ONG elogia Madeira e Açores por proibirem pesca de arrasto

26 Nov 2013 / 14:45 H.

     A pesca de arrasto de fundo causa danos consideráveis e deve ser abandonada progressivamente, defendeu hoje o porta-voz das ONG portuguesas que integram a Coligação para a Conservação dos Fundos Oceânicos, apontando Portugal como um exemplo de boas práticas.

     

    Duas semanas antes da votação do Parlamento Europeu sobre uma nova regulamentação para a pesca de profundidade, Gonçalo Carvalho da Associação de Ciências Marinhas e Cooperação (Sciaena), uma das organizações não-governamentais (ONG) que integra a Coligação, sublinhou que "Portugal devia ser o maior defensor dos oceanos profundos a nível da União Europeia". Entre as "boas práticas" que assinalou encontram-se a pesca de palangre e armadilhas (covos), "artes de pesca muito mais seletivas" do que o arrasto de fundo que é praticado sobretudo pela frota francesa. As artes de arrasto e as redes são proibidas nos Açores e na Madeira há vários anos, uma medida considerada exemplar a nível internacional no que toca à proteção dos oceanos profundos e que Gonçalo Carvalho considerou que deve ser alargada.

     

    O responsável da Sciaena acrescentou ainda que, além de serem "altamente prejudiciais para os ecossistemas", as frotas industriais de arrasto de fundo são fortemente subsidiadas e geram menos empregos do que as que usam artes mais seletivas. O abandono faseado das artes de arrasto e redes abaixo dos 600 metros é uma das propostas que poderá ser votada no dia 10 de dezembro pelo Parlamento Europeu, no âmbito da legislação de pesca em profundidade

     

    "Esta seria uma oportunidade de valorizar as pescarias portuguesas e fomentar a criação de emprego", sublinhou Gonçalo Carvalho, lembrando que Portugal tem a maior zona económica exclusiva da União Europeia, sendo grande parte dela composta por ecossistemas de grande profundidade. Segundo um estudo recente da new economics foundation (nef - fundação para a nova economia), o arrasto de fundo tem um impacto destrutivo em ecossistemas frágeis e tem um custo líquido de 388 a 494 euros por tonelada de peixe. Além disso, cria seis vezes menos postos de trabalho por tonelada de peixe do que outros métodos de pesca, como o palangre. A Coligação para a Conservação dos Fundos Oceânicos (Deep Sea Conservation Coalition) congrega mais de 70 organizações, entre as quais cinco portuguesas.

    Agência Lusa

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