Compras em empresa online deixaram dezenas de pessoas sem produto e sem dinheiro

18 Fev 2014 / 19:04 H.

    Várias dezenas de pessoas queixam-se de terem feito compras numa empresa de comércio online e de terem ficado sem produto e sem dinheiro, mas a empresa nega qualquer burla e garante estar a reembolsar todos os clientes.

    Carlos Pereira queria comprar uma televisão LCD e optou por fazer pesquisa na internet para perceber quais seriam os melhores preços. Fê-lo através do "KuantoKusta", um site comparador de preços, que lhe apontou a empresa Digilow como aquela com o melhor preço.

    Fez a compra a 09 de novembro, online, e esperou cerca de duas semanas pela televisão. Já próximo do Natal, pediu o reembolso dos 251 euros, uma vez que não recebeu o aparelho, mas não recebeu o dinheiro.

    "Já mandei mails, nada, e telefone não atendem", denunciou.

    Segundo a informação no site da empresa, a Digilow "é uma empresa de comércio online com preços low-cost", da qual fazem parte outras empresas que se dedicam ao mesmo negócio, como a GrandeM@rca ou a Eletropt.

    João (nome fictício) contou à Lusa que queria comprar uma máquina de lavar roupa e decidiu pesquisar na net, tendo também recorrido ao "KuantoKusta".

    "A empresa que apareceu com um preço mais convidativo foi a empresa 'Eletropt'. Selecionei o produto, registei-me, fiz a compra, aguardei a confirmação da parte deles em como havia o produto em stock e que poderia fazer o pagamento", adiantou, acrescentando que a 29 de novembro recebeu a confirmação em como o pagamento foi recebido.

    Deixou passar 20 dias úteis, que a empresa estabelece como prazo máximo para a entrega dos produtos, mas diz que depois disso os contactos, tanto telefónicos como por correio eletrónico, se tornaram mais difíceis.

    No site da Digilow, a empresa esclarece que não tem qualquer tipo de atendimento pessoal e que todos os assuntos são tratados via telefone ou correio eletrónico.

    É também disponibilizada uma morada, em Lisboa, mas segundo a empresa "não se encontra ninguém no local para atendimento ao público, apenas para receber correspondência".

    Mais de dois meses depois, João continua a aguardar que lhe devolvam os 362,85 euros.

    No Portal da Queixa, que se define como "a maior rede social de consumidores", há quatro páginas de queixas, num total de 80 reclamações contra a Digilow ou empresas associadas.

    Sérgio Vieira também recorreu ao 'KuantoKusta' quando quis perceber qual seria a melhor opção para a compra de uma máquina fotográfica.

    "Através do 'KuantoKusta' apareceu-me que o melhor preço era na Digilow", contou à Lusa, acrescentando que fez a compra por volta de 28 de novembro de 2013. 

    Mais de dois meses depois, Sérgio continua sem máquina e sem os 504,61 euros que pagou por ela, tendo, entretanto, apresentado queixa junto da DECO.

    A DECO revelou ter recebido já várias reclamações, a grande maioria relativas a "situações de incumprimento contratual", nomeadamente em relação aos prazos de entrega ou de reembolso.

    Rosário Tereso, jurista da DECO, disse que já reuniram com a Digilow, da qual receberam "bom acolhimento" em relação às preocupações manifestadas.

    "De facto recebemos algumas reclamações, mas temos também recebido respostas satisfatórias por parte da empresa e a grande maioria das situações que nos chegaram ao conhecimento têm-se resolvido favoravelmente", adiantou.

    Contactada pela Lusa, a Digilow diz ser uma "empresa séria", que "entregou sempre todas as encomendas ou reembolsou todos os clientes".

    Lusa

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