Mais polícia numa festa que a crise no Sporting não estragou

Lisboa /
20 Mai 2018 / 14:48 H.

A semana conturbada que tem agitado a vida do Sporting não parece ter afetado em nada a festa que antecede a final da Taça de Portugal em futebol e que transforma a mata do Jamor num espaço de convívio e piqueniques.

Nas redondezas do Estádio Nacional, que a partir das 17:15 será palco da final entre o Sporting e o Desportivo das Aves, começaram a juntar-se desde a madrugada grupos de amigos, uns mais organizados do que outros, que até à hora do jogo vão comer muito, e alguns, beber ainda mais.

Na mata, a presença de mais polícia, em relação a anos anteriores, parece mesmo ser o único indício de que as agressões aos jogadores da equipa do Sporting, ocorridas na terça-feira, e a consequente crise que se abateu sobre o clube, podem ter causado preocupação aos organizadores.

Aos oito meses, Diego, equipado à Sporting dos pés à cabeça, dorme descansado no seu carrinho, que a mãe empurra na zona reservada à festa dos adeptos leoninos.

Joana Apolónia, a mãe, admite que durante a semana “quando a ‘coisa’ estava um bocadinho mais complicada” pensou não o levar, mas mudou de opinião quando percebeu que em termos de segurança “tudo estava assegurado”.

“Acredito que a nossa polícia está a controlar a situação. Acho que o pior já passou. Temos de saber todos viver o futebol e a festa da taça”, assegura Joana, que esteve no Jamor há três anos, quando o Sporting derrotou o Sporting de Braga na final.

Joana, que este ano ficará com Diego na mata a ver o jogo, numa das várias televisões disponíveis nas muitas “salas de estar” improvisadas na mata do Jamor, elogia o trabalho das forças de segurança: “Há mais polícia, estão a ser cuidadosos”.

Com o tempo a ajudar, a festa começou cedo para os adeptos das duas equipas, os do Sporting na zona situada por baixo da praça da maratona, os do Desportivo das Aves na mata junto ao topo sul do estádio construído em 1944 e com capacidade para cerca de 37.000 adeptos.

Rui Nunes e um grupo de 30 amigos, que aumentará ao longo do dia, achou um bom sítio para “montar arraial”. Há cervejas, um grelhador sempre a ser alimentado e até uma televisão para os que não têm bilhete verem o jogo, para o qual o Sporting partirá mergulhado na mais grave crise da sua história centenária.

Confiante, Rui acredita que os acontecimentos da última semana não vão impedir a equipa de “honrar a [camisola] verde e branca” e diz que hoje, independentemente das preferências, os adeptos do Sporting vão saber apoiar o clube, que na semana passada perdeu o segundo lugar da liga e o consequente acesso à Liga dos Campeões.

“Sabemos separar as coisas, há pessoas que são pró Bruno [de Carvalho] e há pessoas que são contra o Bruno, mas acima de tudo são Sporting”, garante, enquanto um amigo lhe lembra: “Diz aí que somos a maior potência desportiva do país”.

Habituada ao negócio, Palmira Pinto da Costa, uma vendedora de cachecóis, está desiludida com as vendas: “Está muito fraco, a gente paga muito de lugar e não sei se a gente ganhar para pagar o lugar”.

Palmira, que se assume como a única benfiquista de uma família de sportinguistas, garante saber que “muitas pessoas tiveram medo e venderam os bilhetes para a final, houve amigos dos meus filhos a fazer isso”.

Na zona reservada aos adeptos do Desportivo das Aves, que se estreia em finais da “prova rainha” do futebol português, também há festa, comes e bebes, e muito ‘fair play’.

Equipado a rigor, Ricardo Alves não tem dúvidas de que a festa vai ser grande: “Duas grandes equipas com muitos adeptos, tem é que se juntar todos e fazer uma grande festa”.

Ricardo desvaloriza o impacto da crise do Sporting no jogo e garante nunca ter duvidado da realização do encontro, admitindo que o cenário poderia ser diferente se os ‘leões’ fossem disputar a final com o Benfica ou com o FC Porto.

“Se fosse um dérbi, com o Benfica, ou um ‘clássico’, com o FC Porto, até poderiam pensar em adiar o jogo, agora com o Desportivo das Aves é uma festa, não há problema nenhum”, assume, garantindo que os cerca de oito mil adeptos do Aves querem levar a Taça”.

A seu lado, Ricardo Mota assume a simpatia pelo Benfica, mas assegura que o seu verdadeiro clube é o Desportivo das Aves, e garante: “Só volto ao Jamor se eles voltarem à final”.

Por volta das 19:00, caso não haja prolongamento, será conhecido o vencedor da 78.ª edição da Taça de Portugal, que pode fazer o Desportivo das Aves entrar na lista de vencedores, ou desempatar a luta entre Sporting e FC Porto, empatados no segundo lugar do palmarés, que somam 16 troféus cada um, menos dez do que Benfica, líder.

A festa continuará então para um dos lados, primeiro nas imediações do estádio, e depois mais a norte ou um pouco por todo o país.