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Uma questão de Cultura

 
Vítor Sardinha
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Vem este esclarecimento a propósito de uma carta de leitor do Sr. José Camacho, «O seu a seu dono» relativa ao concerto do Grupo Rajame, realizado no dia 21 de Maio de 2010 no Teatro Municipal do Funchal.

1- Nunca afirmei que a MÚSICA do Magrebe tinha uma forte presença na Madeira. O que disse é que a CULTURA do Magrebe tinha uma forte presença na Madeira, entre outras, como a africana, anglo-saxónica e espanhola que estiveram presentes ao longo do povoamento da ilha, para além da cultura principal e dominante, a portuguesa.

2- Quanto aos géneros musicais populares da Madeira, estão presentes o Charamba, a Mourisca, o Bailinho, o Baile da Meia Volta do Porto Santo e a Chamarrita (um subgénero em meu entender, que não é Mourisca).

3- O Charamba é o género mais antigo da tradição musical madeirense. O Charamba não prescinde da Viola de arame para a sua execução. A viola tocada na Madeira (uma das congéneres portuguesas) é como as outras, uma viola ''barroca'', aludindo essa referência ao período áureo da sua utilização, o Período Barroco (1600-1750). Tomando a última data 1750...até aos nossos dias, é fácil aferir da longevidade do género.

4- Viola de Arame ou Viola Madeirense? O Professor Dr. Manuel Morais, ilustre musicólogo que coordenou o livro «A Madeira e a Música», editado pelo Funchal 500 Anos em 2008, apresenta na página 92 ilustrações de várias violas: «Viola Braguesa», «Viola Madeirense» e «Viola Micaelense», situando por regiões (Braga, Madeira e Açores) os referidos cordofones. Acrescenta na página 93: «Na viola de arame em uso actualmente no Brasil, dita Viola Caipira...usa-se entre outras afinações, a acima empregue pela Viola Madeirense, a que chamam ''Rio Abaixo''».

5- Conheço o Sr. José Camacho há muito tempo e em diferentes contextos. O mais recente dos quais em que o referido Sr. frequentava como aluno o 13º Ano Profissionalizante (Técnico de Expressão Artística) na escola da APEL. Nesse curso, fui professor de História da Música e Práticas Musicais Madeirenses. Todos estes assuntos foram abordados nas aulas e os documentos e fontes (poucos é certo) têm servido para reconstruirmos a História da Música da região.
Por fim, queria também dizer que fui dos poucos docentes do curso a apaziguar e mediar alguns conflitos do Sr. José Camacho com os colegas, professores e escola...
A vida tem destas coisas...

P.S. - Quero agradecer as palavras elogiosas e de incentivo que me deram no final do concerto, o Dr. Francisco Faria Paulino e o Dr. João Henrique Silva. Estas foram proferidas segundo julgo entender, em virtude de ter conseguido construir um universo sonoro, a partir da História e Cultura da Madeira, alicerçando esse mundo musical nos cordofones tradicionais que toco, o Rajão e a Viola de Arame.
 

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Comentários

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caro amigo, eu sei que machuca a sua sensibilidade certos cromos,ignorantes, e ate pessoas que falam da boca pra fora e mal assinam o proprio nome.
mas nao tome a peito esses comentarios menos positivos,ironicos e ate envejosos desses cromos incultos e ignorantes que nunca vao dar valor ao que se faz na regiao.
so e unicamente o que vem de fora é que é bom !!!
continue o seu trabalho que é de louvar,
ALEX MADEIRA

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Antes de mais para quem fala em "mal assinar o próprio nome", acho que o nome "Alex Madeira" realmente é uma assinatura de fácil identificação, e remete-me para o ditado popular "faz o que eu digo, não faças o que eu faço", talvez fosse essa a sua intenção...
Gosto imenso de observar pessoas que falam da boca para fora, e dito isto, você! Se por acaso conhecesse o escritor da carta: José Camacho, saberia que de "cromo e ignorante" na área Musical este senhor tem pouco!
Ao contrário do que o Sr. Vítor Sardinha dá a entender com a sua carta de resposta, nunca a intenção expressa na carta que li no dia 27 Maio era para "machucar sensibilidades", antes pelo contrário era de chamada de atenção para informações que estão a ser dadas de forma incorrecta e sem bases históricas.
Na continuidade do seu comentário, fala de que o José Camacho nao "dá valor ao que se faz na Região, e que só e unicamente o que vem de fora é que é bom", o que faz-me soltar uma gargalhada de pura pena pela sua ignorância cultural.
José Camacho é um dos impulsionadores da valorização do nosso património cultural, das nossas raízes musicas, juntamente com os irmãos e amigos próximos. Foram eles os primeiros na Região a fazer recolhas e a arquivá-las, criando inicialmente o Grupo Algozes e posteriormente a actualmente conhecida a Associação Musical e Cultural Xarabanda. A quem o Sr. Vítor Sardinha deve muito!
É exactamente com o intuito de valorizar o que é NOSSO, que o Sr José Camacho interviu, sem nunca desvalorizar o trabalho que o Sr Vítor Sardinha faz actualmente.
Ao contrário da resposta do Sr Vítor, que remete para indoles pessoais e fora de contexto, que aí sim, denota-se falta de argumentos e bom senso.

Concordo plenamente consigo, realmente, muito me revolta quem fala da boca para fora!
Carolina Cunha

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É caso para dizer. D. Carolina Cunha, perdoe-lhe porque muitas das pessoas que aqui botam os seus escritos, fazem-no apenas a coberto do anonimato e ou para se sentires importantes a frente do espelho que eles nao teem. Conheço o Zé Camacho e sei o que ele tem feito em prol da Musica e também porque nao dize-lo da fotografia.

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Ao prof. Vitor Sardinha um voto para que contiue a dedicar-se ao estudo da música que emergiu na Madeira e Porto Santo, seja ela branca, preta, azul, amarela ou a furta-cores.

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