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Um governo embatucado!

Deparamo-nos com governantes politicamente fracos, sem credibilidade e insensatos

 
Carlos João Pereira
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Parece existir um largo consenso na sociedade madeirense sobre o mau estado  da nossa economia e, ao mesmo tempo, sobre a debilidade do governo liderado pelo Dr. Jardim.

Mas não deixa de ser curioso que este resultado surpreendente não corresponde a um desejo proporcional de mudança. Uma mudança política que arraste consigo alterações consistentes no modelo de desenvolvimento económico, tornando-o mais justo, mais empreendedor e mais competitivo.

Há como que uma armadilha na democracia madeirense em que o regime  perante o desnorte e o descalabro encontra mecanismos para se auto-proteger.
Sabemos bem que o governo do PSD embatucou perante os desafios e, sobretudo, perante o confronto factual com o resultado catastrófico das suas políticas e promiscuidades.

Se juntarmos esta realidade à incapacidade de financiamento da Região, decorrente do excesso de endividamento e da descredibilização galopante da política financeira da RAM, estamos perante um cenário de deixar qualquer cidadão responsável e sensato com os nervos à flor da pele.

Quando precisávamos de uma governação forte, credível e ponderada; deparamo-nos com governantes politicamente fracos, sem credibilidade e insensatos. Quando era determinante identificar problemas, alterar opções e tomar medidas e iniciativas reguladoras da situação catastrófica em que nos encontramos; somos surpreendidos com o reforço dos disparates, a manutenção das asneiras e o aprofundamento do fosso entre o razoável e o meramente fantasioso.
Há por isso nesta certeza de um governo abobalhado e trapaceiro algumas dúvidas que merecem reposta:

O povo está de acordo com a hipoteca do dinheiro do orçamento de todos nós para pagar largos milhões de euros (120 milhões por ano, mais de 10% do orçamento global) a concessões de estradas mal negociadas e que roçam o favorecimento ilícito?

O povo está de acordo que o seu governo proponha destruir emprego em troca de mais benefícios fiscais, sem outras contrapartidas para a RAM no quadro do Centro Internacional de Negócios da Madeira, um projecto de interesse público cujo contrato de concessão está escondido deliberadamente?

O povo está de acordo que seja antecipada a prorrogação, por mais 15 anos, de uma concessão de transportes marítimos entre o Porto Santo e a Madeira com o argumento de dificuldades da empresa concessionária e que, descubra-se agora, esta entidade tenha auferido quase 5 milhões de euros de lucros em 2009?
o povo está de acordo que as empresas e as famílias paguem matérias primas e bens de consumo 20% mais caros que no Continente porque o Governo do PSD não quer alterar o modelo de exploração portuária, garantindo tarifas mais baixas?

O povo está de acordo que o governo mantenha empresas públicas que consomem a maior parte dos recursos financeiros dos madeirenses sem criar riqueza ou emprego e acumulando dívidas insuportáveis (as 4 sociedades de desenvolvimento estão tecnicamente falidas  e entre 2007-2009 acumularam prejuízos de mais de 80 milhões de euros) para o frágil orçamento regional?

O povo está de acordo que o turismo na Madeira prossiga o caminho do afundanço, conduzindo a mais desemprego e menos competitividade da Região, sem qualquer plano de recuperação do sector que conduza à redução das taxas aeroportuárias ou a um melhor e mais adequado plano de promoção do destino?

O povo está de acordo que o governo mantenha os apoios ao desporto profissional em dimensões inadmissíveis ou promova, em tempos de grave crise económica, a construção de estádios de futebol, em vez de afectar recursos financeiros  à saúde ou apoiando àqueles que foram apanhados pelo desemprego ou pela pobreza?

O povo está de acordo que o governo não pague a tempo e horas às PME's regionais mas que não se iniba de utilizar toda a capacidade de factoring que tem na banca para financiar de forma tresloucada a Via Madeira, uma estrada inútil e despropositada no tempo e na dimensão?
Mas fiquemos por aqui porque estou certo que  se ao povo for dada a possibilidade de se pronunciar sobre os temas que o afectam o seu quotidiano o regime treme. O regime cai! Experimentem.

