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Empatar a Justiça matar a cidadania

 
Martins Júnior
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Acompanhei com alguma curiosidade e muito interesse as audiências  de julgamento de um caso em que era Autor (queixoso) o presidente do governo regional. Foram  cinco longos meses de trabalho para magistrados, testemunhas, advogados, oficiais judiciais e, sobretudo,  para os réus, o anterior director do DIÁRIO, Luís Calisto, e um jovem trabalhador da área da construção civil. Motivo: a resposta que este deu a uma pergunta "on-line" do DN sobre a continuidade ou não do dito presidente à frente do futuro governo: "Não, ao menos, para  não continuar a beneficiar o mesmo  clã que o apoia". Por isto e só por isto --- que pertence à literatura política desta aldeia --- arma-se um processo, convoca-se um tribunal, perde-se tempo, gasta-se  dinheiro, rebenta-se com a paz das famílias, enfim, mata-se a mais pura cidadania inscrita na Constituição da República Portuguesa: o direito à livre apreciação da governação.

Devo dizer que, ao verificar o aparato da audiência, as togas dos magistrados, os primorosos acabamentos da sala, perguntei-me a mim próprio, desiludido e revoltado: Foi para isto que o Estado Novo (Madeira Velha) investiu tanto num grandioso palácio…só para servir os caprichos dos donos da Madeira Nova?
Madeirenses, é tempo de acordar! Então, escolhestes um Homem para governar ou um "bufo-queixinhas" para vos sentar no banco dos réus?  Escolhestes um tutor dos vossos interesses ou um perseguidor das vossas vidas?...Todos foram obrigados a comparecer no tribunal: Juíz, Ministério Público, Advogados, Réus, Testemunhas. Todos, menos um: o "queixinhas", escondido no seu bunker ou na sua toca, orelhas fitadas, olhar doentio, fumegante, pronto a atirar-se às pernas do primeiro que se lhe oponha, para acossar-lhe a vida e roubar-lhe o que de mais precioso possui, o dom da liberdade, o direito à cidadania.

Aliás, foi notória a incomodidade  (o prejuízo, digo eu) deste mísero processo, que nem o próprio juiz conseguiu conter-se quando advertiu os promotores da defesa: "Despachem-se com isto. É que tenho processos mais importantes, de crimes, de presos. E até tenho lá dentro mais um processo feito pelo mesmo autor!" O mesmo autor, o mesmo presidente do governo. Ainda por cima, vindo de quem acusa a judicialização da política e apostrofa contra os não eleitos! E é o primeiro a pedir ajuda aos juízes e aos não eleitos para condenar  eleitores!

Conterrâneos meus, que geração estamos a formar?... Querem-nos corcundas e surdo-mudos, querem-nos amorfos e anestesiados, querem-nos répteis rastejando diante de qualquer esgazeado vigia da quinta?

Sei do que estou a falar. Também, há 22 anos, o mesmo autor mandou que me expulsassem  da Assembleia Regional durante mais de um ano, sem ordenado, só porque denunciei o roubo das pratas, cujo inquérito o PSD "abafara de forma comprometedora". Também fui julgado. Mas ganhei o processo e voltei a entrar de novo, cravo vermelho ao peito, sob o queixo murcho e o olhar caído dos deputados PSD a quem, da tribuna, saudei: "Agradeço a Deus e à Fortuna vos terem conservado a vida para me verem entrar hoje diante de vós, que há um ano me pusestes fora!"

Não podemos calar-nos, não! Somos culpados, todos nós, desta anormal situação semântica que faz da Autonomia sinónimo de Ditadura. Em consciência, não podia deixar de saudar a coragem do jovem trabalhador, que saiu absolvido, vitorioso, da sala de audiência. Parabéns ao DIÁRIO, aos competentes advogados que aceitaram patrocinar esta causa, parabéns às distintas testemunhas que deram a cara. Foi convosco que a Madeira passou a ficar mais livre! Mais autónoma!

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Comentários

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Pertinente esta carta do Sr. Martins Junior. Esya visto que afinal o Dr. Antonio Fontes tem toda a razão, este governo é mesmo Comunista/Totalitario/Fascista.
Perontes!!! Esta dito se me processarem vão ter de processar o Dr. também. Estou a repetir o que ele ontem disse.

