Assídua leitora do "Diário de Notícias" desde a 1.ª hora, queria aqui deixar o meu apoio e felicitar o Dr. Vasco G. Moura pela medida tomada no começo do seu trabalho no CCB, em rejeitar de imediato o Acordo Ortográfico. É um autêntico absurdo o que se está a fazer pela nossa língua, vexando-a, digamos, ao aceitar os tropeções que o acordo lhe impõe a bem sabe-se lá de quem e cujo o fim se antevê desastroso para os que agora começam a dar os primeiros passos na aprendizagem da língua.
Eu, como professora de línguas, abomino semelhante acordo que só trás como consequência confusão e angústia aos novos aprendizes, inclusive os estrangeiros, pois vai tornar a língua confusa e sem razão visível de melhoria pondo de lado os nossos nomes maiores da língua Portuguesa num terrível dilema: o que é certo, o antes do Acordo Ortográfico ou depois dele?
Que fazer dos dicionários, gramáticas, toda a riquíssima literatura portuguesa moldando-a de modo a formar uma outra língua que não a nossa língua mãe de antanho, num arrazoado de falar e escrever sem nexo.
Quando os que aprenderam connosco a falar, a amar a Língua de Camões, Angolanos e Moçambicanos rejeitam tal Acordo Ortográfico, somos nós que levámos o nosso falar por todo e a todo o mundo, e agora vamos apagar tudo o que aprendemos e ensinámos para usar uma nova língua, que soa mal e pior se escreve.
Apelo a todos os professores de Português, em especial, para que lutem nesta cruzada de abolir tal acordo maquiavélico que não augura nada de bom para o conhecimento desta língua tão bela e só vai enxovalha-la.
Nós que ensinamos línguas como vamos explicar estes fenómenos aberrantes aos povos que inteligentemente continuam a preservar as raízes dos seus falares, sejam eles Francês, Inglês ou Alemão?!
E, já agora, que fazer das gramáticas excelentes do Prof. Lindley Cintra, e de muitos outros que nortearam o nosso saber? Tive professores de grande nível no meu tempo de aluna da Faculdade de Letras de Lisboa, professores que em si eram o sumo do saber da Língua Portuguesa, além de Lindley Cintra, M.ª Lurdes Belchior, David Mourão Ferreira e o brasileiro Serafim da Silva Neto. Por esta "bitola" agora gizada entre os "Sábios" de Portugal e Brasil, tudo o que se faz, se estudou e defendeu como purismo da língua, será letra morta?
Que diriam Pessoa, Camilo, Camões ou mesmo Saramago deste desaforo?
Acordo Ortográfico
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Comentários
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“Jornal de Angola” ataca Acordo Ortográfico e recusa negócios
Por Luís Claro, publicado em 9 Fev 2012 - 08:40 |
Em editorial, o jornal escreve que “há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios”
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D.R.
A polémica em torno do Acordo Ortográfico continua. Agora é a vez dos angolanos, que ainda não o ratificaram, criticarem duramente as novas regras. O “Jornal de Angola” faz duas críticas, em editorial, ao acordo, na sequência da reunião, em Lisboa, dos ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
“Ninguém mais do que os jornalistas gostava que a Língua Portuguesa não tivesse acentos ou consoantes mudas. O nosso trabalho ficava muito facilitado se pudéssemos construir a mensagem informativa com base no português falado ou pronunciado. Mas se alguma vez isso acontecer, estamos a destruir essa preciosidade que herdámos inteira e sem mácula. Nestas coisas não pode haver facilidades e muito menos negócios. E também não podemos demagogicamente descer ao nível dos que não dominam correctamente o português”, escreve o “Jornal de Angola”, um dos países que não ratificou o Acordo Ortográfico.
O jornal defende que “os que sabem mais têm o dever sagrado de passar a sua sabedoria para os que sabem menos”, mas “nunca descer ao seu nível”, porque “é batota”.
E a seguir faz um apelo para que as diferenças entre os países sejam respeitadas. “Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a língua portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às leis do mercado”. “Os afectos não são transaccionáveis”, acrescenta
Nem consegui acabar de ler. Professora de línguas a referir que o acordo só "trás"?
A propósito de pessoas que "nortearam o nosso saber" e que "eram o sumo do saber da Língua Portuguesa", é necessário esclarecer que pessoas como Lindley Cintra e Maria Lurdes Belchior intervieram directamente na negociação do Acordo Ortográfico de 1990. E agora? Já não prestam? Não podemos usar à toa os argumentos, distorcendo-os quando nos convém!
