Moradores queixam-se da proliferação "selvática" de esplanadas na Baixa de Lisboa

15 Fev 2016 / 22:50 H.

    Os moradores da baixa pombalina e do centro histórico de Lisboa queixaram-se hoje do ruído e insegurança causados pela "proliferação selvática" de esplanadas, exigindo que a requalificação destes equipamentos no espaço público conserve a identidade da capital.

    No âmbito de um debate sobre a regulamentação de esplanadas, promovido pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, em Lisboa, que decorreu no auditório do Museu do Design e da Moda (MUDE), onde estiveram presentes cerca de 30 pessoas, os moradores alertaram para a ocupação "abusiva" do espaço público pelas esplanadas, defendendo que é consequência do "boom" turístico.

    "Nos últimos anos, -- não tenho nada contra as esplanadas - tenho visto as esplanadas a proliferarem de uma forma quase selvática", afirmou a moradora Helena, considerando-se "um animal em vias de extinção" por morar desde nascença na rua Augusta, uma das mais movimentadas artérias da cidade de Lisboa.

    A moradora alertou para a dificuldade dos bombeiros e viaturas de emergência socorrem em caso de urgência, devido à ocupação "abusiva" do espaço público pelas esplanadas.

    "Tive a má experiência do incêndio do Chiado [25 de Agosto de 1988] e assusta-me um bocado", desabafou Helena.

    Outros dos problemas apontados pelos moradores é o ruído das esplanadas, queixando-se do horário praticado e sugerindo que as esplanadas sejam recolhidas antes do encerrar do estabelecimento comercial.

    Em dezembro de 2015, a Câmara de Lisboa assinou um protocolo com a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior com vista à requalificação das esplanadas da baixa pombalina e do centro histórico da capital.

    O protocolo celebrado funciona através de um convite "a entidades credenciadas" para apresentarem propostas de dinamização dos espaços exteriores de estabelecimentos da baixa pombalina, que devem ser entregues até 31 de março de 2016 para que o júri tome uma decisão até 30 de abril.

    "Os autores da proposta vencedora serão convidados pela Junta de Freguesia de Santa Maria Maior a celebrarem com esta autarquia um contrato de prestação de serviços, tendo em vista apoiar e aconselhar a Junta de Freguesia na implementação do modelo vencedor", lê-se no documento base do concurso.