Engenheiro madeirense compôs 'Requiem a Inês de Castro'

Orquestra Clássica do Centro estreia tema a 28 Março

23 Mar 2012 / 16:49 H.

A Orquestra Clássica do Centro apresenta a 28 de março, na Sé Nova de Coimbra, em estreia mundial, o 'Requiem a Inês de Castro', composto por um engenheiro civil português, natural e residente na Madeira, Pedro Macedo Camacho.

Este Requiem para orquestra e coro está inserido no âmbito das comemorações dos 650 anos da trasladação do corpo de Inês de Castro para o Mosteiro de Alcobaça e no programa que assinala os 900 anos da cidade de Coimbra, que será apresentado num concerto dirigido pelo maestro Artur Pinho Maria.

"Sem dúvida que este foi um dos projectos mais difíceis que realizei. Para fazer este trabalho tive de ir além daquilo que eu alguma vez pensei ser capaz", disse à agência Lusa o jovem compositor, que assume ser "um engenheiro civil de profissão durante o dia e compositor e orquestrador à noite", sendo também professor de piano jazz e música electrónica.

O nome de Pedro Macedo Camacho é já conhecido a nível internacional na área da composição de música para vídeo jogos, com vários trabalhos premiados mas, como sublinha, "sem dúvida, neste tipo de trabalho de composição, a realização é maior", frisando com entusiasmo: "Não poderia haver nada melhor do que um projeto desta natureza".

O compositor madeirense faz questão de dedicar esta sua obra a Eurico Carrapatoso, um dos seus professores, pois considera que este "está para Portugal como Beethoven está para a Alemanha, sendo o melhor compositor português vivo e dos maiores mestres de composição que Portugal alguma vez teve".

Explica que, para concretizar este projecto, foi necessário "uma constante procura e autocrítica", o que representou "inutilizar muita música que poderia considerar como 'boa' em circunstâncias normais". "Mas Inês de Castro merece apenas o melhor possível, logo, tentei esticar ao máximo as minhas capacidades. Não sei se foi o suficiente - serão outros a julgar -, mas dei de facto o meu máximo", confessa.

Pedro Macedo Camacho realça que "90 por cento do Requiem foi escrito entre final de Dezembro de 2011 e início de Março de 2012", porque teve de "terminar outros projectos". "Não queria usar a tonalidade 'normal', nem nenhum tipo de serialismo. Queria algo novo, um sistema musical que fosse ao encontro da minha forma de ver a música. Fiquei praticamente um ano [até meados de Dezembro de 2011] a conceber o sistema", adianta.

Por isso, diz, o Requiem tem por base "um sistema complexo, que funciona de uma forma totalmente diferente de todas abordagens conhecidas no mundo académico", pois tentou "redefinir todos os conceitos base da música em algo mais genérico, onde sistemas como o serialismo ou a harmonia 'normal' [tonal] são casos particulares desta nova abordagem".

O 'Requiem a Inês de Castro', de Pedro Macedo Camacho, conta com a participação da soprano Carla Moniz e do barítono António Salgado, tem a duração de 41 minutos e está dividido em sete andamentos (Introït e Kyrie, Offertorium, Sanctus , Pie Jesu, Agnus Dei, Libera me e In Paradisum).

O concerto apresenta, também em estreia mundial, 'Cinco peças de Carácter', do ciclo inesiano de Eurico Carrapatoso, compostas há alguns anos, designadamente, 'Carácter Pírrico' (Pedro o Príncipe), 'Carácter melancólico' (Pedro e Inês na Fontes dos Amores), 'Carácter mefistofélico' (dança macabra de Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves), 'Carácter elegíaco' (À morte de Inês da Fonte das Lágrimas ao Cruzeiro de Alcobaça), 'Carácter heroico' (a vingança de Pedro, o cru). Eurico Carrapatoso tem-se destacado, em particular, pela produção coral e vocal sinfónica, entre os compositores contemporâneos, assim como pelas harmonizações de temas populares.

Professor de composição do Conservatório Nacional, Carrapatoso é autor de 'Requiem à memória de Passos Manuel', de 'Dez vocalizos para Leonor', de 'Magnificat em talha dourada' e de 'A Floresta', ópera sobre texto de Sophia Mello Breyner Andresen, entre outras obras.

Sobre as expectativas para o concerto, Pedro Macedo Camacho, depois de realçar a qualidade do trabalho da Orquestra Clássica do Centro, conclui: "Claro que estarei presente no concerto em Coimbra e acho que vou ficar muito comovido!".

Lusa

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