando precisávamos de uma governação forte, credível e ponderada; deparamo-nos com governantes politicamente fracos, sem credibilidade e insensatos. Quando era determinante identificar problemas, alterar opções e tomar medidas e iniciativas reguladoras da situação catastrófica em que nos encontramos; somos surpreendidos com o reforço dos disparates, a manutenção das asneiras e o aprofundamento do fosso entre o razoável e o meramente fantasioso.
Há por isso nesta certeza de um governo abobalhado e trapaceiro algumas dúvidas que merecem reposta:
O povo está de acordo com a hipoteca do dinheiro do orçamento de todos nós para pagar largos milhões de euros (120 milhões por ano, mais de 10% do orçamento global) a concessões de estradas mal negociadas e que roçam o favorecimento ilícito?
O povo está de acordo que o seu governo proponha destruir emprego em troca de mais benefícios fiscais, sem outras contrapartidas para a RAM no quadro do Centro Internacional de Negócios da Madeira, um projecto de interesse público cujo contrato de concessão está escondido deliberadamente?
O povo está de acordo que seja antecipada a prorrogação, por mais 15 anos, de uma concessão de transportes marítimos entre o Porto Santo e a Madeira com o argumento de dificuldades da empresa concessionária e que, descubra-se agora, esta entidade tenha auferido quase 5 milhões de euros de lucros em 2009?
o povo está de acordo que as empresas e as famílias paguem matérias primas e bens de consumo 20% mais caros que no Continente porque o Governo do PSD não quer alterar o modelo de exploração portuária, garantindo tarifas mais baixas?
O povo está de acordo que o governo mantenha empresas públicas que consomem a maior parte dos recursos financeiros dos madeirenses sem criar riqueza ou emprego e acumulando dívidas insuportáveis (as 4 sociedades de desenvolvimento estão tecnicamente falidas e entre 2007-2009 acumularam prejuízos de mais de 80 milhões de euros) para o frágil orçamento regional?
O povo está de acordo que o turismo na Madeira prossiga o caminho do afundanço, conduzindo a mais desemprego e menos competitividade da Região, sem qualquer plano de recuperação do sector que conduza à redução das taxas aeroportuárias ou a um melhor e mais adequado plano de promoção do destino?
O povo está de acordo que o governo mantenha os apoios ao desporto profissional em dimensões inadmissíveis ou promova, em tempos de grave crise económica, a construção de estádios de futebol, em vez de afectar recursos financeiros à saúde ou apoiando àqueles que foram apanhados pelo desemprego ou pela pobreza?
O povo está de acordo que o governo não pague a tempo e horas às PME's regionais mas que não se iniba de utilizar toda a capacidade de factoring que tem na banca para financiar de forma tresloucada a Via Madeira, uma estrada inútil e despropositada no tempo e na dimensão?
Mas fiquemos por aqui porque estou certo que se ao povo for dada a possibilidade de se pronunciar sobre os temas que o afectam o seu quotidiano o regime treme. O regime cai! Experimentem.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...


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