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O Distrito AUTÓNOMO do Funchal

 
Pedro Melvill de Araújo
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Era o estatuto da Madeira no Portugal de antes do 25 de Abril de 1974.
Era tão "autónomo", mas tão "autónomo", que quando tínhamos de viajar de cá para lá, ou de lá para cá, era obrigatória a passagem pela Alfândega para que todos os nossos pertences fossem vistoriados.
Claro que este estatuto não existia na prática, pois tudo era decidido pelo governo central mesmo que a Madeira tivesse capacidade para desenvolver o que quer que pudesse desenvolver.

Era NÃO! e não se falava mais nisso. À custa disso, a central de combustíveis do Atlântico foi deslocalizada para as Canárias, que têm actualmente dois grandes portos internacionais. E muitas coisas mais.
Mas, éramos um distrito " Autónomo", gerido pela Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, que lá ia fazendo o que podia e o que o governo central deixava.
Deu-se o 25 de Abri e a geração governante de então pensou que a as Ilhas Adjacentes seriam as últimas Colónias e que por nada deste mundo o País poderia perdê-las e não tiveram outro remédio senão concordar com a criação das Regiões Autónomas, como era pretendido por madeirenses a açorianos. Portugal continuava com uma zona económica atlântica grande, e cumpria-se um aspecto da democracia, que é a descentralização. Claro que esta aprendizagem não se faz de um dia para outro ou até numa geração.

Mas a memória da História é curta, e a geração que está agora no poder central, tem os mesmos defeitos dos que antigamente estiveram no governo central. São centralizadores e não têm conhecimento do que é o isolamento. Só interessa que o seu poder seja central e único. Tudo o resto são entraves.
Mas, não é assim!
Quer isto dizer que foi tudo bem feito até agora? Claro que não, mil vezes não!
Quer isto dizer que foi tudo mal feito até agora? Claro que não, mil vezes não!
Foram algumas coisas bem feitas e outras mal feitas. E teremos de viver com essa realidade, com a autoridade que a autonomia dá a essa realidade. Vamos todos trabalhar para que as coisas bem feitas continuem bem feitas e que as coisas mal feitas tenham solução para se tornarem menos mal feitas - o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

Mas o ódio de alguns portugueses contra as autonomias não é de agora! Conto um episódio que assisti há cerca de 33 anos (1978 se a memória não me falha), estava eu em Lisboa, na Faculdade. Uma tarde eu e alguns colegas estudávamos num café ali para os lados do Campo Grande. Na mesa ao lado estavam outros estudantes, um deles, filho do director de um jornal diário - "A Capital". Falávamos de um "truque" que uns estudantes açorianos tinham descoberto. Discando - os telefones de então eram de disco - o 0 com força para trás, a comunicação era estabelecida sem custos de telefones públicos. Falávamos para casa a custo zero e quem perdia eram os CTT. Não me orgulho do feito, mas não fazia grande mossa, e os nossos orçamentos agradeciam. Claro que não era correcto, mas na altura os nossos bolsos de estudantes também andavam vazios. O nosso vizinho de mesa arrebitou os ouvidos e ouviu atentamente o que se comentava na mesa do lado e, no dia seguinte, talvez por coincidência, na primeira página do jornal do papá, um grande título dizia que estudantes das ilhas - não diferenciava Açores e Madeira - burlavam o estado. Lá se foi a oportunidade de falar para casa à borla.

Esse "jornalista" ainda hoje odeia a Madeira e não perde uma oportunidade para dizê-lo. Penso que vem desde essa altura, o ódio. Ou é defeito ou é feitio. De qualquer forma não é boa rês. O seu progenitor chamava-se F. Sousa Tavares.
Ainda é assim em muitos sectores da "intelectualidade" lisboeta. E como têm tempo de antena, podem deitar cá para fora o que querem, sem que seja possível contradizer. E há-de ser assim sempre enquanto o centralismo for nota dominante no nosso país.
Vamos continuar a ser o seu "Distrito Autónomo" e com direito à autonomia que eles deixarem e nada mais do que isso.
Apesar de tudo, continuo a preferir que tenhamos uma Região Autónoma do que um Distrito "Autónomo".