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Quantos mais formos a dar a cara mais a fera ficará acossada. E quanto mais acossado o tirano mais represálias e ameaças fará, até que o círculo vicioso se torne insustentável. Qual Pirâmide de Ponzi, o verdugo acabará a açoitar, primeiro os seus oponentes, em seguida os seus próprios seguidores, depois os amigos, a família e finalmente ele próprio. O artº 37º da cCnstituição não será revisto de certeza absoluta, portanto quem não o respeita, ao menos que o conheça. Nesta democracia é preciso ser anónimo para se dizer ou escrever o que se pensa? Mas afinal, é crime assinar por baixo? A censura é uma arma dos covardes e a auto-censura é uma imposição ainda mais revoltante por não ter estatuto nem morada. Abaixo a tirania, seja no Magreb mediterrânico, seja no Magreb atlântico!

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Caro Leitor amsf

O seu comentário, que agradecemos, merece duas observações, nomeadamente no que toca ao ponto 2.º. Ao contrário do que pensa, ninguém ocultou esta história ou outras do mesmo teor. Simplesmente não temos por hábito fazer notícias com processos judiciais em que somos parte interveniente, seja como testemunhas ou como arguidos. Correcta ou não, esta prática é seguida também por vários outros jornais.
Em relação ao ponto 4: fique descansado que pelo menos da parte do DN ninguém o processará por ter opinião. Mesmo que diferente daquilo que julga ser a nossa posição.

Obrigado e continue a intervir neste espaço da forma responsável e acutilante como tem feito.

Miguel Silva
Coordenador

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Caro Miguel Silva

Perante este processo Kafkiano não sei como é que conseguem estabelecer critérios sobre que comentários ou parte de comentários (...) públicar! O exemplo ora relatado tornará impossível não incorrerem na ira o UI. A partir de agora poder-se-á averiguar o grau de medo do DN pelo número de (...) que aparecerem nos comentários e simultâneamente pelo grau de coragem dos seus leitores. O nº de (...) devem ser entedidos como um desafio ao regime!

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Caro amsf

Lamento desapontá-lo. O facto de alguns comentários aparecem com expressões cortadas com o sinal (...) não significa forçosamente qualquer referência à coragem do leitor ou o medo do DIÁRIO. Por exemplo, o seu texto inicial fazia referência a uma palavra em calão que considerámos perfeitamente dispensável e cortámos, como acontece em muitos outros comentários. Será isso coragem da sua parte? Medo da nossa parte? Ou será apenas falta de educação de quem escreve?

Obrigado

Miguel Silva
Coordenador

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Ora bem, para isso é que existe um moderador, ja me o fizeram varias vezes e nunca veio mal ao mundo por isso. Por vezes somos impetuosos e não medimos as coisas. Por mim só tenho a agradecer ao DN o facto de me permitir manifestar a minha opinião, algumas delas, classificadas de idiotas, mas, temos de admitir que também os idiotas leem o DN, sendo assim temos de escrever alguma coisa também para eles.

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Sim voce escreve muita coisa boa , agora nunca pensei que levasse tanto a sério a sua idiotice.

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E la estou de novo o senhor agarrado à minha perna!!! Ó home deixe-me em paz, sou uma pessoa comprometida e bem comprometida, se quer marido vá procurar noutra freguesia, desampare-me a loja, chô chô galinha!!!!! Arranje uma parede em crespo e ´vá se coçar nela.

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Sobre esta situação de que eu já tinha conhecimento apesar de estar no segredo dos deuses só tenho 5 coisas a acrescentar:

1ª - A pessoa que se viu nesta embrulhada devia ser indemnizada pelo Estado por este não garantir a livre expressão;

2º - O DN ao ocultar esta história, em que um seu leitor/"colaborador" está a ser perseguido, não fica bem na "pintura";

3º - Os juízes que sabendo estarem a ser instrumento de perseguição no mínimo deviam condenar o acusador - Alberto João Jardim - por litigância de má fé;

4 - Este Alberto João Jardim vai sair pela porta pequena perante todos aqueles que durante estas décadas foram-lhe passando cheques em branco. É possível enganar muita gente durante muito tempo mas não é possível enganar toda a gente durante todo o tempo.

O Estado, o DN, os juizes e o AJJ se se acham difamados pelo que escrevi processem-me (...).

Ao leitor Martins Junior agradeço ter tomado a iniciativa de dar a conhecer à opinião pública mais esta pérola do estado da democracia na Madeira.

Ao perseguido peço desculpa por os meus impostos estarem a servir para pagar a sua perseguição.

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Ja somos dois, será que vamos ser processados a seguir? O diabo que jure. Por mim tudo bem podem faze-lo, assim como assim de mim ninguem tira nada. Quem sabe não ganho umas ferias????

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