Paisagem urbana não pode ser tratada como problema de engenharia ou hidráulica

20 Fev 2014 / 17:17 H.

O arquitecto Rui Campos Matos considera que as medidas tomadas pelo Governo Regional para solucionar os problemas ocasionados pelo 20 de Fevereiro "transcendem uma pouco o âmbito correctivo".

Uma ideia forte deixada esta tarde, na II Conferência ' Memória e Desastres Naturais na Madeira. Catarse e (Re)Construção', realizada na Sala do Senado da Universidade da Madeira (UMa), no Campus da Penteada, no âmbito do projecto '(Des)Memória de desastre? Cultura e perigos naturais, catástrofe e resiliência. Madeira um caso de estudo'.

Rui Campos Matos, um dos oradores na conferência, mostra-se crítico para com as obras em curso na frente marítima do Funchal, que "parecem transcendem as medidas correctivas e preventivas deste tipo de acidentes". Lembra que são medidas que "envolvem a paisagem urbana do Funchal e tudo o que se prende com paisagem urbana e urbanismo deve ser decidido por equipas pluridisciplinares, onde estão historiadores, arquitectos, artistas, etc, não podem ser tratados como problemas de engenharia marítima ou hidráulica".

Outro dos oradores, Martinho Mendes, é porta-voz de um projecto educativo que visa "entender uma educação artística transdisciplinar, que engloba também a Geografia, para debater e analisar o conceito de paisagem numa perspectiva transversal".

Este projecto, vinca o orador, tem por objectivo "permitir junto da comunidade escolar, através das mais variadas estratégias, desenvolver um pensamento crítico, saber analisar, ler os sinais da paisagem". Uma vez que, sublinha, "a paisagem, mais do que um objecto, é um território de experimentação e um campo de experimentação, que dá para falar, também, de ordenamento de território".

   

 

 

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