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Trevas medievais

Ninguém tem de se demitir pela queda de uma palmeira! estamos ou não na Madeira nova?

 
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Inoportuna e desconfortável perplexidade ensombra os últimos raios de Agosto, por conta da ideia peregrina de que alguma cabeça deve rolar depois da queda da palmeira no Porto Santo. Obviamente, não tem de haver qualquer demissão. Estamos na Madeira nova! Se é possível entupir ribeiras e desprezar serras, favorecendo a ocorrência de tragédias, sem que os identificados delinquentes sofram a menor moléstia, por que diabo exigir procedimento diverso no caso de uma árvore?

Devem os responsáveis políticos demitir-se toda a vez que cai uma palmeira? Não, em circunstância nenhuma, se isso acontecer na Madeira nova. Sim, se a queda da palmeira provocar mortos e feridos graves, se os responsáveis políticos tiverem sido avisados para o perigo iminente, como foi o caso... mas se o palco do sucedido for uma terra civilizada e democrática. Sim, o presidente da Câmara do Porto Santo teria o dever de se afastar do cargo - e afastado permanecer enquanto decorresse o inquérito - se esta Região integrasse o universo das terras de poder civilizado e democrático. Deste prisma, e só deste, acertam 100% aqueles que têm exigido a demissão de Roberto Silva.

Mourejamos num exercício inútil, puramente académico. Porque uma conduta ética de tal jaez não se ajusta ao estilo Madeira nova - onde campeiam a delação, a caça às bruxas, a discriminação e a revindicta, mas só para os não alinhados. É fantasia pensar em demissões. Desde logo porque o chefe das Angústias se solidarizou com Roberto Silva. E desagravo que o presidencialato desove tem força de absolvição - aliás sem direito a recurso. Depois, sua excelência condenou o "aproveitamento político da tragédia". Então, levantar dúvidas incómodas sobre as causas do acidente passou a ser campanha pérfida contra o destino turístico Porto Santo. A mesma táctica do silenciamento usada pelo divertido 'chefe de praça' nos temporais de Fevereiro e há pouco nos incêndios. É que se fosse para punir culpados...

O irresponsável descaramento só vinga nas ilhotas graças ao estado emocional decrépito de um povo cansado de trinta e tantos anos de esperanças perdidas. Capitulação ante o obscurantismo feudal que o dono das Angústias foi rebuscar aos seus íntimos medievais para impor numa desgraçada terra que já padecera meio século de ditadura. O suserano déspota doa os feudos aos vassalos nobres que, no melhor entendimento com o clero e na velhaca exploração dos servos da gleba, agradecem ao dito suserano com vassalagem rastejante. Assim viceja o regime do delírio, aplaudido pelos caudatários do pato-bravismo à Madeira nova. A realidade virtual desenhada pelo dono da verdade.

Se tivesse a humildade de pegar numa notícia de alerta ilustrada com fotografia da palmeira estranhamente inclinada e mandasse investigar o fenómeno, o presidente do Porto Santo não precisaria de andar a contradizer-se agora. Por razões menos evidentes se moveram insistentes influências para cortar uma pobre tipuana que incomodava a casa de algum pavão residente na Pedro José de Ornelas.

O obscurantismo oficial conserva as consciências nas trevas da ignorância. Magister dixit, não se fala mais no assunto e quem falar desrespeita as vítimas. Respeitar as vítimas é como faz sua excelência: com mortos por enterrar e feridos graves no hospital, farra para baixo nas tascas do Areal. Entrevistas às 'Caras' deste inculto País, de um chefe refastelado na 'sua' casa de Verão do Porto Santo. Enquanto Roma arde, o imperador escreve crónicas da patuscada diária para o jornal que todos pagamos. Manda contar as presenças nos comícios dos outros partidos. Inaugura aterros e desaterros. Atribui o que chama de 'aproveitamento político porco' ao jornal que não se deixa intimidar pela sua bazófia atrabiliária ou pelos dizeres chocarreiros de uns quantos  truões sem graça, assoldadados valentões de estrebaria que ululam no raio de audição do chefe, à cata das derradeiras migalhas do regime.

'Este pelo menos enfrenta o Continente' - ouvia-se nos alvores da 'ditadura nova'. Claro. A táctica do suserano feudal de prometer protecção dos ataques bárbaros aos parolos que lhe pagavam a existência faustosa. Tratava-se de manter vivo o fantasma do colonialismo abatido no 25 de Abril de 1974. 

