O secretário regional do Plano e Finanças comprometeu-se a enviar à comissão de inquérito ao endividamento da Região, documentos que confirmem os números que apresentou os deputados sobre dívida directa e indirecta, avales e investimentos da PATRIRAM. Esta manhã, Ventura Garcês foi ouvido na ALM, no âmbito de um inquérito subscrito pelos deputados da oposição e confirmou os valores da dívida já referidos durante o debate do orçamento.
Carlos Pereira (PS) abandonou a reunião, por não concordar com a metodologia adoptada e acusando o PSD e o Governo de pretenderem impedir a oposição de ter acesso a documentos que permitam avaliar a dívida. O deputado pretendia ter acesso, entre outros documentos, aos contratos das concessões e aos estudos que levaram à concessão de avales. "Para ouvir, outra vez, o discurso do senhor secretário sobre a dívida, não vale a pena uma comissão de inquérito", justificou
Os outros deputados da oposição presentes, Leonel Nunes (PCP) e Roberto Almada (BE), continuaram na reunião e ouviram a promessa de Garcês de que seriam enviados documentos à comissão. Mesmo assim, os dois temem que este inquérito seja condicionado pela vontade da maioria e que não permita tirar conclusões sobre a responsabilidade do aumento da dívida.
Do lado da maioria, há a garantia de que "nada será escondido", como referiu Jaime Filipe Ramos. O deputado social-democrata lembrou que a decisão de ouvir, em primeiro lugar, o secretário regional do Plano e Finanças foi tomada "por unanimidade" e, por isso, estranhou o posicionamento da oposição na reunião de hoje. "Agora, já não queriam ouvir o senhor secretário antes de terem os documentos", afirmou.
Jaime Filipe Ramos acusa Carlos Pereira de pretender "criar ruído em torno desta matéria" e de pretender impor um método de trabalho. "Esta comissão deve ser esclarecedora, e tudo faremos para isso, mas não pode ir atrás de estratégias de quem só pretende fazer show". O deputado 'laranja' lembrou que grande parte da longa lista de documentos que são pedidos pelos deputados da oposição "está na internet". Mesmo assim, sublinha, a comissão vai distribui-los.
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