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A sabedoria dos pára-quedistas

 
António Ribeiro Marques da Silva
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Às vezes caiem na ilha individualidades vindas de fora que, obsequiadoras, dizem não verdades que deixam o madeirense não pensante, em êxtase, pois um elogio à terra cedo se transforma em mel para o seu ego. É esse o caso de uma das artistas que se apresentaram na primeira jornada do jazz realizada ontem, 9 de Julho, em Santa Catarina. A senhora iria apresentar interpretações em defesa da pureza do meio e os encantos da natureza, declarando que a eventual crítica não se referia à Madeira pois tínhamos sabido defender a ilha das agressões ao meio ambiente, sendo, por isso, a terra tão linda. Não, a Madeira é teimosamente linda apesar das agressões cometidas ao seu património natural e monumental. Essas têm sido cometidas sobretudo pela ânsia do dinheiro por parte de empresários sem escrúpulos. As recentes desgraças não se devem apenas à orografia e às irregularidades climatéricas, mas à ânsia de construção em locais vedados.

Vejo no "DN" num anúncio relativo ao "Molhe", nome que é dado ao emblemático Ilhéu da Pontinha, agora, parece que reduto de comedorias e diversões. A Senhora D. Bárbara Guimarães, em tempos, veio à Madeira e ficou encantada com o "Molhe". "Como é que vocês descobrem, aqui, coisas tão belas?", terá perguntado, segundo os jornais, naqueles termos ou semelhantes, aos vaidosos empreendedores do citado "Molhe". Vejo no "DN" parte dos anúncios relativos a iniciativas festivas do "Molhe" : "Menu de entrada, tremoços e amendoins, muita cerveja numa noite imperdível…" Será isso que estará reservado ao Palácio de São Lourenço, à Fortaleza do Pico e, até, aos bem mais modestos edifícios anexos ao farol de São Jorge? Parece que sim, pois diligentes e pressurosos deputados do PSD já andam a fazer recomendações à Assembleia da República nesse sentido, de resto mais que legitimamente, pois, segundo dizem, isto está consignado no Estatuto Político Administrativo da Madeira. Se isso é assim, em defesa da dignidade do nosso património histórico, defendo que se faça a revisão desse Estatuto, para que, no futuro não tenhamos festas de arromba naqueles locais com whisky, vodka e imperial até às 0h30, ao preço de um euro, festas dos jeans com caipirinhas ou uma noite "love Mary".

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Comentários

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tem toda a razão, mas o pior é que nada é eterno e a Madeira já está mesmo à beira do descalabro.

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Valha-nos então Santa Bárbara desta sua homónima tão cabotina....

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