E, para que conste, nenhum português escreve com a ortografia de Pessoa e muito menos de Camilo ou de Camões. Nem a senhora professora de línguas ensina tal ortografia aos seus alunos. E sobre Saramago, é fácil saber o que diria ele "deste desaforo": era a favor!
É fácil empolar o discurso com frases épicas de que toda a gente gosta. Mais difícil é fazer crítica informada.
P.S.: A gralha poderá não ser da senhora professora de línguas, mas numa carta sobre a pureza da ortografia não se pode confundir "trás" com "traz" ("acordo que só trás como consequência confusão")...
Não quero opinar acerca da nova ortografia, já que esse tempo de discussão passou. O que temos agora é uma lei, aprovada pela Assembleia da República, num país de direito. Que o Dr Moura queira escrever como lhe aprouver, que o faça. Que uma instituição pública, ainda que de direito privado, decida violar as leis estabelecidas neste País deveria dar demissão imediata. Mas há sempre uns que são mais iguais que os outros...
Quanto à língua de Camões, a sua "fermosura" poderá ou não ficar afetada. Não posso é falar hoje de outra "cousa" que não seja da sua formosura. A escrita da língua de Camões, antes e depois dele, é muito variada. Já no tempo da minha "mãi" era diferente. Ou seja, "a língua de Camões" é uma expressão para referir a Lìngua Portuguesa, em que o melhor cultor até hoje, como tal aceite por todos, foi Camões. Não quer dizer que se escreva como Camões, porque então teremos uma outra língua muito diferente da que o Dr Vasco defende.
Para além do erro já apontado do verbo trazer, repare-se ainda no "cujo o fim" utilizado pela senhora professora: talvez por isso o ME quer que os professores façam uma prova de ingresso na profissão. O correto é somente "cujo fim".
O falar da língua não é alterado. Como a senhora professora saberá com certeza, não está em causa a fonética do Português, que evolui naturalmente, nem a sua sintaxe, nem a sua semântica, todas elas com variações regionais tão profundas, estudadas pelo Prof L. Cintra nos seus estudos de dialectologia. O que está em causa é o aspeto convencional, de lei, que determina qual a forma comum a todos que as palavras devem ter para nos entendermos por escrito. A língua não soa melhor nem pior, soa na mesma, na certeza de que soará diferente na Madeira, em S. Miguel ou no Porto.
A escrita a sair de uso foi usada somente por Saramago, ainda assim em estilo literário que permite uma série de inovações e alterações ao uso quotidiano da norma. Os textos que conhecemos publicados dos outros autores referidos, são versões atualizadas ortograficamente. Penso que Camões não ia gostar nada da ortografia de Pessoa, nem Pessoa usou a ortografa de Camões. Nem convém nada que se escreva "Ai deus i u é", como nas cantigas medievais. Ou deveríamos lá voltar?
Lei? Qual lei?! Informe-se. O que há é uma resolução da AR, que na hierarquia legal, é o documento que menos valor tem. Lei é o Ortografia de 1945. O que está em vigor é a ortografia anterior a este disparate chamado de acordo ortográfico de 1990.
Aproveito para perguntar que português gostaria que fosse o oficial; o do século XII, século XVI ou século XX?!
Minha vetusta senhora,concordo plenamente que este acordo não seria necessário, mas, sabe como é- Os desocupados e incompetentes que conseguem ,sabe-se lá como sentar os pesados traseiros, nas cadeiras do ministério da (educação) qurem mostrar a sua ignorância,desfazendo o que está bem para criar as suas burrices.Por outro lado, concordo que as línguas vivas devem evoluir. A senhora, que melhor que eu, que frequentei a faculdade em frente da sua, cuja especialidade, não é como sabe o estudo do português...havendo no entanto professores muito acérrimos com a gramática e a semântica, digo-lhe que se por um lado também sou comodista, por outro devo admitir, que as línguas vivas, têm que evoluir. Contrariamente, continuariamos de geolhos como na época do nosso grande mestre, Gil Vicente... E até Camões num dos seus maravilhosos sonetos, (mudança) o ademite..Temos que evoluir, embora criticando a evolução que nem sempre segue o rumo desejado..........................
Fiquei logo no vetusta, e tomando por mote uma saída que teve hoje o ilustre Santana Lopes, essa figura indelével da história de Portugal e com muitas culpas no cartório deste aborto ortográfico, tenho a dizer-lhe isto: Vetusta é a sua tia!
Eu tb axo k o novo akordo ortonografiko não presta, nâo perxeb pq se mudou...
Ká eu vou continuar a eskrever komu aprendi, podem me xamar xtupido, mas pra mim he o correkto.
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