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Comentários

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Pretende-se um fórum constructivo e de reflexăo, năo um cenário de ataques aos pensamentos contrários.

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EXCELENTE artigo em vésperas de eleições ... !!! Todavia há uma contradição...é " que quando tínhamos de viajar de cá para lá, ou de lá para cá, era obrigatória a passagem pela Alfândega para que todos os nossos pertences fossem vistoriados."...então LÓGICO/EVIDENTE/INTUITIVO que tratavam a Madeira como INDEPENDENTE!!! ...Já agora: estudavam e escutavam ao mesmo o que se falava na mesa ao lado?!!...Dá para imaginar que belos profissionais deram...!!!!.. Muito médico ia estudar para o Campo Grande Anatomia, mas mais concentrado em escutar no que se dizia na mesa ao lado... daí não admira que troquem a localização do coração com a dos rins!!!!

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Excelente artigo...gostei...

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Quando falou na Junta ainda julguei que ia fazer um merecidissimo elogio ao Eng Rui Vieira, mas a estória era outra.... Dá uns exemplos caricatos e omite a autoridade máxima na altura, o Governador ( do Distrito Autónomo da Funchal). Depois vem a "asneira pegada" com erros e manhosas omissões.
"Mas o ódio de alguns portugueses contra as autonomias não é de agora!" Onde é que foi buscar essa? ´´Odio ' "Portugueses" ? Adiante...A sua estória das chamadas à borla é interessante, metade é verdadeira mas metade é mentira, redonda mentira. depois há a elevada pretensão que a hipotética escuta de uma conversa com o grupo que incluia a sua modesta pessoa, deu noticia na "A Capital". Mesmo que alegadamente o filhinho tivesse dito alguma coisa ao papá, a opção editorial nunca seria dele, Miguel. Depois é mentira pqê ? Pq esse esquema tb era prática dos madeirenses, ñ um nem dois, talvez centenas e aí eu ñ acredito que o sr ñ tivesse conhecimento desse facto - impossivel. Não, os açorianos é que eram os "maus" e até se depreende que ñ fora incluir os madeirenses na noticia esta até tinha sido muito bem feita. O sr é pior queixinhas do que alega do MST.
Quanto ao MST, ñ vejo a razão das aspas em jornalista, é o "tudólogo" com mais desmentidos e um ou outro processo, é verdade,mas foi um "pioneiro" na denuncia do desbaratar, prepotência, défice democrático, inimigo externo, linguagem insultuosa etc etc na RAM. Tudo verdades como punhos. Já agora: a sua progenitora chamava-se Sophia de Mello Breyer Anderson, acredito que tenha sido mais um desconhecimento seu do que uma omissão. Autonomia ? Já era......Isto de se fazer o que se quer (mal) com o dinheiro dos outros ñ cabe na cabeça de ninguém e inclui os futuros fornecedores de divisas para a RAM. Virá contadinho, com destino especifico e controlado, privilégios fiscais, de deslocação etc serão uma doce recordação. Igual ou pior do que no tempo do Distrito Autónomo do Funchal.Cumps

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Muito podia ser dito mas há quem ache que o seu umbigo é o centro do mundo e isso não vai mudar nem com os argumentos mais razoáveis!

Vou pegar apenas no elemento menos importante da carta. Mas o senhor acha que actualmente os seus pertences não continuam a passar pela "Alfândega" ?! A tecnologia é outra mas os seus pertences continuam a passar pela "alfândega" e continuam a existir regras quanto ao que pode transportar...

Ainda bem que esta autonomia soube ser responsável e que as consequências da mesma não afectam o país como um todo para que se possa ignorar os seus desvarios! (Ironia...)

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