Caiu o Regime
Sem que muitos se tivessem ainda apercebido, a verdade é esta: o Regime caiu. E caiu porque perdeu toda a base moral e ética que ainda lhe pudesse restar aos olhos da Nação. E a Região apercebeu-se disso.
As nações e os povos precisam de uma força moral que as possam justificar como entidades autónomas perante os outros povos e nações. Este Regime já não assegura, perante o País, a força moral de que a Autonomia carece. Por isso ruiu sem grande estrondo, a não ser o mediático e financeiro. E isso, nos tempos que correm pode ser tudo, se corresponder à realidade. O Regime, que parecia ter sido salvo com a aluvião de 20 de Fevereiro do ano passado, submergiu na aluvião financeira que ele próprio criou.
Aquilo que aconteceu ontem, com o Presidente da República a condenar tudo o que se passou na Madeira, mesmo que não tenha atingido a intensidade simbólico-formal que alguns desejariam, tem um significado político profundo: o Regime caiu – sem que ninguém tenha dado por isso, e sem disparar um tiro, como se diria se se tratasse de um País independente. Em última análise, podemos dizer que, se Henrique IV dizia que Paris vale bem uma missa, Cavaco e Passos acharam que o regime político da Região não valia uma comunicação ao País com Bandeira e Hino. O Regime caiu e caiu de podre.
Quanto ao ato eleitoral do dia 9, mudei de opinião - não vale um adiamento. Para além do desejo do reforço generalizado da Oposição, e até uma eventual perda de maioria absoluta, a verdade que nada temos a esperar de umas eleições que ainda vão realizar-se no atual quadro político, com os condicionamentos conhecidos de toda a espécie. As eleições legislativas regionais do próximo dia 9, do ponto de vista democrático, realizar-se-ão no mesmo quadro espartilhado com que se fazem as eleições internas no PS-Madeira - isto é, não são eleições livres. Por isso, encaro-as com a mesma expetativa com que encaro o próximo Congresso do PS: sem expetativa.
E porque é que sinto a necessidade de falar do PS aqui: porque, obviamente, sendo ainda aqueles partidos, o PS e o PSD, os dois maiores partidos, não têm dirigentes com garantida idoneidade democrática para preparar o que é necessário fazer. Do PSD conheço o que todos conhecem. Cai Alberto João Jardim, mas os principais dirigentes do PSD estão comprometidos com tudo o que se passou de pior, e pouco ou nada têm a ver com o que foi feito de bom.
Do PS, conheço ainda mais e melhor e tenho o dever cívico de dizer que os seus principais dirigentes não dão garantias democráticas para dirigirem a Região: o mesmo sentimento setário - e ficava-me muito mal dizer que é pior -, a mesma mania persecutória aos militantes que não apoiam as suas facções, o mesmo apetite para ocupar os lugares internos e externos de que o partido dispõe, a mesma lógica de partilha familiar, a mesma ou outra ou até inédita atitude estulta de elitismo sem fundamentação de qualquer espécie – nem ideológica, nem cultural, nem política – e não direi de natureza socioeconómica porque estamos a falar de um partido socialista assim designado, embora eles se esqueçam sempre disso. Enfim, não estão à altura dos desafios. Ou seja, com os atuais dirigentes do PS no poder, as garantias de umas eleições livres na Região seriam as mesmas que com os atuais dirigentes do PSD – nenhumas! NENHUMAS!
Que fazer? Em democracia há sempre soluções.
Em qualquer circunstância, no Domingo, às 18.00 horas, é tempo de se indignar mas é também tempo de festejar: o Futuro chegou – caiu o Regime!
Comentários
Só destaco que o PS não presta para nada, e não tem gente de jeito... quando fazem conferências para ouvir o Luís Amado, vemos como de mal estão...
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