Pais de Ricardinho viveram final entre rezas e o susto pela lesão do filho

11 Fev 2018 / 03:15 H.

Américo e Olga David, pais do capitão da seleção portuguesa de futsal, Ricardinho, que hoje venceu o Campeonato da Europa na Eslovénia viveram a final com a Espanha entre a fé e o susto pela lesão do filho.

“Valeu a pena. Deus ouviu as minhas preces”, desabafou a mãe do cinco vezes eleito melhor jogador do mundo, natural de Valbom, distrito do Porto, depois de um jogo em que “sofreu muito” e que só o recurso “à bomba de ar” a manteve depois da lesão do filho.

Lembrando que o triunfo após prolongamento por 3-2 sobre Espanha valeu ao filho um “prémio que ainda lhe faltava”, agradeceu o desfecho para que pudesse, no final, “chorar lágrimas de alegria”.

Remetido a uma cadeira de rodas depois de há anos lhe ter sido amputada parte da perna esquerda, o final do jogo não afastou os nervos a Américo David, refugiando-se em “mais um cigarro” em busca do relaxamento necessário antes de falar aos jornalistas.

“Sofri muito. Durante o jogo fui buscar o meu terço e rezei, rezei muito”, confessou entre lágrimas o pai de Ricardinho, vincando ser este um título com que o filho “sempre sonhou”, frente a uma Espanha “que não é uma seleção qualquer”.

Mais calmo, deixou que o orgulho passasse para as palavras: “Desde que o meu filho entrou para o futsal a modalidade conquistou muitos adeptos, com aquelas fintas em que ele é exímio. O meu filho sempre foi o melhor do mundo em tudo. Ele trabalhou e batalhou muito por isso”.

No rês-do-chão esquerdo de um Bairro de Timor em silêncio, a festa a dois continuou entre telefonemas de amigos, admitindo Américo David que no momento em que o filho se lesionou “deixou de pensar no jogo”.

“Eu queria que Portugal ganhasse, mas fiquei mais preocupado com a lesão”, explicou, sobre um filho com quem disse não “falar desde que há duas semanas integrou o estágio da seleção”, num raciocínio acompanhado pela esposa que, uma vez o jogo terminado, “só queria ter estado no pavilhão para poder saltar para dentro de campo e o abraçar”.

Recordando o filho mais velho, Hugo, “que está preso, e sem possibilidade de ter contacto com o irmão”, e o mais novo, Rúben, que também não viu a final “por ter tido jogo com a sua equipa de futsal”, Olga David expressou o seu desejo mais urgente: “uma boleia para ir esperar amanhã [no domingo] o filho a Lisboa”.

Convidado a comparar as incidências da final do Euro2016, em França, e as de hoje em Ljubljana, Américo David admitiu haver semelhanças, argumentando que a vitória só aconteceu porque “Portugal não é o Ricardinho, mas sim uma equipa”.

Ricardinho ergueu o primeiro título europeu de futsal de Portugal, depois de um jogo em que inaugurou o marcador, logo no primeiro minuto, e saiu lesionado.

O melhor jogador do mundo em 2010, 2014, 2015, 2016 e 2017 foi ainda eleito o melhor jogador da competição, juntando esta distinção ao título de melhor marcador, com sete golos.

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