Refiro-me à carta da leitora Tânia Sofia, publicada na edição de 28 de Julho. Respeito obviamente a opinião desta leitora, mas discordo. É verdade que há muita coisa mal no ensino em Portugal, universitário e não só. Contudo, não me parece razoável querer guardar vagas para o que quer que seja, neste caso um mestrado, para alunos "que só conseguem concluir o 1º ciclo [de estudos universitários] em Setembro". Um aluno que tenha uma ou mais cadeiras por concluir, não está em igualdade de circunstâncias com um aluno que tenha concluído todas, mesmo que tenha uma média baixa. Nem é possível garantir, antecipadamente, que qualquer aluno conclua, realmente, o que quer que seja, mesmo que tenha uma média alta. Certamente que com alguns será muito provável, mas não é garantido. Na minha opinião, ter não é a mesma coisa que não ter, ou mesmo quase ter. É azar ficar "pendurado" por uma única cadeira, que possível ou provavelmente se fará num curto espaço de tempo. Mas isso não significa que seja correcto, nem justo, impedir que quem já tenha tudo feito, preencha as vagas que houver, agora, por preencher.
Também não concordo com a posição desta leitora, que critica o facto de terem sido ocupadas vagas por alunos "que não são propriamente da área e que não precisarão [do mestrado] para exercer, [em detrimento de] alunos que dele necessitarão para poder exercer". Não sei qual é a universidade nem o mestrado em questão, mas sou de opinião que o que deve prevalecer é, apenas, o mérito. Acho que em Portugal temos demasiada tendência para simplesmente passar ao lado do mérito. Os mestrados, os cursos, as vagas, etc., no meu entender, devem ir para os melhores candidatos. E os melhores candidatos são (espero eu!) os que têm 1º: aproveitamento; e 2º: as melhores notas. Ponto final. Não interessa se é para ingressar no mercado de trabalho, não interessa se é para progredir na carreira, para exercer, etc. Tudo isso é secundário - ou devia ser! As universidades devem existir para serem centros de profundo saber e de estudo sério. Se têm lugares limitados então que seleccionem os melhores. Nenhum "melhor" deverá ficar excluído para dar o lugar a um "pior" mas que é coitadinho por qualquer motivo. Os que conseguem ingressar na universidade, e desses os que conseguem acabar um curso decidirão, depois, o que fazer com o seu curso - mesmo que isso seja nada! - ou como gerir o seu percurso profissional, mas isso já não é da conta da universidade.
...VIGIEM O AVIÃO PRIVADO QUE ESTÁ EM SANTA...



