A reforma do sistema financeiro internacional, o combate às violações dos direitos humanos e garantir o crescimento económico com distribuição de rendimento são caminhos apontados pelo ex-Presidente brasileiro Lula da Silva para uma nova governação mundial.
Luiz Inácio Lula da Silva fez estas considerações durante o seu discurso na entrega do Prémio Norte-Sul, que lhe foi atribuído hoje, na Assembleia da República, sendo laureada também Louise Arbour.
"O mundo não pode tolerar a violência contra as pessoas, a violação de seus direitos vitais inscritos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada pelas Nações Unidas em 1948", referiu Lula da Silva.
Segundo o ex-Presidente brasileiro, esta declaração, passados tantos anos, ainda não é respeitada em diversos lugares do mundo.
"O processo democrático ganha nova dimensão quando acompanhado da garantia dos direitos económicos e sociais básicos, da redução das desigualdades e da construção de uma sociedade mais justa do ponto de vista social e económico", referiu Lula da Silva.
Segundo o ex-Presidente, "os países emergentes estão a demonstrar, na prática, que é perfeitamente possível combinar um crescimento económico vigoroso e continuado com uma forte distribuição de renda e ampliação dos direitos sociais."
"A paz que desejamos só será completa e duradoura se forjarmos uma ordem económica internacional menos desigual e excludente", afirmou.
Lula da Silva disse ainda que é preciso avançar nas negociações da ronda de Doha para fazer desaparecer definitivamente as barreiras comerciais e haver um sistema multilateral de comércio fortalecido, que é parte fundamental como resposta à crise económica mundial.
O ex-chefe de Estado acrescentou ainda que é necessário banir a especulação financeira mundial, com a reforma do sistema financeiro internacional, e saudou o protagonismo cada vez maior das ONG nas causas de interesse social.
"São grandes os desafios, a plenitude dos direitos sociais políticos e económicos ainda exigirá muito comprometimento, ação, batalhas. Exigirá uma nova governação mundial em que os organismos multilaterais correspondam com a velocidade com que a sociedade civil se mobiliza contras as injustiças", disse.
Para que esta nova governação mundial aconteça, disse, é necessário a reforma da ONU e do Conselho de Segurança, que este seja mais representativo, reflectindo a realidade do século XXI.
Esta nova ONU irá ajudar nos conflitos que surgem, como no Norte da África e no Médio Oriente, onde jovens lutam para conquistar a democracia.
Já a laureada Louise Arbour, presidente do International Crisis Group, realçou no seu discurso a luta pelos direitos humanos e pela democracia, citando também a luta da população do Norte de África e Médio Oriente por uma sociedade mais democrática.
Os dois galardoados receberam o Prémio Norte-Sul, atribuído pelo Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, das mãos do Presidente da República, Cavaco Silva, numa cerimónia que contou com várias autoridades portuguesas, como o primeiro-ministro, José Sócrates, e estrangeiras.
A mentira e a burla é crime púnivel por...


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