Moody's diz que economia de Angola vai crescer 7,8% este ano

20 Ago 2014 / 16:41 H.

 A agência de notação financeira Moody's enviou hoje uma nota aos mercados na qual prevê um crescimento da economia de Angola de 7,8% este ano, notando que pode melhorar a avaliação do crédito soberano do país.

A nota aos investidores surge menos de duas semanas depois de a agência de 'rating' ter revisto em alta a notação do país, de Ba3 para Ba2, e ter melhorado a perspetiva de avaliação de Angola de Estável para Positiva, o que indica que a análise sobre a evolução do país aponta para uma melhoria da solidez e das condições de crédito em Angola, do ponto de vista dos investidores.


"A nota Ba2 [abaixo do nível de investimento, ou seja, 'junk' ou lixo] atribuída ao 'rating' de Angola reflete a limitada capacidade institucional do país e a vulnerabilidade à volatilidade dos preços do petróleo, mas é suportada pelas perspetivas robustas de crescimento da economia e pelas sólidas contas públicas", lê-se no relatório, a que a Lusa teve acesso.

A nota que foi hoje enviada aos investidores não constitui qualquer alteração, mas explica a melhoria na avaliação e na perspetiva de Angola, divulgada a 8 de agosto, que assenta em quatro fatores: "força da economia, força das instituições, força orçamental e suscetibilidade a um evento de risco, que são os quatro principais fatores analíticos" na metodologia da Moody's.

"À medida que a produção de petróleo em Angola se expande até 2,1 ou 2,2 milhões de barris por dia em 2016, a perspetiva de crescimento da economia vai acentuar-se", escreve o vice-presidente e analista sénior da Moody's para Angola, Aurelien Mali, que assim estima "um crescimento económico de 7,8% em 2014 e 8,4% em 2015".

Na opinião da Moody's, "estas perspetivas anulam, do ponto de vista do crédito, o rendimento 'per capita' relativamente baixo", apesar do aumento da produção de petróleo em Angola, um setor que "domina completamente a economia", como comprovam os números apresentados no relatório: o petróleo vale 50% do PIB nominal, 75% das receitas do Governo e mais de 90% das exportações.

"É devido aos dividendos do petróleo que as autoridades têm os recursos necessários para garantir o desenvolvimento do país e para continuar a incentivar o crescimento do PIB não petrolífero", vincam os analistas da Moody's na nota aos investidores.

Assumindo um papel fundamental na criação de riqueza em Angola, a evolução e as características do setor petrolífero concentram uma boa parte da nota aos investidores, na qual se lembra que a produção de petróleo quase triplicou na última década, que Angola é o segundo maior produtor africano, com uma média de 1,73 milhões de barris por dia no ano passado, e que a posição no 'ranking' global melhorou de 23º para 16º, em 2013.

"Os preços do petróleo, que passaram de uma média de 28 dólares por barril em 2003 para 109 dólares por barril em 2013, ainda amplificaram mais a importância deste setor", lê-se no documento de 30 páginas enviado aos investidores internacionais.

Apesar de explicar detalhadamente as razões para a melhoria na perspetiva de evolução do 'rating' do país, o documento aponta também alguns riscos que podem até fazer a Moody's rever em baixa a perspetiva de evolução do 'rating'.

"Os constrangimentos no 'rating' de Angola incluem a muito limitada capacidade institucional do país, a sensibilidade ao preço do petróleo, e um certo nível de incerteza que rodeia o tema da sucessão política e a continuidade da política económica de Angola, dado o recente historial do país no período pós-independência", lê-se no relatório, que aponta ainda a evolução do preço do petróleo (passou de 66 para 98 dólares nos últimos quatro anos) e os riscos do crédito malparado e da elevada 'dolarização' da economia como elementos que podem fazer a Moody's degradar a avaliação do país.

Lusa

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