A reacção dos madeirenses e sobretudo dos agentes políticos ao anúncio da saída da Naviera Armas da 'linha' Canárias-Madeira-Portimão explica porque razão Portugal e mesmo a Madeira estão na situação de falência e iminente bancarota. Porque todos - poder, oposição e povo - reclamam serviços e regalias, mesmo que estes não tenham sustentabilidade ou qualquer racional económico-financeiro.
O debate em volta do caso Armas, alimentado pelos Media sem rigor ou verdade, mas apenas na óptica da conflitualidade e com isso na venda de jornais e aumento de audiências, explica porque chegamos aqui:
1. Um empresário espanhol oferece um serviço que pese o seu interesse se mostrou um desastre financeiro, pois as receitas geradas não cobriram os custos pois o mercado madeirense não tem dimensão: poucos turistas, quebra acentuada nas importações, exportações quase nulas;
2. Face à exigência do empresário e à sua iminente saída, em Portugal e na Madeira a solução é...subsidiar;
3. Num debate sem racionalidade, os agentes políticos até sugerem que não se respeitem as regras de mercado, beneficiando uns e prejudicando outros tal como o Dr. Jardim faz com o Jornal da Madeira; ou seja, o fim - oferta de transporte marítimo ou a pluralidade de informação - justifica o meio: o subsídio à custa dos impostos dos madeirenses;
4. Com o povo e os partidos da oposição a reclamar do agravamento dos impostos, como querem então estes manter a linha do Armas se esta só é viável com isenção de taxas - quebra de receita da APRAM, ameaça do posto de trabalho de 186 trabalhadores, etc - e um aumento de 35% do preço do frete?
5. A quem serve, afinal, a linha do Armas: os que não gostam de andar de avião - 25 mil por ano - ou os dois empresários (carne e fruta) que compraram camiões e trelas e que têm o dinheiro a arder e por isso acenam com o agravamento de preços de bens. Mas então se estão disponíveis para pagar mais pelo frete, talvez seja possível antes baixar o preço da fruta e da carne tal a margem de lucro que têm;
6. Pode um serviço que representa 18% da carga de frescos importada ter tanta influência no preço médio dos produtos, sabendo-se que os três grandes operadores da logística alimentar - Sá, Modelo e Pingo Doce - transportam os seus produtos nos porta-contentores pois beneficiam de preços mais baratos?
7. Afinal onde querem os madeirenses os seus impostos? Na Saúde? Na Educação? Ou a subsidiar negócios privados a pretexto de um qualquer interesse público de que beneficiam, afinal, cinco importadores e dois exportadores?
8. Importa esclarecer, por fim, que a Região não perde um milhão de euros de taxas, tarifas e outros serviços que eram pagos pelo armador espanhol. Vai é cobrá-los - e muito bem - a outros armadores que respeitem as regras do jogo.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...



