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A Europa não aguenta os desequilíbrios na competição com a China e a Índia

 
Maximiano Martins
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Para muitos este Verão será menos tranquilo do que normalmente. A começar por aqueles que se habituaram a viver de apoios sociais. Aqueles cujos níveis de consumo são subsidiados pelo conjunto da sociedade, em nome da solidariedade. A partir de agora o Estado será menos generoso e mais exigente nos apoios não contributivos, ou seja que não dependem dos descontos feitos para a Segurança Social mas dos rendimentos dos beneficiários.

São imensos os apoios sociais existentes na sociedade portuguesa: dos abonos de família à acção social escolar, do subsídio de desemprego ao rendimento social de inserção, do complemento solidário para idosos ao subsídio social de parentalidade, da comparticipação em medicamentos às isenções de taxas moderadoras, das pensões de alimentos aos apoios sociais à habitação…

As políticas sociais são um 'acquis' das sociedades modernas independentemente das famílias ideológicas. A Esquerda tende a ser solidária mas há uma Direita europeia que pratica genuinamente a solidariedade social.

A questão que se coloca a todos é saber se o modelo social de apoios é sustentável financeiramente num período prolongado de fraco crescimento económico (em Portugal já vamos em 10 anos de fraco crescimento intervalado por recessões). A resposta é: não! Não é possível manter níveis de apoio não sustentados na riqueza produzida na sociedade. Só a produção de bens e serviços e o crescimento económico podem gerar meios para distribuir e redistribuir. Não se pode distribuir aquilo que não existe…

Esta a questão de fundo que justifica as medidas políticas adoptadas neste Verão. Afectarão muitos portugueses? Sim. Haverá mais pobreza? Sim. É passageiro e os apoios serão retomados mais tarde? Não!

Uma perspectiva 'economicista' dirão alguns… Esquecem que perante recursos escassos (neste caso, dinheiros públicos com origem nos impostos e contribuições) as escolhas são obrigatórias e devem ser privilegiadas as opções mais eficientes. Este é um princípio da economia, da gestão de bens públicos, da gestão familiar responsável, da gestão corrente das empresas… e não um qualquer princípio de 'economicismo'.
E porque digo que não é um processo meramente transitório?

A principal razão estrutural prende-se com o artigo que aqui escrevi no mês passado: 'um olhar chinês sobre a Europa'. Para simplificar: a Europa não aguenta os desequilíbrios na competição com a China e a Índia (que juntos representam uma população que é 4 a 5 vezes a da União Europeia de 27 países) nem encontrará forma de financiar a seu modelo social. A China (o 2º mercado do mundo) e a Índia produzem tudo, têm recursos humanos 'ilimitados' e caracterizam-se por modelos sociais com poucos direitos. Nesta competição a Europa só pode definhar. E sem a economia a crescer na Europa todos os subsistemas caem estrondosamente: o Estado, os governos regionais e locais, os bancos, as empresas, a Saúde e a Educação públicas, a protecção social…

A verdade é que o paradigma da liberdade de comércio - em que todos ganham e o sistema se adapta continuamente - não funciona sob estas condições de desigualdade estrutural. O modelo social europeu não é compatível com a realidade da globalização. E o modelo social chinês e indiano só evoluirá muito lentamente.
É uma situação imparável. Vejo duas saídas difíceis mas possíveis. E simultâneas. Primeiro: ajustar o modelo social europeu na base da sua sustentabilidade. É o que os Governos, de todas as tendências políticas, vão fazendo com mais ou menos coragem e sob contestação. Segundo: negociar a nível mundial formas de regulação e auto-contenção que permitam defesas 'inteligentes' da Europa e da sua capacidade de produção de bens e serviços e que providencie formas de equilíbrio mais saudáveis.

Sem isso não há Estado Social que resista. E iremos regredir muitos anos.

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Comentários

Este espaço é destinado à construçăo de ideias e à expressăo de opiniăo.
Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.

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Simples descolar da politica dos EUA em relaçao ao sistema financeiro expeculativo,apertar os artistas da banca e expeculadores na europa.Dinheiro real para produçao real nao virtual.
Em relaçao a china ,india dois caminhos,salario igual a europa para produtos
semelhantes ou carga fiscal a esses produtos importados equiparados aos produzidos na europa.

