PJ pede investigação à fuga de informação em favor de Pinto da Costa

No âmbito do 'Apito Dourado'

25 Set 2006 / 08:56 H.

Na sua edição de hoje, o Correio da Manhã revela que o aviso permitiu ao presidente do FC Porto ausentar-se do país, evitando a sua detenção e frustrando as próprias buscas.

O director da Polícia Judiciária vai solicitar à Procuradoria-Geral da República a abertura de uma investigação criminal à alegada fuga de informação no interior da PJ a favor de Pinto da Costa, no âmbito do processo 'Apito Dourado'.
Na sua edição de hoje, o Correio da Manhã revela que o aviso permitiu ao presidente do FC Porto ausentar-se do país, evitando a sua detenção e frustrando as próprias buscas.
Este caso de fuga de informação ocorreu na segunda fase da operação 'Apito Dourado', em Dezembro de 2004.
O Correio da Manhã (CM) acrescenta que a decisão do director nacional da PJ, Alípio Ribeiro, foi tomada na sequência de uma notícia publicada domingo neste diário, que dava conta de que Pinto da Costa foi avisado por um alto funcionário da PJ de que seria detido e alvo de buscas domiciliárias.
Fontes judiciais disseram ao CM que o aviso 'frustrou a estratégia da investigação, por ter sido o único suspeito a não ser surpreendido pela Polícia Judiciária'.
Em declarações ao Correio da Manhã, domingo à noite, Alípio Ribeiro afirmou: 'A Polícia Judiciária não poderia ficar indiferente a uma situação destas, mas também não pode nem deve investigar-se a si própria, até por ser um caso de relevância criminal, mais do que disciplinar'.
Segundo Alípio Ribeiro, 'não existe na PJ do Porto qualquer processo disciplinar sobre esse caso', o que, em seu entender, 'constitui mais uma razão para se actuar'.
Ao CM, Alípio Ribeiro disse ainda que quer 'tudo esclarecido' porque 'a Judiciária não pode pactuar com este tipo de situações, venham de onde vierem'.
'Além da eventual violação do segredo de justiça e dos deveres funcionais, estaria assim em causa uma acção contra a realização da própria justiça', acrescentou o director da PJ.
A notícia avançada pelo Correio da Manhã foi, entretanto, desmentida pelo ex-director da PJ do Porto Ataíde das Neves que em declarações ao 24Horas desmente que Pinto da Costa tenha sido avisado por um inspector da Judiciária de que ia ser detido no âmbito do 'Apito Dourado'.
O juiz Ataíde das Neves, actualmente a exercer funções de desembargador no Tribunal da Relação de Coimbra, garantiu ao 24 Horas tratar-se de 'uma notícia completamente falsa e sem fundamento, baseada num simples boato'.LUSA