Em meio século Portugal reduziu produção cereais e Espanha triplicou

07 Mai 2015 / 17:10 H.

    Portugal produz hoje menos cereais do que há 50 anos, enquanto a vizinha Espanha, no mesmo período, quase triplicou a produção, indicam dados do GlobalStat, um novo portal hoje apresentado em Florença.

    Segundo o GlobalStat, uma organização da Fundação Francisco Manuel dos Santos e do Instituto Universitário Europeu, Portugal produzia 1,4 milhões de toneladas de cereais em 1961, passando para 1,2 milhões em 2013. Espanha passou, no mesmo período, de 7,5 milhões para 25 milhões.

    A iniciativa conjunta, segundo o presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, Nuno Garoupa, representa "um programa de internacionalização progressiva" da Fundação, um dos objetivos da instituição, como explicou em entrevista à agência Lusa.

    Pretende-se, disse, aumentar "o envolvimento da Fundação em atividades fora de Portugal" e, ao mesmo tempo, "permitir e facilitar futuros trabalhos, análises e discussões que centrem Portugal em comparação com o resto do mundo".

    Disse ainda o presidente: "Penso que é uma questão que preocupa o espaço público. O país continua a ser, até certo ponto, dominado por um discurso extremamente centrado em Portugal, extremamente isolacionista do resto do mundo, e a Fundação também tem um papel importante de contribuir para que esse espaço se abra, numa perspetiva mais comparada".

    O portal junta dados dos últimos 50 anos de 193 países, provenientes de 80 instituições que vão da UNESCO à Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), à Organização da Aviação Civil, à NATO ou à Organização dos Países Exportadores de Petróleo.

    E trata temas que podem ser comparados, como a demografia, a alimentação, a agricultura e a pesca, a energia, o desenvolvimento económico e o comércio, o ambiente, as atividades financeiras, a governação, os conflitos e os riscos, a mobilidade humana, a saúde ou o desenvolvimento tecnológico.

    De forma fácil e rápida, os utilizadores podem ver quantos são os habitantes do planeta, quanto tempo se vive em cada continente, onde aconteceram os mais graves desastres naturais e quantas pessoas afetaram, quanto dióxido de carbono produz a Europa em comparação com a Ásia, qual a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) de cada país, onde se vende a gasolina mais cara (Portugal tinha em 2012 das gasolinas mais caras do mundo).

    "Se quiser comparar a evolução dos últimos dez anos do nosso produto [PIB] 'per capita' com indicadores de natureza social ou humana, neste momento tenho de saber onde os encontro, nos vários portais, do Banco Mundial, OCDE, Fundo Monetário Internacional, ONU, e até outras instituições sub geográficas. O que o portal permite é (...) encontrar estes indicadores todos, no portal e poder eu relaciona-los", explicou Nuno Garoupa.

    De acordo com o responsável, o Instituto Universitário Europeu já tem um centro que está a preparar projetos nesta área, razão da aliança com a Fundação, que contribuiu fundamentalmente com a tecnologia. "Nós tínhamos a tecnologia, faltava-nos o capital humano, eles tinham o capital humano, faltava-lhes a tecnologia", afirmou.

    Dessa relação "nasceu" hoje o GlobalStat, gratuito e com cerca de 500 indicadores à escala mundial. Em segundos pode, por exemplo, saber-se que o PIB que mais cresceu em 2013 foi o do Afeganistão e o da Serra Leoa.

    E saber-se que, nesse ano, o PIB de alguns países baixou. Desde logo o do Sudão do Sul, que caiu quase para metade, seguido do Sudão, com menos 10,19 por cento. De todos os países do mundo, o terceiro com maior queda no PIB foi a Guiné-Bissau, com menos 6,71 por cento. Segue-se a Grécia, com menos 6,37, e depois Portugal, o quinto pior, com menos 3,23 por cento.

    A Fundação foi criada em 2009 por Alexandre Soares dos Santos e tem como objetivo a promoção de estudos e análises sobre a realidade portuguesa. O Instituto Universitário Europeu foi criado em 1976 para desenvolver o património cultural e científico europeu.

    Lusa

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