"Na Madeira a corrupção está institucionalizada e é legal"

Daniel Oliveira (BE) diz que Jardim é "o representante máximo do regime que tanto diz criticar"

16 Mai 2011 / 12:01 H.

O Bloco de Esquerda escolheu o espaço em frente à Assembleia Legislativa da Madeira para a sua acção de pré-campanha de hoje que teve como único objectivo denunciar a ausência de um regime de incompatibilidades e impedimentos, idêntico ao nacional, para os titulares de cargos políticos na Região. "Essa não existência faz com que, por exemplo, um deputado, de manhã, possa aprovar leis que o podem beenficiar à tarde", afirmou Roberto Almada.

O líder regional do BE prometeu defender, na Assembleia da Repúblcia, a aplicação da lei nacional aos cargos políticos regionais. "Queremos que a nossa Região não seja um off-shore político, onde um deputado possa votar uma lei que lhe concede, por exemplo e como já aconteceu, a exploração do casino de jogos do Porto Santo por 40 anos", exemplificou.

Esta manhã, Roberto Almada teve o apoio de Daniel Oliveira, militante do Bloco e comentador político que também abordou a inexistência de incompatibilidades na ALM: "Num momento em que o PSD e Passos Coelho falam, no País, em desperdício do Estado, no Estado gordo, com objectivo de cortar no Estado Social, temos um execelente exemplo, na Madeira, de um Estado clientelar e corrupto", afirmou.

Para o militante do BE é "impensável" que os deputados à ALM e os titulares de cargos políticos possam tomar decisões naquilo em que vão ter vantagens. "A Constituição da Repúblcia aplica-se no País todo, a ética política não tem off-shores, não há espaços onde é dispensável", disse.

Daniel Oliveira considera urgente que se coloque um travão à "impunidade absoluta" fde que goza Alberto João Jardim. "Aqui, na Madeira, os contribuintes pagam para enriquecer os amigos do dr. Alberto João Jardim", acusou.

O presidente do PSD-M e do Governo Regional também é também acusado de ser a " caricatura do regime". "O dr. Alberto João Jardim é o representante máximo do regime que ele tanto diz criticar, é o representante pleno dessa promiscuidade entre interesses públicos e privados em que pessoas usam o dinheiro dos contribuintes para enriquecer".

A ausência de legislação de incompatibilidades, igual ao resto do País, permite a Daniel Oliveira concluir que "na Madeira a corrupção está institucionalizada, é legal". Uma questão que nem pode ser explicada pelo regime autonómico: "A autonomia não serve para dizer aos madeirenses que podem ser mais roubados do que o resto dos portugueses".