A polémica a envolver a Naviera Armas não é exclusiva da Madeira. Em Canárias o armador deixou de navegar entre El Hierro e La Palma, reduziu a frequência noutra linha (Santa Cruz de Tenerife e El Hierro) e prepara-se para reduzir a sua oferta na sequência do agravamento do custo do combustível. Opções que têm suscitado reacções de autarcas e empresários.
Também Alan Lam, um jornalista especializado, escreve na revista 'Cruise & Ferry info' que o preço dos bilhetes da Naviera Armas é exorbitante e que a aposta na construção sucessiva de novos e maiores navios pode deixar o armador espanhol em maus lençóis, podendo mesmo ir à falência se não encontrar mercados externos.
Tudo indica que o armador espanhol terá de colocar dois dos seus novos e modernos navios-ferry na linha que ganhou, entre Melia (sul de Espanha) - Cartagena e até ao porto de Séje, no sul de França. Uma linha subsidiada pelo Programa Europeu Marco Polo II no âmbito das designadas auto-estrada marítimas. Aqui está uma boa razão para uma retirada estratégica da Madeira.
Neste artigo e de acordo com um especialista da indústria dos ferries, a única forma de os armadores conseguirem dar a volta a esta situação de crise é racionalizarem a operação entre si. Esse mesmo especialista refere que para além de alianças com outros sectores, os armadores terão de fazer alianças entre si, evitando manter os custos fixos mesmo com quebras acentuadas da receita. Na Madeira os 'especialistas' querem mais armadores e navios, mesmo que não existam passageiros e carga para transportar.
Por curiosidade fui comparar os preços da 'linha' Morrojable (Furteventura)/Las Palmas assegurada pelas Armas com a 'nossa' Madeira/Porto Santo, pois ambas têm uma duração semelhante, um pouco mais de duas horas, e uma dimensão de tráfego semelhante, com uma viagem por dia.
Assim, um passageiro para viajar para o Porto Santo paga 51,28 euros. Em distância semelhante, a Armas cobra 75,56 euros. Ou seja mais 47%. Mas se for uma família de quatro elementos que queira levar um carro, neste mês de Fevereiro, a viagem entre Las Palmas e Morrojable custa 327 euros, quando de e para o Porto Santo custa 205 euros. Uma diferença de 59%.
A comparação entre os passageiros residentes revela não haver diferenças à primeira vista. Um porto-santense paga 37,07 euros enquanto um canário, de qualquer ilha, desembolsa 37,80 euros. Mas como os residentes na Madeira não têm estatuto de residente, pagam mais 37% que um canário, diferença justificada no facto de a Naviera Armas receber um subsídio de 24 milhões de euros dos governos de Madrid e Canárias para fazer o preço de residente para todas as ilhas, enquanto a Porto Santo Line não recebe um cêntimo.
É caso para dizer: santos da casa não fazem milagres.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...