Os madeirenses, saturados, deixam-se tratar como o chefe entende, contudo conhecem a realidade. Sabem que, apesar dos complexos de superioridade das capitais, não parte de Lisboa o enxovalho que tem desonrado a Madeira nestes trinta e tantos anos. Não mora em Belém ou em S. Bento o fanfarrão que costuma  chamar "corja de malucos" aos madeirenses que por livre opção  escolheram a oposição regional. Não é 'alfacinha de gema' o causador de uma dívida regional que já empenhou drasticamente o  povo insular do futuro. Não é em Lisboa que se produzem as ordens para sanear a televisão da Madeira e fechar jornais regionais. Não é lá que se confecciona a eliminação das elites madeirenses. Não é regedor de Paço de Arcos o tipo que caluniou madeirenses com o epíteto de 'vadios'. Não saem do Terreiro do Paço as atitudes carnavalescas que mancham a imagem da Madeira. Não é lisboeta quem gasta o dinheiro da Madeira em viagens faustosas por essa Europa, com carro, chaufer e demais mordomias que os parvos pagam, enquanto os desalojados das enxurradas vivem em arrecadações e palheiros, enquanto a pobreza e a exclusão alastram, enquanto o desemprego e a toxicodependência disparam, enquanto o 'espectáculo' dos sem-abrigo mostra diariamente a triste realidade da Madeira nova. Não é cubano o intriguista que lança madeirenses contra madeirenses. Não é em Lisboa que chamam imbecis aos madeirenses agitando cenários delirantes, inimigos e conluios inexistentes.

Anestesiado pelo obscurantismo, o povo vê o indestituível chefe das Angústias injuriar moinhos de vento acantonados em Lisboa, dispostos a destruir as ilhas. Quando a desgraça aperta a sério é que são elas: a incompetência do líder não vai além de pedir ao povo para rezar e ir à bruxa.

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Comentários

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Muito Bem!!!Haja quem tenha a coragem e o descernimento de incutir no espírito do Povo da Madeira o elan necessário à mudança,pois só não vê o mais cego dos cegos, no lamaçal político,e não só, em que a Região está metida. Fora com os novos fascistas do pós 25 de Abril, que se instalaram à custa da bondade e da ignorância do Povo. Acabem-se com as mordomias que a "Nomenclatura Laranja" se apoderou e que retira aos mais necessitados os bens que,por direito, lhes devia pertencer.Mais vale tarde que nunca, a mudança só faz bem.Se não resultar, muda-se de novo.O Povo tem estas armas mas,infelizmente, parece não saber lidar com elasDr.Luís Calisto tem aqui um apoiante a 500%,continue a lutar por uma Madeira verdadeiramente democrática e livre, para honra e glória do seu Povo que é quem mais sofre com tudo o que há 50 e mais 36 anos lhe têm feito e iram continuar a fazer, se não houver uma alteração ao desgoverno que até agora tem imperado!!!

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Gostava de ver Luis Calisto comentar noticias do DIARIO com estas "palavras" ou "termos" acerca do regime. Sem ter o estatuto editorial.
Os moderadores de serviço já teriam substituído tudo por aspas três pontinhos e aspas (...)
Será que aceitavam as seguintes referencias à pessoa do Dr. Alberto João:
- incompetência do líder (AJJ)
- vassalagem rastejante
- Chefe das Angustias
- Viagens faustosas por essa Europa
Nós cidadãos anónimos não temos direito de fazer tais comentários. Só se formos políticos de carreira, comentadores oficiais ou jornalistas
Obrigada DIARIO pela oportunidade que nos dão de vos ler a dar opiniões livres.

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Bom dia

Obrigado pelo seu comentário, contudo, há uma enorme diferença. Enquanto ninguém sabe quem é o anónimo 'João Palavra', já o jornalista Luís Calisto está perfeitamente identificado e é um profissional responsável pelo que escreve, contrariamente aos anónimos que aqui escrevem sem dar a cara nem o nome verdadeiro.