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Tem que haver uma política global para o planeta baseado na decência civilizacional e num modelo económico global sustentável no plano ecológico.
O processo de concertação global só não é utópico por ser o único caminho possível!
Quantos biliões de humanos o planeta pode comportar sem "fagocitar" sem retorno o património natural?
E que modelo económico e industrial à escala global tem que ser adoptado em função desse objectivo?
O Modelo Social Europeu consagra aspectos fundamentais da decência civilizacional ao proteger os mais fracos dignificando a sociedade. Esse modelo é o que a Europa tem de melhor para exportar da sua cultura. Se hipotecássemos uma bases da entidade europeia o projecto europeu correia o risco de se desintegrar.
Só que há muitos pobres. A China tem 1,4 biliões de habitantes. A maioria agricultores. Tornou-se no paradoxo impossível o "Comunismo Capitalista".
A globalização tem que ser económica mas também nos direitos havendo portanto aqui margem política nas contrapartidas num processo que é uma tensão complexa a gerir com inteligência.
Os europeus, contudo, têm que perceber a mensagem do "professor chinês" e que basicamente nos remete para a questão da produtividade individual. Todos nós temos que criar mais valor com aquilo que ganhamos no nosso trabalho. Mais exigência, mais qualificação, menos desperdício.
Uma cultura social vigilante em relação ao destino dos nossos impostos também se impõe a par de uma abertura permanente na busca de soluções integradoras no plano social, em que cada cidadão deve perceber responsavelmente qual o seu papel do seu esforço nesse processo.
Pela decência civilizacional numa espécie cada vez mais com destino incerto.

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Um artigo muito interessante e com conteúdo para reflexão.

Concordo com a ideia, que me parece evidente, que não se pode distribuir riqueza quando a mesma não é criada. Em Portugal existem pessoas que acham que os subsídios são um direito divino e não sabem ou não querem saber como é que o Estado é capaz de distribuir tais subsídios.

No entanto também verifico que quando chega a altura de cortar na despesa e no desperdício geralmente corta-se no essencial (apoios para quem precisa mesmo) em vez de cortar no supérfluo (os institutos que ninguém sabe bem o que fazem, os apoios, subsidios de representação, substituição de veículos do estado, e tanto tanto mais).

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Na Inglaterra, os apoios sociais ainda são bem maiores e mais abrangentes. Em Portugal, o Estado paga abono Familiar? O que é 20€ por cada criança? Num país onde o desemprego é elevado, onde os salários são baixos, onde está a haver insolvências dia sim, sia não, como podem as famílias sobreviver? Com arte e imaginação? O Estado Social não pode terminar, sob pena da criminalidade subir. O que que terá que haver é maior rigor e fiscalização, mas isto á é outra questão.

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O pior desta edição DN:O artigo de opinião deste senhor.

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Caro Amigo.
Seja critico e não pura e simplesmente derrotista. Leia o artigo, medite e comente com clarividencia uma realidade que não podemos ignorar.

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Rectifico;não são 65000 desempregados mas sim 650000.Faltou um zero no meu anterior comentário.

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Caro amigo.
Eu não sou derrotista.Não suporto é "Grunhos" que sempre viveram a conta do orcamento de estado,que nada produziram como deputados tanto na ALR ou na AR,recebem balúrdios como subsidio de reintegração quando deixam de ser deputados, apesar de já terem um tacho numa das muitas EP para colocar os "Boys",como foi o caso do senhor do artigo de opinião e vêm para aqui defender os cortes nos subsidios sociais miseraveis que são atribuidos aos desempregados(65000 no país),idosos que nunca descontaram para o sistema de SSocial,abonos de familia(Em Setembro as crianças recebiam 2 meses o que aliviava o orçamento familiar na compra de material escolar)e passam a receber só um;enfim uma serie de beneficios do orçamento da S.Social,que é unica e exclusivamente proveniente do rendimento do trabalho(Trabalhador 11%,Ent.Patronal 23.75%).Este senhor e outros (PS+PSD+PP é tudo farinha do mesmo saco)têm a pança cheia e não avaliam o sofrimento do Povo Português que tem sido explorado até a medula por estes "GRUNHOS" que se têm alternando no Governo do País durante os últimos 34 anos.

Saudações

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