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Relativismo de Verão

Segundo Einstein é improvável que os incompetentes estejam todos na oposição

 
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Atingimos o pico do Verão, da parva. Céu limpo e estranhamente branco. Do torpor ardente e pegajoso onde pastam percevejos fedorentos, mosquitos, incêndios, negócios escaldantes, endividamento público e calotes privados, futebol, berbicachos e o chato arrastão jardineirista do Areal, mesmo dessa salada escatológica, emerge, teimosa, a política da 'oposição à oposição'. Trata-se de uma táctica legal e legítima, porém desgastada por 34 anos de obsessão. Chefe não só reage com juros a todos os ataques da oposição como cumpre o seu próprio programa de investidas contra ela.

Embora com algumas acções estivais, os partidos da oposição arriaram velas. Mas não se livram de críticas como por exemplo a de fazerem "política partidária ranhosa" - ao servirem-se "da desgraça de alguns", concretamente os desalojados de Fevereiro, explicita o chefe.

É parte da putrefacta teoria "por mim ou contra mim". O xadrez maniqueísta em que, coincidência das coincidências, os bons foram parar todos ao PSD e os maus à oposição. E o estado emocional cataléptico alimenta o mito no subconsciente do povo: o chefe é a sobrevivência; a mudança é o dilúvio, o 'finis patriae'. De tal modo que o eleitorado continua a sufragar um regime de partido único, muito pior do que nos tempos do 'rei quinze', quando, e apesar de monárquicos, os partidos regenerador e progressista se revezavam no poder.

Embora à própria oposição custe também admitir, a verdade é que, no carácter e na competência, há bons e maus em todos os lados, seja no poder, seja na oposição, nas empresas, na Igreja, no jornalismo, no desporto. Com a particularidade de, na maioria, nem sequer figurarem os melhores em palco, porque o chefe tem pavor das sombras. Existindo bons e maus em cada sector, é curioso observar como é que, do esquisito regime barricado nas Angústias, sai o atrevimento de atribuir à oposição conceitos e alcunhas que, à vista desarmada, se percebe aplicarem-se com muito mais propriedade ao próprio autor das contumélias, ao seu partido e ao seu governo.

Colocar o CDS-PP entre os "mais raivosamente demagógicos" não é espantoso nem deixa de ser. Está para nascer o político que dispense do seu discurso aquele naco de populismo e demagogia. Mas, falando-se de demagogia, o PP fica a léguas do chefe laranja. Idêntico exercício de 'teoria da relatividade' se pode fazer com a referência do líder ao "desplante aldrabão dos socialistas". Neste caso também, tudo é relativo...

Os 'inimigos' continuam a ser tratados como anti-madeirenses tresmalhados, uns incompetentes, ressabiados por perderem eleições e os tachos que elas proporcionam. Ora, quem exerce a política pelo tacho não é nas minorias que busca agasalho. Faz como fizeram os carreiristas: ao perceberem para onde pendia o voto popular, pediram ficha na Rua dos Netos. E se já tivesse dado o 'mau passo' de ingressar na oposição, imitava os 'arrependidos' que viraram a casaca depois dos extremismos. Recordai o trajecto de tantos que têm passado pelo governo.

Como noutras áreas, há quadros na oposição fiéis a valores e ideais, que recusaram pôr-se em bicos de pés para chegarem à manjedoura da política.
Um materialista sem escrúpulos, e imune ao masoquismo, não se filia na oposição. Faz como outros que progrediram por aí acima, à força de adularem o grande chefe. Aduladores que, conscientes do beco sem saída onde o líder está a encurralar os conterrâneos, continuam a elogiar-lhe o 'amor à Madeira'. Fartíssimos desta 'eternização', batem no peito e rezam alto para serem ouvidos no apelo à recandidatura do chefe. Perante as presidenciais calinadas, fingem não as ver ou dizem-nas diligências geniais.

O chefe da maioria atribui à oposição o apodo de anti-democrática, por contestar um poder que foi eleito. Mas por defenderem uma verdadeira democracia para a Madeira é que muitos puseram em risco os interesses pessoais e familiares e combatem as práticas ditatoriais que se perpetuam na Região.

Ouve-se também chamar os 'contras' de aventureiros, irresponsáveis. Quando é nesses que se nota apreensão perante o aventureirismo que levou ao tremendo e impagável endividamento da Região!

São muitos os defeitos da oposição. Incluindo a parecença de alguns com o chefe regional na presunção de que "quem não é por mim está vendido". E o insucesso ao tentar impor a alternância, que é missão sua. Mas é injusto chamar 'colaboracionista' a quem contesta. Combater uma política de crápula não é fazer o jogo do misterioso 'inimigo externo'. É, sim, uma prova de sensatez, o desejo de derrubar um regime velho, sem projecto, que gera pobreza e desemprego, que permite o alastramento da toxicodependência e da exclusão.