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Comentários

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Acredito que o povo mais bem esclarecido e consciente da Madeira esta cansado do longooooo governo do Dr. Jardim. Pena que a maioria que vota na ilha eh composta, na sua imensa maioria, de gente pouco letrada, credula e muitoooo mal informada do que se passa no governo. Uma pena!
Enquanto o Dr. Jardim e seus apaniguados derem pao e circo, digo, arrail, espetadas e vinho, essa maioria vai continuar votando no Dr. Jardim.
Enquanto o Dr. Jardim estiver vivo e bem da cabeca, o PS nao sera governo!

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Há de facto um potencial significativo de transferência de voto que só pode materializar-se através da construção da imagem de uma oposição organizada, adulta e consistente.
Profissional. Que fale a uma só voz.
O comportamento do PS sobre esta matéria deve ser irrepreensivel.

Note contudo que é necessário uam dramatização política muito dura a propósito das condições de equidade relacionadas com as próximas eleições.
O expediente dilatório é só para ganhar tempo.
Na prática o parecer da ERC, e aquele que será politicamente relevante emanado pelo Parlamento acerca das condições de transparência democrática que se vive no arquipélago, fazem com as oposições perguntem obrigatoriamente à CNE e ao PR se há condições neste momento para eleições justas e livres no Arquipélago.
Creio que está à vista que não !

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TURISMO DA MADEIRA - um dinâmico empresário de hotelearia com largo conhecimento do mercado nacional . disse-me esta semana , que "...MADEIRA É UM DESTINO CARO E MUITAS VEZES APRESENTA FRACA QUALIDADE" fim de citaçaõ !! Chama-se Carlos Pereira , é meu cliente !! Já , em outras ..."pinceladas" neste espaço referi que preocupa-me ver os enormes entraves da Madeira , por exemplo, ao mercado espanhol, que invade Lisboa ao fim de semana ! Porque não criar uma espécie de "via verde" aos fins de semana , para dar a conhecer a nossa ilha. O conhecimento abre portas , interculturais e económicas , o turista mesmo que vá de manhã e regresse á noite , tem de almoçar, jantar , beber agua e cerveja, se gostar, vai voltar com mais tempo. Se foi bem atendido , vai divulgar, se gostou das levadas , vai promovê-las , se viu qualidade nos hoteis vai levara familia etc etc etc. A Madeira e o Porto Santo têm de estar na rota do turista latino, do turista que consome , sai á noite, bebe e dança . Não e viver do Belga ou Nórdico que aos setenta anos esta metido no hotel . A zona velha da cidade do Funchal perturba-me pela falta de iniciativas culturais e recreativas que fixem o turismo , nas esplanadas até ás 2/ 3 da manhã !! Vive se uma tremenda crescente apatia !! Há dias numa tertulia em Lisboa com estudantes madeirenses, um futuro jornalista e umfuturo informatico , um deles,dizia-me Futuro ?? Já tenho la´uma cunhazinha preparada para avançar....!!!???? Lá longe junto ao mar!!!

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O problema é quando estam na oposição veem as coisas de uma forma ,e quando conseguem o poder já as coisas mudam . É o que se passa no continente á muitos anos. Agora na Madeira gostava que o PSD perdesse a maioria para termos a assembleia a trabalhar e haver debate

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"Mas não deixa de ser curioso que este resultado surpreendente não corresponde a um desejo proporcional de mudança. " aí está a chave, há um desejo estupido de mesmo assim nao mexer muito no "status quo" porque muitos acham ainda ser possivel beneficiar deste sistema, pôr isso em causa é tirar-lhes o Emprego, naquela versão encosto de cadeira, o deles ou os que estão a sua volta que por sua vez parece que abala o deles e esse acomodar repugna-me precisamos todos agitar as consciências e acho que este contributo que deu neste seu artigo de opinião é dos melhores para demonstrar como poderemos com serenidade mudar.
Foi de tudo o que disse e fez até hoje a que mais apressiei pela serenidade da analise e pela lucidez e razoabilidade das expectactivas que demonstra.
Se não estamos na esperança, este artigo demonstra que estamos quase lá... há mais vida para além...

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