Nem todos podem ser como Ronaldo e o futebol pode ajudar na inclusão social

Porto /
28 Set 2017 / 19:37 H.

O futebol pode ser importante na inclusão social dos jovens, embora nem todos possam ser como Cristiano Ronaldo, alertaram hoje especialistas num debate sobre o desporto como forma de integração.

O presidente do Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), Joaquim Evangelista, considerou que o “desporto tem de mudar de paradigma e há jogadores que não conhecem as causas dos problemas e não sabem por quem devem dar a cara. O sindicato tem uma visão integral dos jogadores e quer prepará-los para a vida”.

O líder do organismo que organizou o evento disse que se vivem no desporto e lamentou “a clubite aguda e a violência verbal nos discursos dos dirigentes dos clubes de futebol”, alertando os jovens para os sonhos no futebol.

“Nem todos podem ser como o Cristiano Ronaldo, que é um modelo de sucesso para todos os jovens. Também há o reverso da medalha, como é o caso do Fábio Paim, que não soube potenciar a sua carreira. O problema é que muitas vezes as coisas falham e depois nem futebol, nem escola”, alertou Joaquim Evangelista.

Inserido nas jornadas europeias do desporto, o debate realizou-se na Escola Secundária Marquês do Pombal, em Lisboa, que acolhe vários alunos refugiados, além de estar a formar cerca de 50 futebolistas.

Em nome da direção da Federação Portuguesa de Futebol esteve presente o ex-futebolista João Vieira Pinto, que se sentiu como “peixe na água” para falar sobre este tema.

“Nasci e cresci num bairro social do Porto e estou à vontade para falar de inclusão social. A escola nunca foi a minha prioridade, mas tive sempre muita sorte porque fui bastante ajudado nos momentos certos e pelas pessoas certas. Mas isso nem sempre acontece”, sublinhou o antigo internacional português que brilhou com as camisolas do Boavista, Benfica, Sporting e da seleção.

O antigo avançado disse que o seu “foco esteve sempre no futebol e aos 15 anos já estava perto” de se tornar profissional.

“Mas nem todos conseguem chegar ao topo e por vezes o mais difícil é a continuidade dessa ajuda. Por isso hoje digo aos mais jovens que nunca deixem de estudar. Nas seleções jovens a federação obriga os jovens convocados a estudar pelo menos uma hora por dia”, adiantou João Vieira Pinto.

Vítor Pataco, vice-presidente do Instituto Português da Juventude e Desporto, referiu que “desporto comporta uma série de variáveis que o diferencia de outras atividades humanas”, pois “tem um grande conjunto de conexões”.

Já Pedro Calado, alto-comissário para as migrações, evocou o facto de a seleção nacional, que foi campeã europeia, “funcionar como uma metáfora da inclusão, com lusodescendentes, nascidos na Alemanha, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Angola”, considerando que “o futebol é a metáfora do que poderia ser o mundo atual”.

Maria Teresa Mendes, presidente do Conselho para os Refugiados, sublinhou que a Europa, “infelizmente, trabalhou mal esta situação, mas Portugal esteve na primeira linha entre os países que se manifestou disponível para receber pessoas”.

“As quotas ainda não foram preenchidas em vários países europeus e em Portugal também não. Mesmo assim, o nosso país recebeu 1.400 refugiados e 900 pedidos de asilo. Estamos em presença de pessoas com vidas destruídas. E em risco de serem marginalizadas da sociedade. O futebol poderá ser um bom fator de inclusão”, assumiu.

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