Presidente da ADoP diz que Portugal tem sorte em ter atletas sérios num contexto difícil

11 Abr 2018 / 05:20 H.

O presidente da Autoridade Nacional Antidopagem (ADoP), Rogério Jóia, disse hoje que os atletas lusos são “sérios e não querem ganhar recorrendo à mentira”, lamentando que o desporto seja uma área complicada de gerir face ao dinheiro que envolve.

Numa iniciativa promovida pela Universidade Europeia, no âmbito da problemática do doping no desporto no panorama do Alto Rendimento, o presidente da ADoP falou de vários exemplos vividos em Portugal, numa conferência que também contou a presença do triatleta do Benfica João Pereira.

“Temos a sorte de termos bons atletas e gente muito séria em Portugal. Eu só mando controlar fora da competição quando há perigo, porque sei com quem estou a lidar”, começou por referir, justificando: “Sou inspetor de carreira e tenho obrigação de perceber o que está bem e o que está mal. Os atletas portugueses não querem ganhar recorrendo à mentira e, felizmente, a maioria são como o João [Pereira]”.

Ainda assim, o responsável máximo pelo combate ao doping em Portugal referiu que os atletas que acredita estarem limpos “têm mais margem”, porém não escondeu o desagrado pelas complicações que o desporto tem, muito por culpa do dinheiro que movimenta.

“Nunca conheci um contexto tão complicado como o desporto e não estou a falar só do futebol. O desporto mexe com muito dinheiro, é área que mais mexe com dinheiro no país”, salientou.

Por sua vez, o campeão de Europa de triatlo mostrou a sua perspectiva como atleta de Alto Rendimento, frisando que nunca sentiu necessidade de tomar substâncias proibidas.

“Nunca senti essa vontade por três motivos: Gosto de dormir bem e de estar bem com a minha consciência; Ganhar a fazer batota não tem o mesmo sabor; E, depois, tenho um clube, uma federação, colegas e o Comité Olímpico. Iria estar a queimar uma aposta em mim”, contou João Pereira.

De forma mais aprofundada, Rogério Jóia revelou alguns exemplos negativos vividos nos últimos anos, falando em especial do difícil combate na modalidade do kickboxing, que tem como grande consequência a “ausência de patrocinadores”.

“O kickboxing está muito ligado às substâncias que fazem crescer o corpo. É a modalidade com mais casos, por também estar ligada ao mundo da noite. A própria federação quer limpar a modalidade, expulsar esses atletas que estão ligados a comportamentos desviantes e depois percorrer-se outro caminho”, explicou.

O futebol e o ciclismo de estrada são as duas modalidades “mais importantes de controlar fora da competição”, segundo o presidente, que falou mesmo de uma situação grave vivida num clube ‘grande’ em Portugal, o Sporting.

“Todos os clubes deviam seguir essa forma de estar. Deviam ter alguém no clube a combater esse tipo de situações e até há um caso que é público num clube grande. Tivemos um jogador, o Douglas, que não disse o que estava a tomar e vai levar uma ‘porrada’. Este tipo de situações acontece”, lamentou,

Por fim, e relativamente a números concretos no que diz respeito ao futebol, Rogério Jóia desvendou que, em “30 anos, foram 10 os futebolistas apanhados” nas malhas do doping, no entanto, sublinhou que nos “últimos três anos e meio foram punidos cinco nos clubes ‘grandes’”, explicando também como funcionam actualmente os processos de controlo aos jogadores.

“Antes sorteava dois, agora encosto os 30 [jogadores] à parede e fazem os exames ao sangue, EPO e urina. No início torceram-se todos e enviaram-me várias mensagens. Hoje ninguém pia, mas também digo que não estou à espera de encontrar nada”, terminou.

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