Obrigado pela sua preferência

Volte sempre

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Caro João,
Agradeço a especial atenção do DIARIO em responder aos meus reparos. O DIARIO comprovadamente, pelas suas palavras, dá com uma mão e retira com a outra.
Em primeiro lugar ninguem é anónimo na internet. Devem saber qual é o meu IP e além disso estou REGISTADO na vossa base de dados: podem consultar a minha ficha nos vossos registos - querem mais dados? Podem pedir que dou de boa vontade! Tambem devem conhecer as Leis da Privacidade dos Dados Pessoais???? Querem que peça à Comissão Nacional dos Dados Pessoais para investigar se esta tudo OK na plataforma do DIARIO???
Mas, não são apenas os "anónimos" que sentem os cortes de vocabulário pelo DIARIO. Os políticos e não politios que "dão a cara" em conferencias de imprensa, comunicados e declarações, sentem o mesmo. As suas palavras ao atacarem demasiado o Poder são eliminadas. Passam aquilo que não fere os ouvidos e os olhos ao Regime. São liberdades do faz de conta... Liberdade mas não muito para não fazer mal!
Não são todos os jornalistas, nem em todos os momentos. É apenas quando convém...
Se oferecem Liberdade de Expressão e admitem a publicaçao de comentarios com pseudónimos e avatares, logo depois cortam o ímpeto do debate para não pertubar o Poder Ditatorial.
Numa Ditadura como a nossa esta plataforma digital podia ser uma das poucas liberdades que restam para a população expor as suas palavras sem medo de repressão e de represálias da mais vasta ordem, mas parece que logo que começou... está acabando.
O João e os colegas no DIARIO que veja o que fazem os outros Jornais Online Nacionais e Internacionais? Será que fazem "moderação" com cortes de palavras que ofendem o regime político????
Pelos vistos só nos resta nos submetermos ao sistema instalado na Região que a todos persegue, seja eliminando empregos, cortando publicidade ou mandando para os tribunais com processos de difamação por "dá cá aquela palha". Penso que o Sr. João e o Sr. Luis Calisto sabe daquilo que falo.
Devem conhecer os Juizes e as Juizas que julgaram e julgam os casos apresentados por Alberto João e seus comparsas contra aqueles que deram e dão a cara e se manifestam contra o regime.
Não venham com falsas lições de moral e paternalismos que estamos muito bem esclarecidos.
Bem Hajam e sinceros desejos de melhoras!
João Palavra
(Pseudónimo)
Querem dar voz às pessoas? Então não tirem quando não vos interessa!

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Boa tarde

Lamento que não compreenda nem aceite as condições de utilização deste espaço. As regras utilizadas (ou a ausência delas) por outros órgãos de comunicação não nos dizem respeito. Este é um espaço de debate, não de ofensa. É possível argumentar sem difamar. Se não aceita estes termos perfeitamente transparentes, é livre de procurar outro espaço nos 'media' para dar a sua opinião. Anonimamente ou não.

Obrigado pela preferência

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Totalmente de acordo, por isso, identifico-me, com o meu nome completo.

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Caro Carlos, pode se identificar com o nome, mas se não está inscrito na plataforma do DIARIO com password é anonimo. Por exemplo:qualquer pessoa pode inserir o seu nome falando em seu lugar... Eu estou registado na base de dados do DIARIO como utilizador da plataforma e não sou anónimo pois dei os meus dados pessoais.
Quem é o DIARIO para limitar os meus direitos Constitucionais e os seus?

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Gostei especialmente desta: "Se tivesse a humildade de pegar numa notícia de alerta ilustrada com fotografia da palmeira estranhamente inclinada e mandasse investigar o fenómeno, o presidente do Porto Santo não precisaria de andar a contradizer-se agora. Por razões menos evidentes se moveram insistentes influências para cortar uma pobre tipuana que incomodava a casa de algum pavão residente na Pedro José de Ornelas."

E, já agora, será que a PJ está a investigar o intrigante caso da palmeira que suspeitosamente caiu no comício do PSD???...

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Mais uma excelente peça jornalística a que Luís Calisto já nos habituou! É uma lufada de ar fresco neste regime caduco, negligente e prepotente que apenas, e só, servem e defendem interesses instalados. Sem exageros acredito: Deus livre esta pequena terra de perder o DIÁRIO, verdadeiro defensor das causas da Madeira e um jornalista como este que não receia dizer a verdade doa a quem doer. Poderão dizer que L.Calisto é duro nas suas críticas, porém são os casos desta terra, e as verdades incontestáveis que ele denuncia, que provocam a dureza das suas palavras. Já agora parabéns também para os muitos cidadãos madeirenses que corajosamente, e já são muitos, através de comentários e artigos de opinião já fazer ouvir a sua voz libertando-se do medo de falar em defesa dos seus direitos e convicções. Bem hajam! Será que começa a nascer a tal plataforma democrática que os partidos de opinião falam por não terem conseguido ser alternância de poder?
Pela foto, mais uma vez incontestável, que ilustra o seu artigo de opinião pode-se deduzir que: se o grau de culpabilidade dos responsáveis for igual ao da inclinação da palmeira dará para meter gente na cadeia. A mesma gente que não quer demitir-se para não perderem os cargos e as respectivas benesses.

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O Dr. Luis Calisto, trata-se de um grande jornalista que não teme o que escreve.
Os seus artigos de opinião (de que sou incondicional leitor) são um autentico hino à democracia livre e plural..., conforme disse um grande Presidente deste País, um verdadeiro balsamo, nesta sociedade amordaçada pelos interesses economicos.
A alternativa, que tanta falta nos faz, cria-se através de opiniões deste tipo, abertas e sem medos...um grande Bem Haja ao Luis Calisto

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