Era o estatuto da Madeira no Portugal de antes do 25 de Abril de 1974.
Era tão "autónomo", mas tão "autónomo", que quando tínhamos de viajar de cá para lá, ou de lá para cá, era obrigatória a passagem pela Alfândega para que todos os nossos pertences fossem vistoriados.
Claro que este estatuto não existia na prática, pois tudo era decidido pelo governo central mesmo que a Madeira tivesse capacidade para desenvolver o que quer que pudesse desenvolver.
Era NÃO! e não se falava mais nisso. À custa disso, a central de combustíveis do Atlântico foi deslocalizada para as Canárias, que têm actualmente dois grandes portos internacionais. E muitas coisas mais.
Mas, éramos um distrito " Autónomo", gerido pela Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, que lá ia fazendo o que podia e o que o governo central deixava.
Deu-se o 25 de Abri e a geração governante de então pensou que a as Ilhas Adjacentes seriam as últimas Colónias e que por nada deste mundo o País poderia perdê-las e não tiveram outro remédio senão concordar com a criação das Regiões Autónomas, como era pretendido por madeirenses a açorianos. Portugal continuava com uma zona económica atlântica grande, e cumpria-se um aspecto da democracia, que é a descentralização. Claro que esta aprendizagem não se faz de um dia para outro ou até numa geração.
Mas a memória da História é curta, e a geração que está agora no poder central, tem os mesmos defeitos dos que antigamente estiveram no governo central. São centralizadores e não têm conhecimento do que é o isolamento. Só interessa que o seu poder seja central e único. Tudo o resto são entraves.
Mas, não é assim!
Quer isto dizer que foi tudo bem feito até agora? Claro que não, mil vezes não!
Quer isto dizer que foi tudo mal feito até agora? Claro que não, mil vezes não!
Foram algumas coisas bem feitas e outras mal feitas. E teremos de viver com essa realidade, com a autoridade que a autonomia dá a essa realidade. Vamos todos trabalhar para que as coisas bem feitas continuem bem feitas e que as coisas mal feitas tenham solução para se tornarem menos mal feitas - o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.
Mas o ódio de alguns portugueses contra as autonomias não é de agora! Conto um episódio que assisti há cerca de 33 anos (1978 se a memória não me falha), estava eu em Lisboa, na Faculdade. Uma tarde eu e alguns colegas estudávamos num café ali para os lados do Campo Grande. Na mesa ao lado estavam outros estudantes, um deles, filho do director de um jornal diário - "A Capital". Falávamos de um "truque" que uns estudantes açorianos tinham descoberto. Discando - os telefones de então eram de disco - o 0 com força para trás, a comunicação era estabelecida sem custos de telefones públicos. Falávamos para casa a custo zero e quem perdia eram os CTT. Não me orgulho do feito, mas não fazia grande mossa, e os nossos orçamentos agradeciam. Claro que não era correcto, mas na altura os nossos bolsos de estudantes também andavam vazios. O nosso vizinho de mesa arrebitou os ouvidos e ouviu atentamente o que se comentava na mesa do lado e, no dia seguinte, talvez por coincidência, na primeira página do jornal do papá, um grande título dizia que estudantes das ilhas - não diferenciava Açores e Madeira - burlavam o estado. Lá se foi a oportunidade de falar para casa à borla.
Esse "jornalista" ainda hoje odeia a Madeira e não perde uma oportunidade para dizê-lo. Penso que vem desde essa altura, o ódio. Ou é defeito ou é feitio. De qualquer forma não é boa rês. O seu progenitor chamava-se F. Sousa Tavares.
Ainda é assim em muitos sectores da "intelectualidade" lisboeta. E como têm tempo de antena, podem deitar cá para fora o que querem, sem que seja possível contradizer. E há-de ser assim sempre enquanto o centralismo for nota dominante no nosso país.
Vamos continuar a ser o seu "Distrito Autónomo" e com direito à autonomia que eles deixarem e nada mais do que isso.
Apesar de tudo, continuo a preferir que tenhamos uma Região Autónoma do que um Distrito "Autónomo".
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...




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