Froome triunfa finalmente na Vuelta em Espanha ao fim de seis tentativas

10 Set 2017 / 21:29 H.

O britânico Chris Froome (Sky) subiu hoje ao lugar mais alto da 72.ª Volta a Espanha em bicicleta, conseguindo vencer a prova à sexta tentativa e depois de três segundos lugares.

Depois de ter sido segundo em 2011, 2014 e 2016, o britânico de 32 anos, que venceu o ‘Tour’ por quatro vezes, a última delas este ano, vestiu a camisola vermelha na terceira etapa e não mais permitiu a concorrência colocar verdadeira pressão nos seus ombros, ainda que nem sempre tenha estado no seu melhor.

No final, na praça Cibeles, ‘Froomey’ celebrou não só a sua primeira vitória na Volta a Espanha, como a ‘dobradinha’ Tour-Vuelta, um feito alcançado pela última vez por Bernard Hinault, em 1978, e que engrandece ainda mais o currículo desde britânico nascido no Quénia, em 20 de abril de 1985.

Depois da mudança para a África do Sul, aos 14 anos, Froome alimentou ainda mais a paixão pelo ciclismo e tornou-se profissional aos 22 anos, ingressando na Barloworld, equipa ‘multinacional’ em que corria o português Hugo Sabido.

Embora o salário fosse baixo e a competição exigente, Froome tinha, finalmente, conseguido o seu passaporte para o ciclismo europeu, reforçado com uma licença britânica, concedida pelas origens do seu pai e avós, depois de um aceso processo com a Federação Queniana, e com um lugar nos nove escolhidos para disputar o Tour.

Na estreia na prova francesa foi 84.º, na Volta a Itália do ano seguinte terminou em 36.º, sendo o sétimo na classificação da juventude. Os resultados impressionaram a Sky, que o contratou em setembro de 2009.

O seu primeiro ano na equipa britânica foi bastante discreto, mas, em 2011, foi escolhido para ser o gregário de Bradley Wiggins na Volta a Espanha, mas acabaria por terminar em segundo, depois de ter passado pela liderança, mostrando-se mais consistente na montanha do que o chefe de fila, que acabou em terceiro.

Depois da ‘Vuelta’, mereceu novo contrato de três anos com a Sky, que o apoiou no anúncio de que sofria de bilhárzia, uma doença tropical parasitária que destrói os glóbulos vermelhos, que lhe foi diagnosticada em 2010, mas que não tem cura.

A doença afetou a primeira parte da época de 2012, mas, na primavera, o britânico de Nairobi estava preparado para escoltar Wiggins no Tour. Na primeira etapa, perdeu tempo numa queda, mas, nas montanhas, revelou-se superior ao seu chefe de fila, criando uma polémica que alimentou a imprensa e que envolveu as mulheres dos dois corredores.

Mais do que as capacidades reais na estrada, prevaleceu a vontade da Sky, que ordenou a Froome que esperasse por Wiggins quando este desfaleceu na 17.ª etapa, escolhendo aquele que viria a ser campeão olímpico em Londres2012 para vestir a amarela. Desde esse dia, a relação entre os dois não voltou a ser a mesma, com Froome a ambicionar mais do que o segundo lugar de 2012, um resultado que chegaria um ano depois, na 100.ª edição.

A equipa britânica percebeu que era ‘Froomey’ o seu futuro e elegeu-o para ser o seu homem ‘Tour’. O ano de 2014 adivinhava-se risonho para o britânico, mas uma queda atirou-o para fora da corrida, e a tentativa de redenção na ‘Vuelta’ resultou num duelo favorável a Alberto Contador.

Pragmático, estabeleceu que 2015 seria de novo o seu ano, o do regresso ao lugar mais alto dos Campos Elísios e nada o demoveu. Mesmo contra gestos ofensivos do público e constantes suspeitas sobre o seu rendimento, Froome venceu a Volta a França, então com a oposição do colombiano Nairo Quintana.

Em 2016, apoiado por uma fortíssima Sky, Froome foi sempre o mais forte do ‘Tour’ e nem duas quedas, uma das quais acabou por correr montanha acima, enquanto esperava uma bicicleta de substituição, colocaram em causa o seu triunfo.

Mais tarde, competiu de novo em Espanha, à procura da vitória que já por duas vezes tinha ficado a um lugar de distância, mas voltou a ver outro ciclista levar a melhor, desta vez Quintana.

Este ano, tinha por missão fazer melhor em território espanhol do que nas cinco tentativas anteriores, conseguindo finalmente o tão procurado triunfo, e só por uma vez se pode dizer que tenha parecido ‘fragilizado’, quando no final da 17.ª etapa perdeu tempo para todos os favoritos.

Ainda assim, andou de ‘vermelho’ em 19 dos 21 dias da prova, onde conquistou a nona etapa e o contrarrelógio do 16.º dia, mostrou o domínio que tem exercido sobre o pelotão internacional nos últimos anos, conseguindo ainda igualar um feito alcançado pela última vez há 29 anos com a ‘dobradinha’ Tour-Vuelta.

O primeiro triunfo em Espanha junta-se às quatro conquistas da Volta a França, num total de cinco grandes voltas, o sétimo melhor registo histórico, e o objetivo para 2018 deverá passar pela tentativa de igualar o recorde de cinco triunfos no Tour, conseguido pelos franceses Jacques Anquetil e Bernard Hinault, pelo belga Eddy Merckx e pelo espanhol Miguel Indurain.

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