Clubes ameaçam Governo Regional... mas pouco

Rui Marote foi escolhido como porta-voz da comissão constituída pelos clubes e associações

Demorou, mas finalmente os clubes e associações desportivas lá tomaram coragem para se reunir e apertar com o Governo Regional. Em cima da mesa questões simples como a transferência das subvenções financeiras contratualizadas com o IDRAM e ainda o pagamento dos custos com as viagens para o continente e ilhas.

A notícia, já muito batida, em si nada tem de novidade, o que é bem diferente do encontro que se realizou na noite segunda-feira. A reunião, transversal a várias modalidades é mesmo uma novidade rara nesta ilha de gente pouco dada ao agregar de esforços e associativismo e portanto, mais habituada ao ‘dividir para reinar’.

Essa é, de facto, a grande novidade da reunião de ontem, pois não há memória de um encontro assim entre clubes e associações.

Algo só possível a muito custo, diga-se, depois de cinco anos de atrasos nas transferências do futebol jovem (facturas que deverão colar no tecto) e de cinco meses de atrasos irremediáveis nas subvenções financeiras e no pagamento das viagens dos clubes.

Tal como dizia o meu professor de regimes políticos, António de Sousa Lara, a fome é a principal razão para a revolta popular. Daí que aposto que nos próximos tempos a contestação ao regime vai aumentar, mas nunca de forma generalizada.

Todavia, a constituição de uma comissão que vai pedir uma reunião urgente com o vice-presidente do Governo Regional (já que Jardim viajou para Bruxelas), parece pouco para quem está mesmo aflito. Ou seja, no meio da evidente coragem dos dirigentes desportivos, faltou assumir uma posição de força: exigir uma data para uma resposta concreta sobre o assunto!

Por isso, aposto que daqui a duas semanas o assunto ainda está por resolver. Veremos o que acontece.
 

Comentários

Os apoios públicos devem ser sempre incentivos ao arranque. Depois deve vir o desmame e nunca a dependência. Daí que é necessário arrancar do zero.

Quanto à atitude de se unirem em torno de uma causa, muito bem. Acontece que acordaram tarde. É o canto do cisne. Gostaria era de ver esta atitude noutras áreas, a começar pela sociedade civil, da saúde, da educação, etc. Isso sim, é o que importa no momento.
Se sobreviver algum clube, serão os históricos de sempre.

Previamente ao comentário, que fique claro o seguinte: quando falo de desporto falo de futebol e sou um maritimista assim meio para o doente.

Plenamente de acordo com o comentário. Os clubes, sejam eles de que modalidades forem, viveram à sombra da subsídio-dependência e nunca se preocuparam ou tiveram a perspicácia de prever que um dia a torneira ia fechar-se. Os clubes ou associações desportivas, mais do que nunca, têm de tornar-se sustentáveis, caso contrário não há Estado que aguente. Foi bom, durante anos, assistir ao que se viu na Madeira no que ao desporto diz respeito, mas a verdade tem de ser assumida: era impossível manter-se ad eternum. Foi uma loucura tanto clube a competir nos campeonatos nacionais. É incomportável uma região com 280 mil habitantes conseguir aguentar. Temo que os maiores clubes da Madeira, Marítimo e Nacional - pois o União, enfim... - terão sérias dificuldades em se manterem no escalão máximo do futebol se não se tornarem sustentáveis. Somos ilhéus, com 280 mil habitantes e é essa a realidade que temos de enfrentar. Não vale a pena as megalomanias que apenas servem para colocar em evidência uma inferioridade recalcada.

O desporto da Região perdeu o seu tempo para fazer a mudança. Agora já não é tempo de refazer o desporto com as mesmas regras e nos mesmos moldes. Irem falar com o vice-presidente, é puro teatro e circo para a comunicação social, a verdade é outra: Não há dinheiro,.Não existe há muito! Mas quando começaram a ver essa falta, o que foi que as Associações fizeram? E os clubes? Nada. Esperaram pelo governo,.O dinheiro era fácil. Agora que os tempos são de vacas magras, tenho uma enorme curiosidade em ver quantos desses grandes gestores desportivos vão aguentar na direcção dos clubes e das associações? Vão reunir e pedir dinheiro. E se a resposta for de que não haverá dinheiro tão cedo? Ou se houver, será muito menor do que aquele que tem havido até agora?
O desporto foi somente pensado em termos federados, as pessoas viram o buraco e fartaram-se, por isso existem agora menos praticantes por modalidade, o sque as praticam têm de pagar para as fazer, mas como não há dinheiro...os clubes ficam sem dinheiro e sem atletas. As associações têm menos dinheiro porque recebem per capita, e todos ficam com menos, quer dizer, se continuar a haver dinheiro do Estado, claro...Façam como já faço há muito tempo, faço desporto "desfederado", é mais seguro, e mais barato, por outro lado é garantido em temros de espaços para o praticar. Pratico na rua, aliás tal como sempre o fiz desde que era criança...Este desporto é mesmo um ciclo circular...

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