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Número de imigrantes estabilizou

Com o fim das grandes obras e a falta de trabalho, o número de imigrantes na Região decresceu até estagnar. Hoje vivem na Madeira cerca de sete mil

Com o abrandamento das obras na construção civil, muitos imigrantes saíram da Madeira, regressando aos países de origem ou a outros com mais oferta.
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Em 2006, as estimativas apontavam que cerca de nove mil imigrantes residiam na Madeira. Contudo, em 2008 e 2009, os números pararam em volta dos sete mil. O facto de as grandes obras na construção civil terem cessado e o desemprego também ter aumentado faz com que os novos imigrantes já não tenham tanta expressão. Porém, muitos optaram por ficar por cá e são esses que agora que têm expressão nas estatísticas, segundo os representantes de associações de imigrantes na Região.

Em 2008, 7165 estrangeiros residiam na Madeira, segundo dados disponíveis no portal de estatística  do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Em 2009, esse número desceu um pouco, fixando-se nos 7105. Segundo o secretário regional dos Recursos Humanos, Brazão de Castro, a descida nos números deve-se ao facto de muitos terem escolhido a Região para viver na fase das grandes obras, quando não faltava trabalho na construção civil. "Quando as obras terminaram, a intenção era mesmo essa, regressarem aos seus países", disse ao DIÁRIO, apontando que, desse conjunto de imigrantes, "alguns preferiram ficar por aqui".

Brazão de Castro referiu que não é possível deixar de falar no desemprego e na falta de oferta de trabalho. "Com mais desemprego, a oferta escasseia e isso pode ter implicações", frisou, sublinhando mesmo que "é certo que o número de desempregados é superior ao de anos atrás", mas que tal é sentido "na generalidade do país".

Com o passar do tempo, muitos dos estrangeiros que vieram trabalhar para a Região e que tinham habilitações também conseguiram resolver as questões relacionadas com certificados e exercer as verdadeiras profissões. O secretário regional deu como exemplo um engenheiro electrotécnico que começou a trabalhar por cá na construção civil e que agora está nos quadros superiores de uma empresa, exercendo o ofício que tinha no país de origem.

"Por cá, os imigrantes estão satisfeitos e bem integrados", vincou, recuperando as palavras da alta comissária para a Imigração, Rosário Farmhouse, na inauguração, a 15 de Julho, do Centro Local de Apoio à Integração de Imigrantes (CLAII). Em breve, Brazão de Castro terá acesso ao estudo no qual Rosário Farmhouse se baseou para proferir esta afirmação. Os dados provisórios do mesmo apontam que "há um grau de satisfação muito elevado" entre a comunidade imigrante a residir na Madeira. O governante acredita que o resultado final seja esse mesmo, já que também é essa a informação que passam as associações. "A mensagem que vão transmitindo é essa, os que aqui estão querem continuar, estão integrados e com filhos que até já falam português", afirmou.

Crise e desemprego empatam
Na comunidade islâmica da Madeira, algumas pessoas não conseguiram escapar ao desemprego e muito menos à crise. Segundo o porta-voz da Associação Islâmica da Madeira, Abdel Laasri, o problema agora está na renovação de contratos de trabalho, cada vez mais difícil.

Para Abdel Laasri, há dois anos e ainda no ano passado, verificou-se a saída de imigrantes para outros países já que procuravam "outros horizontes". Nessa altura, Espanha e Inglaterra foram dois destinos bastante procurados.

"Das pessoas que estão cá e que trabalhavam na construção civil,  a maioria perdeu o emprego", continuou, apontando, no entanto, que a maior parte dos islâmicos na Região estão empregados.

Tanto no ano passado, como  neste ano, "não houve muita entrada de novos imigrantes, estabilizou", frisou. Abdel Laasri acredita que "o desemprego também teve implicações" neste aspecto. "Eles não vêm porque as oportunidades escasseiam, muitos emigraram novamente, foram para outra terra", explicou.

O mesmo panorama é traçado pelo presidente da Associação Cultural e Recreativa Africana da Madeira (ACRAM), Augusto Mané. De acordo com o responsável, há um número de africanos atingidos pelo desemprego. Contudo, apontou que o maior problema continua a estar na documentação. Se os documentos não forem renovados, não há como também terem contratos de trabalho assegurados.

Segundo Augusto Mané, com o desemprego vieram muitas dificuldades. Na construção civil, a diminuição do volume de obras não facilitou, já que muitos imigrantes africanos conseguiram trabalho neste ramo.

Quanto aos que ficaram por cá, "estão bem integrados". "Os que optaram por ficar, gostam de estar cá, até já têm família", contou ao DIÁRIO, frisando ainda que esses "não pensam em sair". "Há muitos que querem trazer a família para cá, querem cá viver porque aqui é calmo", rematou.

No todo nacional, em 2009 viviam 454 191 imigrantes. Este número até subiu face a 2008, já que, nesse ano, a população estrangeira a residir em Portugal situava-se nos 440 277. Lisboa está no início na tabela, com 196 798 estrangeiros, seguida de Faro (73 277), Setúbal (49 309), Porto (28 107) e Leiria (16 989).

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