Vezes sem conta, chefe das Angústias tem dito que "o povo madeirense não interessa à oposição", que os da oposição "gostam é do Continente". Mas o povo sabe quem é que só não se fixou no Continente por falta de aceitação lá no 'Rectângulo'.

Outra acusação aos adversários: são todos uma cambada de cobardes. O povo também sabe quem é que foge ao debate olhos nos olhos, frente a frente, em público, e também quem é que só 'navega à vista' e recusa ir a votos nas corridas internas do seu partido nacional.

Desabam calúnias sobre os que pensam diferente do chefe. Numa palavra, o homem diz que são todos uma carga de 'invejosos'. Porém, se o caso é de inveja, pergunta-se: não poderiam os 'invejosos' ter aderido ao regime, simular loas a sua excelência e esperar pela vez de sentar à mesa do orçamento, dos subsídios, dos avales, dos tachos e dos penachos? Inveja! Quem é que já queimou duas gerações de elites?

Pensando melhor, nesta terra até a 'teoria da relatividade' é muito relativa. Votos estivais para que a brigada do reumático, nas senis arrastadas pelo Areal, consiga fazer vingar a palavra de ordem 'chechés para a chechénia'.
...Pois, seria demasiada felicidade para esta Madeira adiada!

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Há dias recebi um e-mail que colocava uma questão pertinente e, logo de seguida, dava a resposta. A pergunta: porque é que países mais pequenos que Portugal e até mesmo com menos recursos naturais tinham melhor nível de vida. Resposta: uma questão de mentalidade dos seus povos. Acho que não é difícil estabelecer um paralelo entre este, sempre actual, artigo e a resposta contida no e-mail.

Os incompetentes, versos oportunistas, estão sobejamente identificados uma vez que a região é pequena e eles não podem e já nem se dão à maçada de disfarçar. Desde o partido da maioria, passando pelos pequenos partidos até ao líder da oposição todos, salvo raras excepções, lutam com todas as armas pela “chave da dispensa” ou por uma pequena posição de destaque (as tais mentalidades) . O cacique da região sabendo perfeitamente disso, porque tem bufos a informar e a desestabilizar dentro da oposição, joga muito bem esse jogo e tira enormes vantagens. 32 anos de poder.

Com uma oposição super fragilidade impõe-se que apareçam mais vozes corajosas como a do jornalista Luís Calisto e do simples cidadão tentando inverter uma situação que já toca as raias do despotismo.

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Luis Calisto tem toda a razão e, tal como aparece em destaque, «Segundo Einstein é improvável que os incompetentes estejam todos na oposição». Pois é bem verdade, os “incompetentes” estão em todo o lado que é Portugal, não se confinando à Madeira, tendo até já perdido a vergonha, não se limitando a por aí aparecerem só quando «Atingimos o pico do Verão, da parva» como refere a abrir o artigo. Agora, andam por aí durante o ano inteirinho e não só neste «tempo de parvoidades» como uso designar, neste uso que faço de um direito que me assiste, de também parvoeirar….
FRANCISCO LEITE MONTEIRO

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Artigo duro e contundente. A verdade dita com coragem.
Ainda há quem os tenha no sítio neste País.

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Mais uma vez Luis Calisto com uma opinião assertiva. Daquelas de quem conhece bem a Madeira e o regime que vivemos. Este texto contém ideias chave e desmonta paradoxos e a politica pimba do Dr. Jardim por isso devia colocar a sociedade e a "suposta" elite madeirense a reflectir sobre a necessária mudança politica na Madeira.

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Temos que combater todos os buracos negros que atrofiam a passagem da luz, que permite um saudável desenvolvimento cultural e civilizacional, num determinado espaço geográfico. Buracos negros: "regiões no espaço onde o espaço e o tempo são distorcidos de tal forma que nada, nem mesmo a luz, pode escapar - como um estado final para as estrelas maciças". São buracos negros na prática: favorecimentos; fechar os olhos às incompentências dos que se colam ao regime; malhar naqueles que se opõem, sobretudo quando expõem uma argumentação ideológia/filosófica; esteriotipar e marginalizar, no seio das organizaçõe politizadas e partidarizadas, todos aqueles que se atreverem a pôr pedras no sapato do poder; permitir que haja arrogâncias e prepontências nos actos de gestão, que colidem contra todas as regras elementares do bom senso... TEMOS QUE ACABAR COM ESTES BURACOS NEGROS, PARA QUE SE FAÇA JUSTIÇA!!!

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