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A maioria das 40 Casas do Povo está com a 'corda ao pescoço', acumulando dívidas.

Casas do Povo desesperam por 1,5 milhões de euros

Governo Regional ainda não disponibilizou as verbas do corrente ano
Data: 23-10-2009 Comentários: 2

Onde anda o dinheiro que nunca mais chega às Casas do Povo da Região referente ao ano económico de 2009? Qualquer dia iniciam-se os preparativos para o Natal e o financiamento de 1,5 milhões de euros prometido pelo Governo Regional que advém dos contratos-programas entre as respectivas agremiações... nem ver. E não vêem por uma razão simples: os protocolos entre a Secretaria Regional do Ambiente e Recursos Naturais e as instituições tardam em ser assinados.

Ainda assim, a esmagadora maioria dos presidentes das colectividades trocaria a resposta pelos montantes devidos e, só depois, se, os governantes o entenderem, que esclareçam às direcções das 40 Casas do Povo existentes os períodos cada vez mais longos na atribuição das verbas.

Depois de alguns presidentes serem contactados pela reportagem do DIÁRIO, afirmam terem a noção do tempo difícil que atravessa a economia madeirense, mas respondem serem os primeiros a sentir essas dificuldades, especialmente para poderem pagar despesas a fornecedores, entre as quais, as rendas e as contas de telefone.

Este ano, a Casa do Povo da Boaventura, por exemplo passou enormes dificuldades para poder retirar uma carrinha de uma oficina mecânica, depois de uma avaria no veículo. Salários em atraso também afectaram os funcionários. Robert Santos, na ocasião levantava a ponta do véu ao questionar: "Mas é só a minha?".

A dificuldade alastra-se às restantes. "Nunca sabemos com que montante contamos para as nossas actividades. Torna-se extremamente difícil desenvolver seja o que for", adianta um presidente de uma das Casas do Povo do norte, um dos muitos ligados directamente com o Partido Social Democrata, que por temer represálias, rejeita dar a cara publicamente. Explica que a solução, muitas vezes passa pelas Juntas de Freguesia ou pelas Câmaras Municipais. "Se não forem o apoio destas, jamais conseguiríamos arranjar dinheiro para o desenvolvimento das iniciativas", sustenta.

Existem, outros, que vão se arremediando de acordo com as ofertas que têm. Na Calheta, a Casa do Povo local adaptou-se à realidade. Fez obras num dos pisos. A procura de empresas para ministrarem cursos de formação nas instalações cresceu e possibilita um encaixe financeiro substancial desde então.

Henrique Silva, presidente da Casa do Povo do Porto Moniz é dos poucos dirigentes que diz não haver problema com atrasos. No entanto, confirma que os corpos sociais são uma espécie de ginastas: "Não podemos dar o passo maior do que a perna e muitas vezes é necessário fazer uma ginástica para controlar as coisas", concretiza.

Em São Roque do Faial, Heliodoro Dória está de saída da presidência e sem querer se alongar em pormenores, responde com uma questão: "Diga-me qual Casa do Povo que não precise de dinheiro? Nós precisamos até porque somos das que mais actividades tem e já foi público que tivemos algumas necessidades para aguentar uma funcionária", concretiza.

ACAPORAMA aguarda assinatura de protocolos

Manuel António Correia, recentemente, na tomada de posse na ACAPORAMA - Associação das Casas do Povo - assegurava aos elementos das diferentes direcções que a Secretaria Regional das Finanças disponibilizaria 1,5 milhões de euros. Luís Madruga, presidente da Associação, disse, anteontem, que a informação que tem é que "brevemente serão assinado os protocolos", admitindo que possa existir pontualmente dificuldades. "Salários em atraso ou outras necessidades mais prementes nunca me foram transmitidas", revelou.

A lista de associados praticamente não conta para contabilizar receita. Não se paga quotas nestas instituições atendendo que são aposentados. Encontram nestes locais tempo para poderem conviver ou aprender ensinamentos através dos muitos cursos que as Casas do Povo organizam.

Reacção: Falta o parecer de Ventura Garcês

A Direcção Regional de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DRADR), pela voz do director regional do Agricultura e Desenvolvimento Rural, confrontado com a problemática dos atrasos dos pagamentos às Casas do Povo, disse estar apenas e só à espera do parecer da Secretaria Regional do Plano e Finanças, tutelada por Ventura Garcês, para avançar com as assinaturas dos contrato-programa.

"As Casas do Povo enviam-nos até Abril/Maio os relatórios e os planos de actividade para o ano em curso. Depois de verificarmos os documentos, enviamos para respectiva validação da SRPF. Por sua vez, estes emitem um parecer (que é o que nos falta) para disponibilizarmos as verbas", explicou Bernardo Araújo.

Porém, ressalva que as Casas do Povo "não ficam desprotegidas", assegurando: "nós o que fazemos é libertar duas tranches semestrais. A primeira das quais, logo após a assinatura dos protocolos e, a segunda, no início de cada ano... naturalmente referente ao ano transacto", concretizou o director regional da Agricultura, que foi incumbido pela respectiva Secretaria de explicar a situação.

Victor Hugo

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Comentários

 

anonima : Actualizado: 23-10-2009 12:00:06
pagamentos: onde estará o dinheiro? que pergunta mais ingénua...eheheh

dimitrios » Dimitrios : Actualizado: 23-10-2009 11:59:39
...: Não há dinheiro para mandar cantar um ceguinho... Estou muito curioso para ver como é k vai ser agora com a lei imposta por Bruxelas em k os fornecedores têm de ser pagos a 30 dias ehehehhe

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